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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
Política
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Na Câmara, surpresas e fim de um ‘mito’

Categoria: Câmara Municipal

A Câmara Municipal da capital paulista saiu da eleição com uma renovação em 22 de suas 55 cadeiras, ou 40% do total. O porcentual é ainda maior se considerado que quatro dos atuais parlamentares não tentaram a reeleição. A lista de novos parlamentares inclui políticos que retornam a cargos eletivos e algumas “surpresas”.

A maior delas é a eleição inédita de dois irmãos pelo mesmo partido: Arselino Tatto não só conseguiu a reeleição, mas também terá como colega de plenário Jair. Eles “dividiram” a cidade para distribuir os votos: Arselino ficou com a Capela do Socorro, e Jair, com outros distritos da zona sul e “o resto da capital”. A tática reduziu a votação do irmão vereador, mas deu certo.

Outros “mitos” do Legislativo caíram. O maior deles talvez seja Wadih Mutran (PP), um dos mais longevos vereadores paulistanos, que ficou a poucos votos de continuar na Casa. Malufista histórico, ele ainda integrou a “tropa de choque” de Celso Pitta – de quem era um dos articuladores, ao lado de Brasil Vita –, a base de Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD). O político mais antigo da Câmara agora será Roberto Tripoli (PV), também o mais votado de ontem.

Se perdeu um de seus decanos, a Casa terá a volta de políticos que sofreram derrotas recentes – ou nem tanto – ao Legislativo. Conte Lopes (PTB), que já foi deputado estadual, garantiu mandato de vereador, assim como Nelo Rodolfo (PMDB), que já foi um dos parlamentares mais votados da capital e, depois, deputado federal. Os ex-vereadores Rubens Calvo (PMDB), Paulo Fiorilo e Nabil Bonduki, ambos do PT, também retornaram.

A “bancada da bala” – com políticos ligados à área de segurança – também deve estar reforçada. Além de Conte Lopes, o ex-comandante da Rota Paulo Telhada (PSDB) também ficou entre os cinco mais bem votados. O ex-comandante da Polícia Militar Álvaro Camilo (PSD) tornou-se primeiro suplente da coligação de Serra. Deve ocupar uma vaga na Câmara, pois outro integrante da aliança, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), que se reelegeu, vai se licenciar para assumir a suplência de Marta no Senado – ela foi nomeada ministra da Cultura.

Já a bancada evangélica passou de cinco nomes para oito. Entre os novatos, representantes das igrejas Universal, Mundial e da Graça de Deus.

O PSD de Kassab, porém, sofreu baixas em sua bancada, atualmente com 11 cadeiras. Terá, a partir de 2013, apenas sete integrantes, ao contrário do que previa o prefeito e temiam os candidatos do PSDB ao rejeitarem a aliança proporcional. Os tucanos fizeram oito vagas, uma delas para o ex-secretário estadual de Cultura e municipal de Subprefeituras Andrea Matarazzo, segundo mais votado. A última cadeira do PSD ficou com o presidente da Câmara, José Police Neto.

Se Gabriel Chalita (PMDB) não conseguiu ir ao segundo turno, sua subida nos últimos dias antes da votação ajudou o partido a ressurgir no Legislativo. Hoje, ele tem uma cadeira, com Carlos Apolinário, que não tentou se reeleger. Passará a ter quatro.

O maior partido da futura Câmara será o PT, com 11 cadeiras, uma a mais que a bancada atual. Os menores, o PHS, com Laércio Benko, ex-PV, e o PSOL, com Toninho Véspoli. Os dois tiveram as menores votações entre os 55 eleitos, com cerca de 17 mil e 8 mil votos, respectivamente.

Haddad cresce com apoio de Lula

Categoria: Eleições 2012

A participação mais efetiva do ex-presidente Lula na campanha do pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, coincidiu com a subida do ex-ministro da Educação nas intenções de votos dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 13 e 14.

O petista passou de 3% no levantamento anterior do instituto, realizado em março, para 8%. Pré-candidato do PSDB, José Serra manteve os 30% anteriores e lidera a corrida a menos de quatro meses do primeiro turno.

Se a eleição fosse hoje, Serra iria ao segundo turno contra Celso Russomanno (PRB), que oscilou de 19% para 21% – a margem de erro do levantamento, que ouviu mil pessoas, é de três pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Russomanno tem como trunfo aparições em programas de TV na Record. A partir da próxima semana, porém, após sua confirmação como candidato em convenção, ele estará impedido de participar dos programas, o que pode influir em sua intenção de voto.

Quem também teve oscilação positiva foi Soninha, do PPS, que passou de 7% para os mesmos 8% de Haddad.

Após seu partido, o PC do B, já ter dado sinais de que não terá candidatura própria, o vereador Netinho de Paula oscilou negativamente, de 10% para 7%.

A tendência é de que os comunistas apoiem Haddad, mas a sigla ameaça fechar com o PMDB de Gabriel Chalita se o PT não selar alianças em outras cidades, como Porto Alegre.

Chalita, por sua vez, também oscilou um ponto para baixo, de 7% em março para 6% agora. Paulinho da Força (PDT), que confirmou sua candidatura no sábado, teve 5% das intenções de voto – na pesquisa anterior, eram 8%.

