Irã aceita dialogar sobre tecnologia nuclear
- 12 de janeiro de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Mundo
Jamil Chade, de Genebra
Pela primeira vez em três anos, o Irã aceitou ontem discutir a acusação de que está tentando obter tecnologia nuclear para fins militares. A informação foi revelada pela Associated Press, citando fontes diplomáticas. Ontem, o líder do Legislativo, Ali Larijani, disse que seu país terá “negociações sérias” com as potências.
O diálogo informado pelas fontes diplomáticas ocorreria durante uma visita a Teerã de funcionários da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU. A data do encontro entre os diplomatas e as autoridades iranianas, porém, não foi revelada.
Em novembro, a agência atômica das Nações Unidas publicou seu mais amplo relatório sobre o programa de Teerã, no qual mostrava indícios de que cientistas iranianos buscaram tecnologia nuclear para fins militares.
A notícia da volta do diálogo veio à tona enquanto o presidente Mahmoud Ahmadinejad chegava à última etapa de seu giro pela América Latina, o Equador, depois de deixar Cuba.
Ao mesmo tempo, aliados dos EUA mobilizam-se para fechar o cerco às exportações de petróleo do Irã. Em Bruxelas, os 27 países-membros da União Europeia estão finalizando os detalhes para impor um embargo ao combustível iraniano, a ser anunciado dia 23.
Na Ásia, o Japão decidiu reduzir a importação de barris de Teerã e a Coreia do Sul lança hoje uma missão ao Oriente Médio em busca de fontes alternativas.
Os anúncios elevaram o preço do barril de petróleo no mercado mundial. O cerco externo à indústria – que representa 60% da atividade econômica iraniana – tem por objetivo frear as ambições nucleares da República Islâmica.
Acordo iminente
Diplomatas europeus disseram ao que um acordo que veta a compra de óleo iraniano é “iminente”. A solução mais provável é a implementação de um embargo progressivo, o qual chegaria a 100% em seis meses.
Os sauditas, rivais históricos de Teerã, estão entre os cotados para preencher o espaço. Se a medida for de fato implementada, o Irã terá de rever o destino de 18% de sua produção nacional.
Hoje, a UE é o segundo maior importador mundial de petróleo iraniano. A dificuldade na aplicação do embargo, porém, fica por conta da resistência de China e Índia em seguir o mesmo caminho. Juntos, os dois países importam 40% da produção iraniana.
“Não é razoável que um país imponha suas leis internas como lei internacional, e exija que outros países as cumpram”, afirmou o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Weimin.
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