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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Igreja sofre sangria de documentos

Categoria: Mundo

O Vaticano está vivendo sua própria versão de escândalo do site de denúncias WikiLeaks, que atingiu em cheio a diplomacia dos Estados Unidos. Foi o que afirmou o porta-voz da Igreja Católica, Federico Lombardi, após recentes vazamentos de documentos confidenciais na imprensa italiana.

Vários jornais publicaram cartas de um delator denunciando casos de corrupção na Igreja, assim como acusando o banco do Vaticano de falhar na implantação de leis contra lavagem de dinheiro.

Os últimos boatos, na semana passada, falaram de um complô para matar o papa e de uma possível renuncia de Bento XVI. O Vaticano negou as informações.

“Precisamos de calma, sangue frio e razão”, afirmou Lombardi em uma longa declaração publicada no site da Rádio do Vaticano. “O governo do presidente Barack Obama teve o WikiLeaks, o Vaticano está tendo seus próprios vazamentos”, afirmou.

Observadores dizem que os vazamentos são evidências de uma luta interna pelo poder no Vaticano contra o Secretário de Estado Tarcisio Bertone.

“Esses vazamentos têm a intenção de espalhar confusão e manchar a imagem do Vaticano, do governo da Igreja e da própria Igreja”, alega Lombardi.

O porta-voz frisou que o papa Bento XVI está comprometido com o avanço da administração das finanças da Igreja e assegurou que o banco do Vaticano está alinhado às regras internacionais contra lavagem de dinheiro.

“Estão dizendo que documentos internos estão sendo transmitidos externamente, de maneira desonesta. Alguns, recentemente distribuídos, tendem a diminuir a credibilidade em relação ao compromisso da Igreja em aumentar a transparência”, disse.

Questionado na última terça-feira sobre rumores de que o papa poderia renunciar, advertiu: “Se essa questão já foi alguma vez abordada seriamente, discutiremos. Por ora, não é nada sério e, portanto, não há o que dizer”.

Na segunda-feira, o prelado aposentado de Ivrea (norte da Itália), Luigi Bettazzi, foi perguntado em um programa da RAI RADIO2, sobre a preparação de atentado contra Bento XVI.

Segundo Bettazzi, se o complô estivesse tratando do falecido João Paulo II ele “entenderia”, mas não contra Bento XVI, “um papa tão dócil, religioso.”

“Quando foi publicada essa notícia, pensei que se trata de preparar a renúncia”, disse ele. Com relação à pergunta sobre se Ratzinger queria renunciar ele responde: “sim, eu acho que sim.”

Bento XVI mencionou a possibilidade de renunciar em um livro de entrevistas intitulado “Luz do Mundo”, em que afirmou que iria parar caso não pudesse mais cumprir suas obrigações.

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