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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Prévia no PSDB? Tucanos acusam desgaste

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Sem nunca ter realizado disputa interna para escolher um candidato o PSDB assiste agora à prévia, que supostamente apontaria o nome tucano à Prefeitura de São Paulo, tornar-se um fardo político. Tradicionais quadros do partido rechaçam a condução do processo por dirigentes paulistas, que lançaram a eleição interna como um “mecanismo democrático” e agora atuam nos bastidores para que o vencedor segure a cadeira até a entrada do ex-governador José Serra, na corrida.

Defendida pelo governador Alckmin há mais de oito meses como uma saída para o partido escolher o candidato, num cenário em que Serra dizia que não iria concorrer (em janeiro ele avisou que estava fora da disputa), a prévia acabou se tornando um problema com a aproximação do prefeito Gilberto Kassab (PSD) do PT.

Neste mês, Alckmin tentou segurar o processo e pediu a interlocutores que convencessem Serra a ser candidato. Deu garantias de que o apoiaria na campanha – os grupos capitaneados pelos dois se enfrentaram na eleição de 2008 e ainda há resistência em ambos os lados. O processo interno, no entanto, foi amadurecido pelo diretório estadual e os pré-candidatos – os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli – reagiram à tentativa de segurar a disputa.

“O PSDB vai definhar se continuar sendo apenas um clube parlamentar e uma federação de ‘caciques’ estaduais”, afirmou o cientista político Eduardo Graeff, secretário-geral da Presidência no governo FHC. “Cancelá-las ou invalidá-las, a esta altura, não seria só perder a oportunidade de avançar. Seria um atestado de irrelevância das bases do partido, passado por sua cúpula. Um retrocesso”, completou Graeff.

“Quando o Covas lançou o Geraldo (Alckmin) em 2000, ele não chegava a 1% (das intenções de voto). Tem que ter coragem”, afirmou o ex-deputado Arnaldo Madeira, ao defender a criação de novas lideranças. “(Alckmin) Quase foi para o segundo turno, aí surgiu uma nova liderança”, completou.

Na semana passada, deputados estaduais pediram a Serra que fosse o candidato, e que a prévia fosse cancelada, num movimento que despertou a ira dos militantes envolvidos na campanha dos pré-candidatos. A ação chegou a ser chamada de “golpe”.
Voltar atrás
Diante da reação negativa, Alckmin trabalha agora para realizar o processo e que o vencedor apoie Serra, caso ele aceite entrar na corrida. “É mais fácil negociar com um do que com quatro”, afirmou um líder paulista.
A ação também divide os tucanos. “Só seria legítimo se o candidato anunciasse, antes das prévias, que pretende abrir mão. Mas Serra nunca deu sinal de que quer ser candidato a prefeito. Na verdade, Serra é a penúltima preocupação de quem quer atropelar as prévias. A última preocupação é a Prefeitura”, disse Graeff. “Usar os filiados do PSDB de São Paulo como peões do xadrez da política estadual e nacional já é ruim. Fazer a cidade de São Paulo de peão nesse jogo é, francamente, uma arrogância sem limite.”

“Fez a prévia, fica difícil voltar atrás. Marca uma prévia, agora fica falando em anular a prévia, a ponto de um líder de bancada soltar uma nota pedindo para os pré-candidatos retirarem. É um partido sem rumo”, disse Madeira.

Julia Duailibi

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