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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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Treze bairros ficam ‘órfãos’ na Câmara Municipal

Categoria: Câmara Municipal, Eleições 2012

Ser líder de votos para vereador em determinada região de São Paulo está longe de significar uma vaga na Câmara Municipal. Das 58 seções eleitorais da capital, 13 não conseguiram eleger o nome mais votado nas urnas – bairros tradicionais que somam 13,4% da população paulistana, como Itaquera, na zona leste, Vila Maria, na zona norte, Ipiranga, na zona sul, e Rio Pequeno, na zona oeste.

Em 2008, 9 bairros não haviam eleito os vitoriosos em suas urnas. Isso acontece porque, no sistema proporcional, a quantidade de votos nem sempre elege um candidato. O que determina o preenchimento das vagas é a votação obtida pelo partido ou coligação. Assim, a mesma cidade elegeu Roberto Tripoli (PV), com 132.313 votos e Toninho Vespoli (PSOL), com 8.722.

Zelão (PT), o mais votado em Guaianases, Juscelino Gadelha (PSB), campeão no Rio Pequeno, e Wadih Mutran (PP), vitorioso na Vila Maria e na Vila Sabrina, não conseguiram se reeleger. Os bairros onde os campeões de votos não obtiveram cadeira do Legislativo têm 1,5 milhão de moradores, ou mais que Campinas.

Com 223 mil habitantes, o Jardim São Luís, terceiro bairro mais populoso da capital, pela segunda eleição consecutiva não conseguiu eleger seu vereador mais votado, João Carlos Camisa Nova (DEM). Nas zonas eleitorais de Vila Maria, Vila Sabrina, Jaçanã, Tucuruvi e Lauzane Paulista, que somam 706 mil eleitores, todos os candidatos que receberam mais votos ficaram de fora da Câmara.

Sem a eleição dos campeões regionais, cresce o número de vereadores “organizados”. O futuro prefeito terá de lidar com bancadas temáticas – evangélicos, perueiros, comerciantes, policiais e representantes de clubes de futebol ganharam espaço e poderão mudar o atual perfil do Legislativo.

A bancada de evangélicos, por exemplo, saltou de 7 para 11 integrantes. As igrejas Mundial, com o pastor Edemilson Chaves (PP), e a Universal, com Jean Madeira (PRB), elegeram novos representantes. A bandeira da segurança ganhou estreantes. Com cerca de 32 mil homens na capital, a Polícia Militar vai ter três porta-vozes: Coronel Telhada (PDSB), Coronel Camilo (PSD) e o capitão reformado Conte Lopes (PTB).

O grupo dos transportes, que defende interesses de donos de viações de ônibus, perueiros, motoristas de ônibus, despachantes, taxistas e agentes da CET, ganhou o reforço de Vavá dos Transportes (PT). “As urnas inflaram os grupos com maior nível de organização da sociedade. Elas mostraram que perueiros, por exemplo, exercem forte influência sobre o eleitorado da periferia, apesar de defenderem quase sempre só uma categoria”, analisa Marco Antonio Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Serra e Haddad confirmam vantagem em seus redutos

Categoria: Eleições 2012, Celso Russomanno, Eleições 2012, Eleições 2012, Fernando Haddad, Gabriel Chalita, José Serra, Eleições 2012, Soninha

José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) farão o segundo turno em São Paulo. O tucano teve 30,8% dos votos válidos, contra 29% do petista. Em números absolutos, foram 1.884.849 votos para Serra, e 1.776.317 para Haddad. Celso Russomanno (PRB) ficou em terceiro lugar, com 21,6% dos votos, e Gabriel Chalita (PMDB), em quarto, com 13,6%. Os votos brancos e nulos quase dobraram em relação às taxas de 2008 e chegaram, juntos, a 12,8%.

