Ataque militar na Síria mata 18 bebês
- 8 de fevereiro de 2012 |
- 22h53 |
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Categoria: Mundo
Forças do ditador Bashar Assad intensificaram os ataques à cidade de Homs, principal reduto da oposição síria, entrando com tanques em pelo menos quatro bairros residenciais e disparando contra residências. O corte de energia elétrica imposto pelo regime matou 18 bebês prematuros na UTI de um hospital de Homs.
Pelo menos cinco corpos das crianças mortas no centro médico infantil Al-Walid foram entregues às suas famílias, em Al-Yalidiya. Grupos de dissidentes e moradores locais sitiados afirmam que mais de 100 pessoas morreram entre terça-feira e ontem – antes, no fim de semana, 260 teriam sido assassinadas pelos militares.
Na terça-feira, após se reunir com Assad em Damasco, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, havia afirmado que o ditador sírio estava “completamente comprometido” com o fim da violência. Assad agradeceu a Lavrov pela decisão russa de vetar uma resolução da ONU condenando a Síria. A China também votou contra a punição.
Segundo o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal comitê político da oposição, 20 crianças morreram nos ataques de ontem a Homs. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima em 400 o número de crianças mortas em 11 meses de crise – outras 400 estariam nas presas.
As informações divulgadas por grupos opositores e residentes de Homs não podem ser verificadas, pois o regime Assad controla a entrada de jornalistas e observadores independentes. Mas filmes postados no YouTube mostravam apartamentos sendo diretamente alvejados por obuses e foguetes, entre cortinas de fumaça e corpos estendidos pelas ruas.
Dezenas de filmes de corpos de crianças e mulheres que teriam sido mortos ou feridos nos ataques de ontem também foram colocados em redes sociais da internet.
Desertores das forças de Assad teriam encontrado na cidade um de seus redutos. Nas imagens divulgadas é possível ver homens em trajes civis carregando fuzis Ak-47. Os soldados que deixam as fileiras de Damasco unem-se ao Exército Livre da Síria.
A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, protestou contra a ofensiva militar do governo e indiretamente culpou potências que vetaram a resolução condenando a Síria – Rússia e China – pela nova onda de massacres.
“Estou chocada com o premeditado ataque do governo da Síria e o uso de artilharia e outras armas pesadas no que aparentam ser ataques indiscriminados contra áreas civis da cidade”, disse Navi por meio de nota. “O fracasso do Conselho de Segurança em chegar a um acordo sobre uma ação coletiva firme parece ter ampliado a disposição do governo sírio em massacrar o próprio povo, tentando esmagar a oposição.”
O regime sírio nega as informações sobre massacres em Homs e afirma estar “perseguindo terroristas infiltrados” na cidade. Ontem, a rede estatal de notícias de Damasco, Sana, afirmou que um carro-bomba havia explodido no centro de Homs. A informação, entretanto, não foi confirmada pela oposição nem por residentes.
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