‘Kit gay’ acirra ânimos da campanha
- 15 de outubro de 2012 |
- 23h18 |
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Categoria: Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, José Serra
A polêmica envolvendo o material contra homofobia produzido pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão de Fernando Haddad (PT) – batizado por críticos de “kit gay” – se acirrou ontem. O petista disse que o rival José Serra (PSDB) produziu material semelhante em sua passagem pelo governo paulista, em 2009. O ex-governador, que havia dito que o kit federal queria “doutrinar em vez de educar”, negou semelhança entre as peças.
Entidade que defende a população LGBT reclamou de Serra por criticar a produção do MEC. O núcleo de diversidade tucano, por sua vez, havia protestado em maio contra Dilma por vetar o kit federal.
Haddad citou o kit paulista durante agenda de campanha, ao acusar Serra de “confundir o eleitorado”. “Assim como ele mentiu sobre a minha conduta e da presidente Dilma frente ao episódio, ele mentiu por uma segunda vez. É mentira atrás de mentira, não é razoável fazer o debate com base em mentira”, comentou.
Serra negou qualquer semelhança entre esses materiais, dizendo que o que foi produzido em sua administração era para os professores poderem lidar com as diferentes situações de preconceito, e não destinado aos alunos. “Não tem nada a ver com o desastrado kit gay, do Fernando Haddad, que custou R$ 800 mil, a (presidente) Dilma (Rousseff) vetou, e não envolve nenhuma medida positiva”, disse. “Não é material só voltado a questão de natureza sexual, mas também a de preconceito de classe, a de preconceito religioso. É um material voltado ao fortalecimento da família.”
A briga ultrapassou as fronteiras da capital. O pastor evangélico do Rio de Janeiro Silas Malafaia, um dos principais críticos do kit federal, prometeu “arrebentar” a campanha de Haddad por causa do “kit gay” e declarou apoio a Serra.
Ontem, o pastor criticou a cartilha paulista, mas disse ser “uma afronta à inteligência” comparar os materiais. O petista, por sua vez, ganhou solidariedade do deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), que o defendeu no Twitter.
Semelhanças
Segundo a Secretaria Estadual de Educação, as diretorias de ensino recebem, desde 1996, materiais didáticos de programas de prevenção. Distribuído só a professores, o kit inclui vídeos e materiais impressos, tratando de bullying, violência, drogas, gravidez na adolescência, bem como diversidade sexual. A iniciativa é parte do programa “Prevenção Também Se Ensina”.
Com sistemática semelhante, o material do MEC, uma das ações do programa federal “Escola sem Homofobia”, feito entre 2008 e 2009, trata exclusivamente de discriminação e combate à homofobia.
O kit anti-homofobia do governo federal teria um guia de orientação aos professores e três vídeos. O material seria enviado a 6 mil escolas de ensino médio em 2011, mas só para professores, e não para alunos, diz o MEC.
A parte audiovisual do kit foi feita pela ONG Ecos. Os vídeos têm diferentes estéticas – teledramaturgia tradicional, animação de fotos e desenhos – e abordam temas como lesbianismo, transexualidade e bissexualidade.
Os materiais estadual e federal têm semelhanças que ultrapassam o formato. Um dos vídeos recomendados pelo kit tucano, “Boneca na Mochila”, foi usado nos seminários de capacitação de professores treinados pelo MEC.
Propaganda eleitoral volta hoje com ataques
- 14 de outubro de 2012 |
- 22h29 |
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Categoria: Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, José Serra
A propaganda eleitoral no rádio e na TV volta hoje com José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) travando um duelo ético e outro sobre quem tem mais capacidade para administrar a cidade.
Serra, além de voltar a explorar o mensalão, na esteira da condenação do ex-ministro José Dirceu, questionará a capacidade administrativa de Haddad levando ao ar problemas enfrentados pelo Ministério da Educação, em especial as falhas no Enem e a greve nas universidade federais.
A campanha petista, por sua vez, vai reapresentar Haddad ao eleitorado, usar depoimentos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula e, do ponto de vista crítico, tratará da renúncia de Serra em 2006, um ano e três meses após ele ter assumido a Prefeitura, mesmo tendo prometido, em documento registrado em cartório, ficar o mandato inteiro.
O primeiro programa de Haddad deve ter um tom leve. Na dianteira das pesquisas, os petistas vão esperar os ataques tucanos para decidir como responder.
A depender da reação do eleitorado às críticas, o PT usará temas como a compra de votos da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; as acusações envolvendo o ex-diretor da Dersa no governo de Serra, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto; e o aumento do patrimônio de Hussein Aref Saab, ex-diretor da Prefeitura suspeito de enriquecer ilicitamente e nomeado para o cargo pelo tucano.
Embora vá explorar o mensalão, a equipe de Serra não fará deste o mote da campanha por temer que a descrença na classe política eleve os votos brancos e nulos, o que prejudicaria o tucano.