Será a segunda vez que PSDB e PT se enfrentam no segundo turno paulistano, e a sexta vez seguida que um candidato petista chega ao turno final na cidade. O segundo turno ocorrerá no dia 28 de outubro. O horário eleitoral recomeça esta semana, com 20 minutos de propaganda na TV por dia para cada candidato.

O modelo de divisão do eleitorado criado pelo Estadão Dados em parceria com o Ibope teve 100% de acerto. Serra ganhou em todas as zonas eleitorais antipetistas; Haddad ganhou em todas as zonas eleitorais petistas. Os dois dividiram as zonas volúveis: Haddad venceu em cinco delas, e Serra, em duas. Russomanno e Chalita não venceram em nenhuma zona eleitoral.

A divisão da cidade em zonas petista, antipetista e volúvel foi desenvolvida por Estado/Ibope com base em resultados históricos. As zonas petistas são aquelas onde os candidatos majoritários do PT em 2008 e 2010 foram os mais votados.

Nas antipetistas, nenhum petista venceu nas últimas três eleições. Nas zonas volúveis, os petistas alternaram vitórias e derrotas.

À divisão política corresponde uma divisão socioeconômica da cidade. As zonas antipetistas têm renda média 2,5 vezes maior do que as zonas petistas. Elas formam uma área homogênea e contígua no centro expandido de São Paulo. As zonas petistas estão distribuídas nas periferias sul, leste e norte da cidades. As zonas volúveis ficam sempre entre as petistas e as antipetistas e formam uma área de transição econômica e política.

Neste primeiro turno, Serra conseguiu 42% dos votos válidos no conjunto das zonas antipetistas, contra apenas 21% de Haddad. Russomanno ficou em terceiro lugar nessas áreas, com 18%, e Chalita, em quarto, com 14%. A zona antipetista foi responsável por 51% do total de votos válidos na cidade.

A zona petista contribui com 38% dos votos válidos totais desta eleição. Haddad ficou com 39% dos votos válidos na zona petista, contra 27% de Russomanno, 17% de Serra e 13% de Chalita. O candidato do PT obteve proporcionalmente bem menos votos do que Marta Suplicy (PT) nessa área. Ela chegou a 51% em 2008.

Da zona volúvel vieram os 11% restantes dos votos em candidatos na cidade nesta eleição. Nessas sete zonas eleitorais, o resultado consolidado foi uma vitória de Haddad, com 30% dos votos válidos, seguido de Serra, com 27%, Russomanno com 23% e Chalita com 15%.

A maior vitória de Serra ocorreu na zona eleitoral do Jardim Paulista, na região oeste da cidade. O tucano ficou com 67% dos votos válidos, contra apenas 14% de Haddad. O petista foi o segundo colocado, à frente de Chalita (8%). O PSDB tradicionalmente obtém a vitória nessa região da capital, como em 2010, quando Serra disputou a Presidência contra Dilma Rousseff (PT); foi derrotado, mas venceu em São Paulo.

A maior vitória de Haddad foi na zona eleitoral de Parelheiros, na zona sul da cidade. O petista conquistou 47% dos votos válidos, contra 10% de Serra. O tucano ficou em quarto lugar, atrás de Russomanno (26%) e de Chalita (13%). Nessa região, o PT também é vitorioso tradicional.

Mensalão é ‘ignorado’. Mas o PT se prepara

Categoria: Sem categoria

Os líderes nas pesquisas de intenção de voto à Prefeitura, José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB), dizem que não pretendem levar o julgamento do mensalão ao debate que ocorrerá na noite de amanhã, na TV Bandeirantes, o primeiro da corrida eleitoral na capital. Mas o candidato do PT, Fernando Haddad, prepara argumentos para responder eventuais questionamentos sobre o tema.

O debate ocorrerá duas horas e meia após o fim da primeira sessão sobre o caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Se for provocado a falar do mensalão, Haddad argumentará que os governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff valorizam a democracia, que o caso prova que as instituições funcionam no País e que o STF dará a palavra final.

