Garoto se finge de morto em chacina
- 31 de maio de 2012 |
- 23h59 |
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Categoria: Mundo
Quando os pistoleiros começaram a chacina de sua família, na sexta-feira, em Hula (Síria), Ali el-Sayed, de 11 anos, foi movido pelo terror: caiu no chão de casa e molhou as roupas com sangue de seu irmão para levar os assassinos a pensar que ele já estava morto. O massacre, que comoveu o mundo, é atribuído pela ONU a um grupo pró-governo. O presidente Bashar Assad rechaça a acusação.
Ali foi corajoso. Disse que tentou parar de tremer mesmo quando os pistoleiros, com longas barbas e cabeças raspadas, mataram seus pais e todos os quatro irmãos, um por um.
O mais jovem a ser morto foi seu irmão Ali Nader, de 6 anos. Ele foi atingido por dois tiros, um na cabeça e outro nas costas. “Coloquei o sangue do meu irmão em cima de mim e reagi como se estivesse morto” disse ele à agência de notícias Associated Press.
O menino é um dos poucos sobreviventes do massacre na Província de Homs. Pelo menos 108 pessoas foram mortas, muitas delas mulheres e crianças, baleadas ou esfaqueadas em suas casas.
Os assassinatos trouxeram a condenação mundial imediata ao presidente Assad, que desde março de 2011 comanda uma violenta repressão a uma revolta popular. Ativistas dizem que até 13 mil pessoas foram mortas desde que a crise começou.
Investigadores da ONU e testemunhas culpam pelo menos algumas das mortes em Hula aos homens armados conhecidos como shabiha que operam em nome do governo de Assad.
Recrutas alauitas, os milicianos permitem que o governo se distancie das responsabilidade direta pelas mortes em estilo de execução, tortura e ataques de vingança que se tornaram marcas registradas do grupo de atiradores.
Para o governo de Assad, o massacre foi cometido por bandoleiros. “Grupos armados assassinaram famílias pacíficas”, afirmou o general Kassem Jamaleddine, chefe da comissão de investigação Justiça-Exército.
As famílias mortas, disse, “haviam recusado a se colocar contra o governo”. “Elas não concordavam com os grupos armados”, prosseguiu o militar referindo-se à oposição armada que combate as tropas do governo. O local, ainda segundo o general, seria uma área onde há grupos armados. “Nossa tropa não entra nem antes nem depois”, afirmou.



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