PT paulista quer mais cargos da União
- 20 de fevereiro de 2011 |
- 21h07 |
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Categoria: Dilma Rousseff, Governo do Estado, Política
O PT planeja aumentar o seu espaço e influência na máquina federal do Estado de São Paulo como forma de tentar romper a hegemonia da aliança PSDB-DEM na Prefeitura e no Palácio dos Bandeirantes. Para se fortalecer, os petistas querem controlar a maior parte da estrutura orçamentária da União no Estado, quase R$ 11 bilhões divididos em 39 mil cargos, dos quais 660 comissionados.
Integrantes da bancada paulista do PT fizeram nas últimas duas semanas reuniões com a direção partidária, em Brasília, para identificar o mapa das nomeações atuais, ou seja, com qual partido está determinado órgão ou quem é o padrinho dos nomeados, além de discutir os critérios das indicações para os postos do governo federal no maior colégio eleitoral do País.
“Temos em São Paulo investimentos importantes do Minha Casa, Minha Vida, em saneamento. Mas as pessoas não sabem que foram feitos pelo governo do PT”, afirma liderança do partido no Estado.
O presidente do diretório estadual do PT-SP, Edinho Silva, deve fazer reunião com integrantes da bancada paulista para discutir a questão. Depois, as demandas serão levadas para o presidente do PT, José Eduardo Dutra. “Não necessariamente haverá troca nos órgãos. O governo é plural. A discussão tem que ser feita com os aliados”, afirmou Dutra.
O PT já tem o controle de estruturas importantes no Estado. Terceiro maior entreposto comercial do mundo, com movimento de R$ 4,5 bilhões no ano passado, a Ceagesp está presidido por Mario Maurici de Lima Morais, ex-prefeito de Franco da Rocha, indicado na gestão passada pelo atual secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. A representação Incra no Estado, responsável por ações de reforma agrária, está com Raimundo Silva, ligado ao líder da bancada do PT, Paulo Teixeira, também próximo de Evangelina Pinho, chefe da Secretaria de Patrimônio da União, ao qual estão associados imóveis federais em São Paulo.
Neste ano, o partido quase desencadeou uma crise interna por causa da indicação para a superintendência dos Correios na região metropolitana de São Paulo. O posto estava com José Furian Filho, indicado pelo PMDB para assumir a diretoria comercial do órgão em Brasília. O deputado João Paulo Cunha acabou indicando o sucessor, Wilson Abadio de Oliveira, sem submeter a nomeação aos demais integrantes da bancada paulista.
O PMDB também já definiu que pretende aumentar sua participação na divisão do bolo. O partido controla a Funasa: desde 2007, o diretor é Raze Rezeck, irmão do deputado estadual Uebe Rezeck, aliado de Temer. Também é indicação do PMDB paulista a superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado, com Alfredo Coli, ligado ao ex-presidente da companhia, Wagner Rossi, ministro da Agricultura. Outros dois postos que entram na cota do PMDB são as nomeações da Infraero em São Paulo, principalmente para cargos no Aeroporto de Congonhas e de Guarulhos.
Um dos maiores pontos de atrito com aliados, no entanto, está no Porto de Santos, uma das joias da coroa do governo federal no Estado, que movimentou, no ano passado, US$ 96 bilhões em mercadorias, cerca de R$ 160 bilhões. Embora o PSB controle a instituição, o PT quer aumentar a influência na diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
Julia Duailibi
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