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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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Para José Serra, gestão de Kassab é ‘boa’

Categoria: Eleições 2012, Gilberto Kassab, José Serra

ALBERTO BOMBIG
BRUNO BOGHOSSIAN

A cinco semanas da convenção que vai oficializar sua candidatura à Prefeitura pelo PSDB, José Serra, de 70 anos, ainda seca as feridas de 2010, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial. Ele diz estar pronto para a décima disputa em 26 anos. “Eu não sou dependente químico de eleição, mas gosto de campanha.” Serra defende a gestão de Gilberto Kassab (PSD), que considera “boa”. “Ele deu continuidade à nossa gestão e tem realizações positivas.” Leia mais:

Depois de ser prefeito, governador, senador e ministro, por que tentar voltar à Prefeitura agora?

Criou-se uma necessidade política, no âmbito do partido e de aliados, de ter uma opção forte para a Prefeitura. E por gosto, porque é algo que me agrada bastante. São Paulo é uma cidade com receitas de município e problemas nacionais. É sempre um grande desafio.

Convenção que oficializará nome de Serra como candidato do PSDB à Prefeitura ocorrerá em cinco semanas (Foto: EVELSON DE FREITAS/AE)

Que motivação política foi essa?
É importante ter opção com grande chance de vitória e impedir uma descontinuidade dramática nos rumos da cidade. Levo em conta que, nos últimos oito anos, arrumamos São Paulo do ponto de vista fiscal. É claro que os problemas continuam, mas o fato é que é muito importante manter São Paulo no rumo, e numa articulação estreita com outra prefeitura, que é o governo do Estado.

A solução para o trânsito está apenas no transporte sobre trilhos?
O problema da mobilidade na cidade jamais será equacionado, o que não significa que a gente não possa melhorar. São Paulo tem que ter teia de aranha de trilhos por baixo da cidade. Isso não desmerece a importância de obras viárias e corredores de ônibus, mas sempre tendo em mente que o ônibus tem, em última análise, de servir ao transporte de trilhos.

A Prefeitura pode resolver o problema da cracolândia?
São duas questões. Uma é o fenômeno da droga, relacionado ao contrabando. Fronteiras abertas ao tráfico levam a uma capacidade de oferta da droga a preços baixos, o que é desastroso. Isso está fora do âmbito da cidade e mesmo do Estado, até certo ponto. É tarefa federal, que não teve avanço nenhum nos últimos anos. As outras dimensões são a educação e o tratamento. É preciso desenvolver com relação ao crack uma campanha educacional mais intensa do que a que fizemos contra o cigarro. O governo federal é hesitante.

O sr. pretende aplicar o modelo das organizações sociais (OS)?
A OS não é um modelo para toda a saúde. É um modelo para certas unidades e funciona bem. A saúde continua sendo o assunto número um e o aspecto mais chocante é o encolhimento relativo do governo federal, que chegava a cobrir 60% das despesas com fontes federais e hoje se aproxima de 40%. Em São Paulo, de 2004 a 2012, o orçamento mais que triplicou. Do ponto de vista quantitativo, a saúde deu saltos.

Pesquisa Ibope desta semana mostra alta rejeição do prefeito Gilberto Kassab. Qual a sua avaliação da gestão?
Acho que é uma boa gestão e que o fato de ele ter se envolvido na criação de um partido criou para alguns sensação de que estava desligado da cidade. Digamos: você está num engarrafamento e liga o rádio, que diz: “Gilberto Kassab esteve em Alagoas vendo a questão do PSD”. Você fala: “Eu aqui no trânsito e o prefeito cuidando de partido”. Mas é sensação, porque, de fato, Kassab trabalha muito na administração da cidade. Ele deu continuidade à nossa gestão e tem realizações positivas.

Sua própria rejeição (35%, segundo o Ibope) o preocupa?
Não. Eu avalio que minha rejeição é normal. Eu sou o mais conhecido e as pessoas têm uma posição mais definida. Eu acabei de disputar uma eleição presidencial: todo mundo me conhece, eu ganhei aqui no 1º e no 2º turnos, mas foi uma eleição dividida.