Haddad evitou responder às críticas de Serra sobre o chamado “kit gay”. O tucano afirmou que a intenção do material era “doutrinar, em vez de educar”. Segundo Haddad, Serra fez “ataque pessoal” e “sempre distorce a informação”.
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Haddad e Serra negam ‘barganha’ em apoios
- 11 de outubro de 2012 |
- 23h33 |
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Categoria: Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, José Serra
Ao anunciarem suas alianças para o 2º turno da disputa pela Prefeitura, PMDB e PTB negaram que tenham barganhado cargos para apoiar, respectivamente, Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). Os partidos só admitem negociar espaço em caso de vitória, mas, nos bastidores, as legendas negociam espaços no governo federal e no Estado.
As equipes de Haddad e Serra querem evitar que as alianças eleitorais tenham a imagem de “troca-troca”. Depois do 2º turno, entretanto, Gabriel Chalita (PMDB) deve ganhar um ministério em Brasília e Luiz Flávio Borges D’Urso (PTB) deve ser nomeado secretário de Justiça do governo Geraldo Alckmin (PSDB).
Na reunião que selou o apoio do PMDB a Haddad, o vice-presidente Michel Temer foi categórico para negar que Chalita terá ministério no governo Dilma Rousseff como moeda de troca pela aliança. “Isso é uma maldade. Eu nunca discuti isso, por enquanto, com a presidente Dilma. Não há essa discussão”, afirmou, depois de um encontro com Chalita e Haddad, em seu escritório político.
Para fechar o apoio ao candidato petista, o PMDB negociou um espaço para Chalita na Esplanada dos Ministérios em uma minirreforma que deve ser realizada depois das eleições. Não há definição, no entanto, sobre a pasta que o peemedebista deve ocupar.
Temer teve um encontro anteontem com Dilma, ministros, o ex-presidente Lula e o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Publicamente, PT e PMDB apresentaram o acordo como uma união de propostas e programas para a cidade. “O acordo foi feito em torno de ideias”, explicou. Haddad se comprometeu a incluir em seu programa de governo propostas da campanha de Chalita, como o projeto das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e o Centro de Monitoramento de Segurança.
Chalita admitiu que a opção de apoiar Haddad contra Serra foi “fácil”. “Para mim, foi fácil, queria ter anunciado no domingo”. Ele tratou com ironia a possibilidade de ganhar um cargo no governo federal. “Estou ganhando ministério há cinco anos”, disse.
O PMDB admite apenas que vai negociar, depois da eleição, uma participação no governo municipal caso Haddad vença a disputa. “Isso é natural. Vai depender de conversas que Haddad terá com Chalita”, afirmou Temer.
Ao anunciar o apoio a Serra, líderes do PTB também disseram que pretendem participar da Prefeitura em caso de vitória do tucano. “Não estamos barganhando nada. Se vencermos, aí é natural que o PTB tenha espaço”, disse Campos Machado, presidente estadual do partido.
O PTB, no entanto, deve ser contemplado em reforma do secretariado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que conta com o apoio do PTB a sua reeleição em 2014. Ele deve indicar para a Secretaria da Justiça de Luiz Flávio D’Urso, que foi vice na chapa derrotada de Celso Russomanno (PRB).
O PDT também declarou apoio à candidatura de Serra. O partido faz parte da base aliada de Dilma em Brasília, mas a atacou. O presidente estadual do PDT, o deputado Paulinho da Força, disse que decidiu apoiar Serra porque o governo federal não implementou medidas que beneficiariam os trabalhadores. “Como vamos dar mais poder ao PT na principal capital do País se eles não cumprem o que prometeram lá atrás?”
Em 2010, quando apoiava Dilma, Paulinho atacou Serra em comício de 1º de Maio. Disse que o tucano “não gostava” e “tinha medo” de trabalhadores, pois se recusava, quando governador, a receber sindicalistas. “Ele não pode ser candidato”, chegou a dizer.
Datafolha: Haddad abre 10 pontos sobre Serra
- 10 de outubro de 2012 |
- 23h38 |
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Categoria: Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, José Serra
A primeira pesquisa do instituto Datafolha no segundo turno da eleição mostra o petista Fernando Haddad à frente, com 47% das intenções de voto, ante 37% do tucano José Serra. Os indecisos são 8%, e outros 8% afirmam que pretendem anular o voto. Em votos válidos – excluídos os entrevistados que pretendem votar nulo ou em branco –, Haddad teria 56%, ante 44% do adversário.
No primeiro turno, Serra teve 30,75% dos votos válidos, e Haddad, 28,98%. Considerado todo o universo de votos, a vantagem do petista, de dez pontos porcentuais, é superior à do levantamento anterior do Datafolha, feito às vésperas do primeiro turno na eleição, nos dias 5 e 6 deste mês. Na ocasião, ao serem questionados sobre sua escolha em um eventual segundo turno entre PT e PSDB, 45% dos entrevistados citaram Haddad, e 39%, Serra – a diferença entre os dois estava em seis pontos porcentuais.