Luiz Flávio D’Urso, do PTB, e Carlos Giannazi, do PSOL, obtiveram 1% cada um. Os demais concorrentes não pontuaram, segundo o Datafolha.

PSOL quer que MP investigue Passos

Categoria: Corrupção

O deputado federal Ivan Valente (PSOL) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo que o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, seja investigado por suspeita de corrupção passiva, desvio de dinheiro e formação de quadrilha no suposto esquema de cobrança de propina na Feira da Madrugada, na capital, que envolveria políticos do seu partido, o PR.

A representação tem como base documentos que contêm o timbre do Ministério dos Transportes e levam as assinaturas de Arnaldo Bernardo, funcionário da pasta que participava da gestão informal da feira, e Ailton de Oliveira, administrador do local. Os papéis datam de maio a julho de 2010, período em que Passos era ministro – ele ocupava o lugar do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que se desligara da pasta para disputar a eleição.

Bernardo e Oliveira são acusados de operar um esquema de cobrança de propina na feira, que seria chefiado pelo deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). A denúncia envolvendo Bernardo e outro funcionário do ministério – Eloy Arcas Jr., que também participava do grupo de trabalho da feira – foi feita ao JT há duas semanas pelo empresário Rivaldo Sant’Anna, dirigente de uma associação de comerciantes que trabalham próximo ao local. Oliveira nega irregularidades.

Na avaliação de Valente, os funcionários dos Transportes atuavam em conluio com crimes praticados na feira por Oliveira, o que aponta para um foco de alimentação ilícita do caixa do PR. “Há vários documentos assinados em conjunto por funcionários dos Transportes e sérios indícios de peculato e corrupção passiva praticados pelo ministro.” Procurado, o ministério não se manifestou.

Fernando Gallo

Partidos apostam em ‘recall’

Categoria: Gilberto Kassab, Política, Prefeitura

As eleições para a Prefeitura de São Paulo ainda estão a um ano e meio de distância. Mesmo assim, os principais partidos já iniciaram o tradicional lançamento de “balões de ensaio” sobre a cabeça dos eleitores. Até o momento, nada de novo no front – somente figurinhas carimbadas da política local e nacional. Ou alguém se espantaria se o PSDB voltasse a disputar uma eleição com José Serra? Ou se o PT ficasse dividido entre uma candidatura Mercadante ou Marta Suplicy?

Mesmo com todo o barulho provocado pela provável filiação de Gabriel Chalita (hoje no PSB) ao PMDB e sua possível candidatura à Prefeitura, sua presença na eleição de 2012 também não pode ser encarada como novidade. Aliás, a presença de Chalita em eleições não é mais novidade desde 2008, quando foi eleito vereador pelo PSDB – em 2010, ele voltou a participar de um pleito, e elegeu-se deputado federal pelo PSB.

Dois outros pré-candidatos (já oficialmente lançados) surgem como uma espécie de ‘recall’ das eleições de 2010. São eles: Netinho de Paula (PC do B), eleito vereador em 2008 e terceiro colocado na última eleição para o Senado; e Celso Russomanno (PP), ex-deputado federal que disputou o governo paulista em 2010.

Para o cientista político Rui Tavares Maluf, uma provável eleição repleta de nomes “batidos” não é necessariamente uma notícia ruim. “É melhor isso do que a criação e a invenção de um nome desconhecido, sem nenhuma tradição política”. Em compensação, ele aponta aquilo que, em sua opinião, é o grande problema de uma eleição municipal. “Os partidos estão desarticulados. Não conseguem debater questões importantes da cidade. Na verdade, não importa se é um nome novo ou um nome velho, o discurso – ou a falta de discurso – é o mesmo.”

Nem entre os nomes sussurrados à boca pequena, é possível vislumbrar algo que não seja um veterano de disputas. O caso mais exemplar é o do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que está deixando o DEM para alçar voo no PSD de Kassab.

A falta de novidade beira o tédio quando o assunto é PSDB ou PT. Os tucanos parecem cada vez mais inclinados a lançar mão de seu coringa José Serra. Na avaliação de caciques do PSDB, Serra seria um nome quase imbatível na capital. No universo petista, Mercadante e Marta se apresentam com algum “recall” (olha ele de novo) para fazer frente aos oito anos de Serra e Kassab. Os dois devem disputar internamente está indicação.

Outros possíveis candidatos são os velhos conhecidos Ivan Valente (PSOL), Soninha (PPS) e, é claro, não existiria eleição municipal sem Levy Fidelix (PRTB).

TRE suspende repasse ao PSOL paulista

Categoria: Tribunal Regional Eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) suspendeu nesta quinta-feira, 31, o repasse de novas cotas do fundo partidário ao diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O órgão não aprovou a prestação de contas anual referente ao exercício de 2006 por falta de comprovação da origem dos recursos.

Os juízes também determinaram um ressarcimento de R$ 31.924,55, valor que permaneceu sem adequada comprovação da fonte. Segundo o julgamento, além desse valor, as contas apresentadas continham irregularidades como ausência de conta bancária no período de 1º de janeiro a 28 de maio de 2006.

Marcela Gonsalves