PT aposta em vice e TV para reduzir crise
- 19 de junho de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Eleições 2012
Depois de ser surpreendido pela desistência da deputada Luiza Erundina (PSB) como vice na chapa de Fernando Haddad, o PT avalia que a exposição do candidato na televisão, com o tempo adicional trazido pelas alianças fechadas nos últimos dias, e uma rápida escolha do novo vice vão abrandar a crise na campanha eleitoral.
Com a desistência, o PT deve convidar o PC do B para fazer a nomeação da vice – o PSB abriu mão do cargo, mas continua na aliança. Os comunistas querem indicar a deputada estadual Leci Brandão, nome que foi ventilado pelos próprios petistas.
Embora lamentassem a desistência de Erundina, que entenderam como um balde de água fria nas boas notícias colhidas nos últimos dias, como a adesão de PSB e PP à chapa – que trouxeram 3min54s para Haddad – e o resultado da pesquisa Datafolha, que mostrou crescimento do petista de 3% para 8% nas intenções de voto, dirigentes petistas avaliam que o quadro pode ser revertido.
“Mas precisamos escolher o vice rápido para que a imprensa não diga que estamos com dificuldades”, disse um integrante da sigla. “O importante é que a campanha do Haddad está indo bem. A saída da Erundina não anula os fatos positivos recentes”, afirmou o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.
O coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, rebateu Erundina, que afirmou ao PSB que a forma como a aliança com o PP do deputado Paulo Maluf foi fechada – na casa de Maluf, com foto – a tirou da chapa petista, e não a aliança em si. “Quem quer mudar o Brasil se preocupa com o conteúdo e não com a forma”, afirmou. “Se ela mudou de ideia, a gente continua na nossa toada.”
Ontem, petistas passaram o dia tentando justificar a aliança com o PP. O chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que o PT não estava cometendo nenhuma “heresia política” e que nenhuma concessão programática estava sendo feita.
Nos bastidores, integrantes do partido fustigavam a decisão de fechar o acordo na casa de Maluf. “Podia ter recebido o apoio, mas em outro lugar. A casa do Maluf é simbólica”, disse um petista.
Erundina anunciou sua decisão em reunião com o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE), depois de ter se rebelado contra a aliança PT-PP e ter dito que “não aceitava” a coligação com Maluf. Ela afirmou, no entanto, que pretende trabalhar pela candidatura de Haddad.
Sem recuo
A ex-prefeita ficou incomodada com o fato de o ex-presidente Lula ter ido à casa de Maluf. E lembrou que Maluf havia dado sustentação ao Regime Militar (1964-1985) e que não poderia “conviver” com a situação. “Ela disse que não se calaria, que não retiraria nenhuma das afirmações que fez”, disse Campos.
Haddad telefonou para Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, para abrir discussões sobre a indicação do vice. Em 2008, o vice da então candidata petista Marta Suplicy foi Aldo Rebelo, do PC do B.


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