Publicamente, Haddad diz não temer enfrentar o assunto. “Sinceramente, não temo nada. Qualquer assunto é bem-vindo. Não tenho restrição a nenhum tema.” A equipe do petista avalia que o tema pode partir de uma provocação de Carlos Gianazzi, candidato do PSOL, ou de algum dos jornalistas que indagará Haddad, e não dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais.

O petista se prepara desde sábado para o debate. Tem sido assessorado na parte política pelos vereadores Antonio Donato e José Américo, coordenadores de sua campanha, e na parte técnica pelo marqueteiro João Santana.

Desde sábado, em dias intercalados, utiliza brechas de tempo das gravações para o programa eleitoral na TV para simular a performance no debate. O que mais tem preocupado seus assessores é a marcação de tempo: o candidato é considerado prolixo para os padrões do debate.

“Responder sobre a cidade em um minuto e meio exige uma concentração sobretudo para quem dava aula de quatro horas”, admite Haddad. O petista discursará em favor da mudança na cidade, mas deve adotar tom mais propositivo, com críticas pontuais à gestão Gilberto Kassab (PSD), aliado de Serra. Vai se portar de maneira amena por estilo e porque o PT quer passar uma imagem positiva ao apresentar Haddad ao eleitor.

Quanto aos temas polêmicos, repetirá o que vem dizendo publicamente sobre a aliança com Paulo Maluf – que o PP faz parte do governo Dilma –, sobre o Enem – ele próprio é vítima do vazamento da prova – e da greve dos professores das universidades federais – faz parte da vida democrática.

Para Serra e Russomanno, não é interessante veicular as críticas sobre o mensalão. Como líderes, a estratégia é debater as propostas para a cidade e evitar polarização. O tucano também pretende evitar o confronto com petista, de modo a não dar-lhe visibilidade. Soninha (PPS), também disse que não pretende explorar o tema. O mesmo afirmou Paulinho (PDT).

Bruno Boghossian, Felipe Frazão, Fernando Gallo, Julia Duailibi e Ricardo Chapola

Russomanno e Haddad são contra pedágio urbano

Categoria: Eleições 2012

Os candidatos do PRB e do PT à Prefeitura, Celso Russomanno e Fernando Haddad, afirmaram ser contra a implantação de pedágio urbano na capital e a cobrança de tarifas em rodovias que interligam os municípios da região metropolitana. “Eu sou contra pedágio urbano, contra aumento de custos, contra taxas”, afirmou Russomanno, após debate no Instituto de Engenharia.

Já Haddad reagiu à informação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, de que a cobrança eletrônica de pedágio por quilômetro rodado, em estudo pelo governo do Estado, poderia ser aplicada em rodovias que ligam a capital a cidades da Grande São Paulo, como São Bernardo e Cotia.

“A circulação da riqueza e das pessoas dentro da região metropolitana precisa ser facilitada, e o pedágio vai no sentido contrário dessa integração”, disse, após caminhada em São Mateus, na zona leste. Ele também criticou a “falta de liderança” do prefeito Gilberto Kassab (PSD) para articular políticas públicas com as cidades vizinhas, em especial na área de transporte público.

Para o candidato do PT, novas restrições ao deslocamento dentro da mancha urbana não devem ser propostas antes “da retomada do investimento em transporte público”, e citou como “mau exemplo” o adiamento, por três anos, da entrega da linha 6 do Metrô, que estava inicialmente prevista para 2016 e ficou para 2019.

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo afirmou que não há prazo para o novo sistema de cobrança vigorar e que o modelo levará em conta as particularidades de cada estrada. Russomanno ainda condenou a cobrança de multas de trânsito.

“Temos que acabar com as multas. A velocidade das vias da cidade foi diminuída de 60 para 70 quilômetros por hora para aumentar a quantidade de multas. Então se quer melhorar a mobilidade urbana e diminui a velocidade das vias? É inconsistente. Só para aumentar a arrecadação”.