Mas o Datafolha já captou uma distância de 10 pontos entre o primeiro e o segundo. Foi no levantamento feito entre 26 e 27 de setembro, quando Haddad apareceu como vencedor de um ainda eventual segundo turno contra Serra, por 48% a 38%.
O resultado da pesquisa mais recente mostra que, ao menos por enquanto, o candidato do PT é o que mais herda votos dos derrotados no primeiro turno. Celso Russomanno, do PRB, teve mapa de votação similar ao de Haddad – mais votos na periferia que nas áreas centrais. São áreas em que candidatos do PT costumam vencer com porcentuais superiores aos obtidos por Haddad. Sem Russomanno para dividir esse eleitorado, o crescimento do petista nessas áreas é muito provável.
Mas o desempenho de Marta Suplicy nas eleições de 2004 e 2008 já mostrou que não basta triunfar na periferia para vencer as eleições. O centro expandido, onde Serra obteve seus melhores resultados, deve ser o principal palco da batalha do segundo turno.
O Datafolha ouviu 2.100 eleitores entre anteontem e ontem. A pesquisa, contratada pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-01851/2012. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
Serra e Haddad confirmam vantagem em seus redutos
- 8 de outubro de 2012 |
- 1h54 |
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Categoria: Eleições 2012, Celso Russomanno, Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, Gabriel Chalita, José Serra, Eleições 2012, Soninha
José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) farão o segundo turno em São Paulo. O tucano teve 30,8% dos votos válidos, contra 29% do petista. Em números absolutos, foram 1.884.849 votos para Serra, e 1.776.317 para Haddad. Celso Russomanno (PRB) ficou em terceiro lugar, com 21,6% dos votos, e Gabriel Chalita (PMDB), em quarto, com 13,6%. Os votos brancos e nulos quase dobraram em relação às taxas de 2008 e chegaram, juntos, a 12,8%.
Será a segunda vez que PSDB e PT se enfrentam no segundo turno paulistano, e a sexta vez seguida que um candidato petista chega ao turno final na cidade. O segundo turno ocorrerá no dia 28 de outubro. O horário eleitoral recomeça esta semana, com 20 minutos de propaganda na TV por dia para cada candidato.
O modelo de divisão do eleitorado criado pelo Estadão Dados em parceria com o Ibope teve 100% de acerto. Serra ganhou em todas as zonas eleitorais antipetistas; Haddad ganhou em todas as zonas eleitorais petistas. Os dois dividiram as zonas volúveis: Haddad venceu em cinco delas, e Serra, em duas. Russomanno e Chalita não venceram em nenhuma zona eleitoral.
A divisão da cidade em zonas petista, antipetista e volúvel foi desenvolvida por Estado/Ibope com base em resultados históricos. As zonas petistas são aquelas onde os candidatos majoritários do PT em 2008 e 2010 foram os mais votados.
Nas antipetistas, nenhum petista venceu nas últimas três eleições. Nas zonas volúveis, os petistas alternaram vitórias e derrotas.
À divisão política corresponde uma divisão socioeconômica da cidade. As zonas antipetistas têm renda média 2,5 vezes maior do que as zonas petistas. Elas formam uma área homogênea e contígua no centro expandido de São Paulo. As zonas petistas estão distribuídas nas periferias sul, leste e norte da cidades. As zonas volúveis ficam sempre entre as petistas e as antipetistas e formam uma área de transição econômica e política.
Neste primeiro turno, Serra conseguiu 42% dos votos válidos no conjunto das zonas antipetistas, contra apenas 21% de Haddad. Russomanno ficou em terceiro lugar nessas áreas, com 18%, e Chalita, em quarto, com 14%. A zona antipetista foi responsável por 51% do total de votos válidos na cidade.
A zona petista contribui com 38% dos votos válidos totais desta eleição. Haddad ficou com 39% dos votos válidos na zona petista, contra 27% de Russomanno, 17% de Serra e 13% de Chalita. O candidato do PT obteve proporcionalmente bem menos votos do que Marta Suplicy (PT) nessa área. Ela chegou a 51% em 2008.
Da zona volúvel vieram os 11% restantes dos votos em candidatos na cidade nesta eleição. Nessas sete zonas eleitorais, o resultado consolidado foi uma vitória de Haddad, com 30% dos votos válidos, seguido de Serra, com 27%, Russomanno com 23% e Chalita com 15%.
A maior vitória de Serra ocorreu na zona eleitoral do Jardim Paulista, na região oeste da cidade. O tucano ficou com 67% dos votos válidos, contra apenas 14% de Haddad. O petista foi o segundo colocado, à frente de Chalita (8%). O PSDB tradicionalmente obtém a vitória nessa região da capital, como em 2010, quando Serra disputou a Presidência contra Dilma Rousseff (PT); foi derrotado, mas venceu em São Paulo.
A maior vitória de Haddad foi na zona eleitoral de Parelheiros, na zona sul da cidade. O petista conquistou 47% dos votos válidos, contra 10% de Serra. O tucano ficou em quarto lugar, atrás de Russomanno (26%) e de Chalita (13%). Nessa região, o PT também é vitorioso tradicional.
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