Políticos “tropeçam” no visual
- 2 de junho de 2012 |
- 23h36 |
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GILBERTO AMENDOLA
Deve ser uma tarefa inglória se propor a dar dicas de estilo e moda à classe política brasileira quando o deputado federal mais votado do País amealhou milhares de eleitores vestindo-se de palhaço. Ainda assim, a jornalista Luci Molina, a consultora de imagem Milla Mathias e o jornalista Sergio Kobayashi resolveram se arriscar – e acabam de lançar o livro Guia de Estilo para os Candidatos ao Poder – e pra quem já chegou lá. “O Tiririca foi um voto de protesto. Não está dentro da normalidade. Um político não pode se espelhar nisso”, explica Luci.
Se o noticiário diário já coloca em xeque o conteúdo (programático e intelectual) de parte substancial do nosso quadro político, o livro aponta o dedo para a falta de senso estético dos poderosos ou dos aspirantes ao poder. “Poucos se preocupam com a imagem. A maioria não conta com profissionais e acaba errando no básico – que é a forma de se vestir”, comenta Milla. “A maioria erra na cor do blazer e no estilo da gravata. Aliás, gravata é um elemento muito importante. Os políticos têm usado sempre as mesmas cores. Alguns ainda se arriscam com estampas e desenhos, o que é um pecado.”
Segundo Milla, o populismo também é uma tendência política que se reflete na roupa e na postura do candidato. “O Jânio, por exemplo, era um homem refinado, mas que se fazia de popular, usava ternos puídos e até colocava sanduíche de mortadela no bolso do paletó. Esse modelo já não funciona mais”, diz. “O curioso é que todo político é vaidoso. Se não fossem vaidosos, não eram políticos”, completa Kobayashi.
O que pode parecer desimportante, à primeira vista, ganha ares de fundamental quando Luci analisa a trajetória do ex-presidente Lula. “Ele passou por uma mudança radical para ganhar uma eleição. Estaticamente, ele era outra pessoa. Ele não é mais aquele sindicalista que deixava o umbigo a mostra durante uma fotografia (referindo-se a uma foto clássica de Lula, tirada em 89).”
Além das roupas, o livro trata da “etiqueta” dos políticos. Discorre, por exemplo, sobre os perigos de “beber sentado”, usar “palitos para tirar restos de comida do dente” e até sobre a forma adequada de tratar garçons ou assessores.
“Ninguém quer ser representado por alguém que não saiba se comportar com o mínimo de educação”, comenta Kobayashi.
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