China cada vez mais urbana
- 8 de janeiro de 2012 |
- 23h40 |
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Categoria: Mundo
A China, um país predominantemente rural durante seus quatro milênios de história, vive um momento inédito. Pela primeira vez, em 2011, os moradores das cidades superaram os do campo, uma grande mudança que terá consequências sociais, econômicas e até culturais no país mais populoso do mundo.
A situação constatada em um estudo da Academia Chinesa de Ciências é vista como “um momento histórico para uma civilização tradicionalmente agrícola.” Os pesquisadores chegaram a essa conclusão matematicamente, usando os números do último censo nacional, realizado em 2010, que indicou que 50,32% dos chineses moravam no campo e 49,68% nas cidades.
Mas, considerando que a urbanização do país cresce com uma média anual entre 0,8% e 1%, calcula-se que a população urbana um ano depois atingiu 674 a 676 milhões, e a rural entre 671 e 672 milhões, o que revela uma mudança na composição da sociedade.
Esse é um momento simbólico no processo de urbanização que começou há um século, mas lentamente: nos anos 50, pouco mais de 60 milhões de chineses viviam nas cidades contra cerca de 500 milhões de agricultores.
O Partido Comunista de Mao Tsé-tung, na ocasião, foi considerado fundamentalmente camponês. Mao limitou o êxodo rural, apesar de seus esforços para industrializar o país, que não deixaram a população rural diminuir até os anos 90, enquanto a urbana havia iniciado um ritmo acelerado de crescimento nos primeiros anos da década de 80, com a reforma e abertura de Deng Xiaoping.
A nova situação da China não é sinônimo de que o país seja “próspero”, mas é um passo desejado por Pequim, embora os especialistas reconheçam que o país enfrenta grandes desafios e que o êxodo rural é também um reflexo de problemas sociais.
“A população rural foi para as cidades porque perdeu muitas terras, que foram desapropriadas pelo governo. Se além de perder seu estilo de vida, enfrentar o desemprego nas cidades, a instabilidade social e a delinquência podem aumentar”, afirmou uma socióloga da Universidade Pedagógica de Pequim.
Para essa especialista, o regime vai ter que controlar esse êxodo, não com limitações como fez durante décadas, mas com políticas de criação de emprego e inserção social nas cidades.
A maioria dos especialistas concorda que o sistema de hukou (sistema de registro que dividia os cidadãos entre urbanos e rurais e não permitia sua saída do lugar de nascimento), que ainda perdura, deve ser abolido progressivamente, já que por causa dele os imigrantes rurais são tratados como “cidadãos de segunda classe” nas zonas urbanas, com menos acesso à educação, saúde e moradia.
Nos últimos 30 anos, cerca de 240 milhões de chineses deixaram o campo para viver nas cidades e muitos não encontraram outra opção do que trabalhar em empregos não especializados e mal remunerados, como a construção civil.
Mas esse processo também apresenta muitas oportunidades para a China, segundo os especialistas, e muitos veem o fenômeno como a salvação da economia nacional quando o mercado de exportações se “esgotar” por causa do progressivo encarecimento da mão de obra nacional e da moeda, o iuane, além do estímulo ao consumo interno pela população urbana, para garantir o desenvolvimento do país.
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