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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Guia sexual divide muçulmanas

Categoria: Mundo

(Foto: Dwi Oblo/Reuters) Muçulmanas rezam. Feministas e políticos criticam manual

Uma associação indonésia de esposas muçulmanas, que propõe a submissão da mulher para combater o divórcio e a violência doméstica, lançou uma guia que estimula o sexo em grupo para fortalecer os casamentos polígamos. O livro enfureceu entidades muçulmanas e de direitos humanos.

O guia, intitulado “Sexo islâmico, combatendo os judeus para devolver o sexo islâmico ao mundo”, tem 115 páginas e foi distribuído, pelo Clube da Esposas Obedientes, a mais de mil mulheres na Indonésia, Malásia e Cingapura.

A organização defende que as muçulmanas atendam todos os desejos de seus maridos na cama para manter a união familiar.

Espécie de Kama Sutra para preservação do casamento, a obra oferece, sem nenhuma fotografia ou desenho, ensinamentos de como os entreter e obedecer.

A associação alega que pretende melhorar o desempenho das mulheres, que só ofereceriam 10% do desejo de seus cônjuges.

Gina Puspita, diretora da entidade, leu um trecho do livro: “Alá garantiu ao homem a possibilidade de ter sexo simultâneo com todas suas esposas. Se a mulher assim agir, o sexo será melhor.”, diz um dos capítulos.

Vários países muçulmanos mantêm a poligamia, prática pela qual os homens muçulmanos podem se casar com mais de uma mulher sempre que possuam meios para sustentá-las.

O livro também mostra como as mulheres podem satisfazer seus maridos descrevendo atos sexuais e defendendo que o sexo é uma forma de prece. A fundadora do grupo, Maznah Taufik, considera que as separações são resultado do fracasso das esposas em dar prazer a seus maridos.

“O abuso doméstico acontece porque elas não obedecem aos maridos. O homem é o responsável pelo bem-estar da mulher, mas ela deve escutá-lo e obedecê-lo”, disse Maznah.

Oposição

O manual recebeu duras críticas de inúmeros grupos muçulmanos, organizações de direitos humanos e de ministros.

A responsável pela associação feminista Empower criticou a visão “atrasada e estreita” do papel da mulher no guia. “É um insulto ao movimento de defesa dos direitos da mulher. Avançamos o suficiente para que as mulheres não sejam mais tratadas como meros objetos sexuais”, afirmou.

Ratna Osnan, líder do grupo muçulmano Irmãs no Islã, denunciou “os homens que abusam e costumam utilizar o comportamento de suas esposas como justificativa de seus atos embora sejam sua responsabilidade.”

O ministro de Assuntos Islâmicos da Malásia, Jamil Khir Baharom, disse que irá analisar o conteúdo do livro para determinar se é pornográfico ou ofensivo ao islã.

Na Indonésia – o país com mais muçulmanos do mundo, onde 80% de seus 240 milhões de habitantes praticam esta religião – o clube se nega a fornecer mais detalhes sobre um guia pois ele seria de “uso privado e exclusivo.”

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