Fogo amigo?
O presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que a disputa pela Prefeitura será polarizada entre PT e PSDB, sem mencionar o candidato de seu próprio partido, Gabriel Chalita. Raupp participou de um evento eleitoral em Belo Horizonte ao lado do candidato do PT, o ex-ministro Patrus Ananias, e admitiu que as campanhas na capital mineira e paulista estão nacionalizadas.

“São Paulo é uma disputa do PT, que é o partido que está no governo, com o PSDB. E em Minas Gerais, por tabela, não é com o PSDB, mas acabou sendo uma disputa nacional com as forças do PSDB, contra também o PT e o PMDB”, disse o senador.

Na capital mineira, Patrus – que tem como vice o peemedebista Aloísio Vasconcellos – disputa o Executivo municipal contra o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que tenta a reeleição com apoio dos tucanos, liderados pelo senador e ex-governador Aécio Neves.

Ex-diretor ‘blindou’ obras de shoppings

Categoria: Gilberto Kassab, Prefeitura

DIEGO ZANCHETTA RODRIGO BURGARELLI

Alertado pelos órgãos jurídicos da Prefeitura sobre irregularidades nos Shoppings Pátio Higienópolis, na região central, e Capital, na Mooca (zona leste), o ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) Hussain Aref Saab blindou os empreendimentos contra fiscalizações e sanções municipais.

Os dois centros comerciais permanecem abertos anos após pareceres oficiais apontarem ilegalidades nos imóveis. A suspeita do Ministério Público Estadual é de que, alertado sobre os problemas, Aref protelava por anos o andamento dos pedidos de regularização ou indeferia processos sem acionar a fiscalização da subprefeitura da região para multá-los ou lacrá-los.

Dessa forma, os empreendimentos puderam permanecer abertos. Os dois inquéritos estão sob análise do promotor Mário Malachias. O Pátio Higienópolis tem área construída de 4.669,43 m² considerada irregular pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) – que, portanto, deveria ser demolida.

Em 2003, ano em que foi aprovada lei de anistia para obras, o shopping pediu a regularização de 138 m² de construções. No ano seguinte, pediu a substituição dessas plantas por outras que indicavam área a ser regularizada 34 vezes maior, incluindo espaços como o da academia Bio Ritmo.

A PGM, porém, considera que a troca das plantas significa a entrada de um novo processo quando o prazo legal para tanto já teria terminado. O parecer do órgão data de 2006 e foi acolhido pelo então secretário de Negócios Jurídicos Luiz Antônio Guimarães Marrey.

Mesmo assim, o órgão comandado por Aref não indeferiu definitivamente o pedido pelos cinco anos seguintes. Apenas em maio deste ano, após Aref ter saído do governo, a solicitação foi negada.

No caso do shopping da Mooca, que construiu em 2007 um andar inteiro de 30 mil m² sem autorização do governo, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), acionado pela PGM, chegou a cassar um documento expedido por uma funcionária de Aref ao empreendimento que liberava seu funcionamento, em 2008.

Esse documento, segundo o órgão, só poderia ter sido assinado pelo próprio prefeito. Depois disso, o Shopping Capital foi lacrado. A reabertura, porém, ocorreu no fim de 2008, contrariando parecer da promotora Mabel Tucunduva, que pedia a demolição do prédio.

O procurador-geral Celso Coccaro e o secretário de Negócios Jurídicos à época, Ricardo Leme, também endossaram a ilegalidade do imóvel e o pedido de interdição.

Mas o shopping nunca mais foi interditado. Contestação A Esser, responsável pelas seis torres liberadas em área contaminada na Granja Julieta, na zona, informou ter laudos que garantem a não contaminação do terreno.

A reportagem mostrou ontem que Aref, investigado por enriquecimento ilícito, liberou prédios em áreas de preservação e com passivo de despejo de produtos químicos.