O sr. acredita que já ganhou?
Não, de forma nenhuma. Todo político que disputa eleição tem que ser um pouco paranoico. Se não for, perde. Eu me lembro de uma história do Juscelino (Kubitschek), que é verdadeira. Ele era capaz de parar numa estrada para ver um eleitor. Eu às vezes paro por causa de uma pessoa. Além do que eu tenho gosto também nisso. Eu vou dizer: não sou dependente químico de eleição, mas gosto de campanha eleitoral, principalmente do contato com pessoas.

Padrinhos políticos como a presidente Dilma Rousseff entrarão na campanha?
Eu acho que políticos nacionais vão procurar influenciar a campanha em São Paulo, principalmente do lado do PT. Mas outra coisa é a influência que isso possa ter. A influência eleitoral é sempre menor fora do âmbito da esfera de governo da personalidade política. Mas ela vai ser exercida, não tenho dúvida. Se for dentro de certos padrões de decoro, é normal.

O debate de costumes (religião, aborto, casamento gay) deve fazer parte da campanha?
A minha questão não é se deve ou não deve. A minha questão é que a própria imprensa e os próprios setores da sociedade interessados nessas questões as introduzem na campanha. E você não vai proibir. São questões de valores espirituais ou de ética que são postos. Não se trata de misturar religião com política.

Como o sr. reagirá, caso seja eleito prefeito, se em 2014 surgir clamor para o sr. se candidatar à Presidência? Já pensou sobre isso?
Eu não pensei nisso porque eu estou com o propósito de me eleger prefeito e governar quatro anos. Não creio que vá haver (clamor).

‘Ultimato’ não surte efeito

Categoria: Eleições 2012, Prefeitura, Você Precisa Saber

Perto do fim do prazo dado pelo PMDB para que os secretários de Esportes, Bebeto Haddad, e de Participação e Parceria, Uebe Rezeck, deixem a gestão de Gilberto Kassab, a dupla ainda não deu sinais de que pretenda acatar a decisão do partido.

Aliados de Haddad dizem que ele não deve deixar a pasta, e que “está feliz onde está no momento”. A pasta de Rezeck já foi prometida ao PSB.

O PMDB cobra a saída dos secretários para não criar constrangimento à campanha à Prefeitura de Gabriel Chalita, desafeto e crítico do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Dirigentes já admitem que, se a ordem não for obedecida, os secretários podem ter de deixar o PMDB.

Gabriel Chalita é candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB (Foto: CLAYTON DE SOUZA/AE – 11/5/2012)

Kassabista investigou frangogate

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O caso do superfaturamento de frangos para a Prefeitura da capital, em 1996, levou à condenação do deputado federal Paulo Maluf (PP) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo este ano e, consequentemente, ao enquadramento do pepista na Lei da Ficha Limpa. Maluf teve votos para se reeleger em outubro, mas aguarda julgamento de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A investigação que apontou a compra de 823 mil quilos de coxas e sobrecoxas da empresa D’Oro, de propriedade de Fuad Luftalla, cunhado de Maluf, com preços acima do mercado, entre 1996 e 1997, foi conduzida pelo então promotor Alexandre de Moraes, que foi supersecretário da gestão de Gilberto Kassab (DEM) até junho deste ano.

O escândalo conhecido como frangogate, só veio à tona em 1999, na gestão do ex-prefeito Celso Pitta (morto em 2009), de quem Kassab foi secretário do Planejamento. Na época, os vereadores não quiseram investigar o caso por uma CPI. O então vereador Carlos Neder (PT), hoje deputado estadual, chegou a sofrer críticas de outros colegas parlamentares ao pedir ao MP que apurasse as denúncias.

Agora, quinze anos após deixar a Prefeitura, Maluf poderá ser inquirido pelos seus antigos aliados na Câmara Municipal, hoje no Centrão — bloco pluripartidário. A exceção é o vereador Wadih Mutran (PP), que declarou ser contra a investigação.