Em Cuba, Dilma trata de negócios e libera empréstimo
- 30 de janeiro de 2012 |
- 23h08 |
- Tweet este Post
Categoria: Mundo
Lisandra Paraguassu
A presidente Dilma Rousseff chegou ontem à noite em Havana para sua primeira visita oficial a Cuba. A julgar pelos sinais enviados por Brasília, o governo cubano tem mais razões para ser otimista do que a dissidência. Dilma leva à ilha mais uma linha de crédito, dessa vez de US$ 523 milhões. O financiamento brasileiro à ilha já chega a US$ 1,37 bilhão.
Com a visita da presidente brasileira, o regime cubano – que investe em algumas mudanças econômicas para tentar tirar a ilha da inércia financeira – espera do Brasil mais investimentos pesados em obras de infraestrutura.
Por seu lado, os dissidentes, apesar de todos os sinais contrários vindos de Brasília, ainda acreditavam ontem que o governo brasileiro não manteria a tradicional indiferença às violações dos direitos humanos no país.
O Itamaraty não esconde que o propósito da visita de Dilma é econômico e comercial. O Ministério das Relações Exteriores tem reiterado que o Brasil não tem intenção de tratar de temas espinhosos, como a repressão cubana.
A avaliação do Brasil, de acordo com o chanceler Antonio Patriota, é a de que “a situação dos direitos humanos em Cuba não é emergencial”. Incluir na agenda presidencial encontros com opositores do regime, mesmo que para tratar de direitos humanos, não cairia muito bem.
O que interessa ao governo brasileiro é incentivar o regime cubano a seguir adiante com as mudanças econômicas. A avaliação da diplomacia brasileira é a de que ajudar Cuba a avançar economicamente é a melhor colaboração que se pode dar ao país.
Por isso, o Brasil vai financiar do término do Porto de Mariel, uma obra de US$ 683 milhões, até a compra de alimentos e máquinas. O comércio entre os dois países cresceu 31% de 2010 para 2011, chegando a US$ 642 milhões. No entanto, essa é quase uma via de mão única: apenas US$ 92 milhões são de exportações cubanas, especialmente medicamentos.
Há pouco para Cuba vender e muito para comprar. Chegam do Brasil equipamentos agrícolas, sapatos, produtos de beleza, café, em alguns momentos, até açúcar.
Hoje extremamente dependente da Venezuela, que garante praticamente todo o petróleo usado na ilha a preço de custo, os cubanos repetem uma situação que já viveram nos anos 70 e 80 com a União Soviética, antes de Moscou falir e abandonar Cuba à própria sorte.
“A Venezuela é nossa nova URSS. O equilíbrio cubano hoje se chama Hugo Chávez”, avalia o economista Oscar Espinosa Chepe. “Há muito potencial, especialmente na agricultura, mas é preciso investimento. E é preciso buscar investimentos estrangeiros reais, buscar um país mais sério.”
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
Antonio Patriota, Cuba, Dilma Rousseff, Direitos humanos, empréstimo, exportações, financiamento, Havana, Hugo Chávez, Itamaraty, medicamentos, Moscou, Mudanças econômicas, Oscar Espinosa Chepe, Porto de Mariel, regime cubano, União Soviética, Venezuela
- : Costa Leste dos EUA em alerta. É o furacão Earl http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/costa-leste-dos-eua-em-alerta-e-o-furacao-earl/ 2010-09-02
- : Obama abre cúpula de paz http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/obama-abre-cupula-de-paz/ 2010-09-01
- : Horas de terror no 'Discovery' http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/horas-de-terror-no-discovery/ 2010-09-01
- : Furacão Earl avança em direção aos EUA http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/furacao-earl-avanca-em-direcao-aos-eua/ 2010-08-31
- : Espanha: tráfico sexual apenas de brasileiros http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/espanha-trafico-sexual-apenas-de-brasileiros/ 2010-08-31
- More updates...
Powered by Twitter Tools


RSS
Deixe um comentário: