Partidos têm ‘arsenal’ contra José Serra
- 21 de março de 2012 |
- 23h08 |
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Categoria: Eleições 2012
Partidos adversários do PSDB em São Paulo já se preparam para usar um “arsenal” contra o ex-governador José Serra na eleição pela Prefeitura de São Paulo. O objetivo é aproveitar a declaração recente do pré-candidato sobre seu compromisso de ficar na Prefeitura, caso eleito, e explorar o que chamam de contradições do tucano sobre o assunto.
Em reunião ontem com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), no Palácio do Jaburu, representante do PRB, que lançará como candidato a prefeito Celso Russomanno, e do PC do B, que tem como pré-candidato o vereador Netinho de Paula, falaram sobre o uso de imagens e reportagens que mostrariam que Serra não cumpriu promessa de ficar na Prefeitura por quatro anos, feita na eleição de 2004.
Anteontem, ao ser questionado sobre a sua assinatura num documento elaborado pela Folha de S. Paulo, durante a campanha daquele ano, o tucano disse que se tratava de um “papelzinho” e que não havia ido ao “cartório” para assiná-lo. No papel assinado por Serra, havia o compromisso de que ele não renunciaria ao cargo de prefeito. Eleito em 2004, José Serra governou a cidade por um ano e três meses, quando renunciou para disputar o governo.
O presidente do PRB, Marcos Pereira, citou como exemplo do “arsenal” a ser usado o debate mediado por Boris Casoy, na Rede Record, em 2004, no qual Serra se comprometia a cumprir o mandato. Na ocasião, o tucano disse: “Eu assumo esse compromisso como já assumi, embora os candidatos adversários gostem de dizer que eu vou sair para me candidatar a presidente da República ou a governador e etc. Não. Meu propósito, meu compromisso e minha determinação é governador São Paulo por quatro anos”.
A imagem é motivo de preocupação no PSDB. No partido, teme-se o impacto da fala de Serra se comprometendo a cumprir o mandato, se usado no horário eleitoral gratuito na TV. Para os tucanos, a declaração sobre o “papelzinho”, aliada às imagens do debate e ao episódio da “bolinha de papel”, quando uma bobina de adesivo acertou sua cabeça na campanha de 2010, trarão para o centro do debate a discussão sobre a palavra do candidato.
Na reunião, Michel Temer, Marcos Pereira, o presidente do PC do B, Renato Rabelo, e o ex-ministro Orlando Silva falaram da manutenção das respectivas pré-candidaturas até meados de maio. O PT teme que a Netinho tire votos de Haddad, mas vê com bons olhos a candidatura do PMDB, com Chalita, e de Russomanno, que atacariam Serra.
Papelzinho
José Serra afirmou que a sua saída da Prefeitura de São Paulo para disputar o Estado, em 2006, depois de ter prometido que completaria o mandato de prefeito, se transformou em um tema explorado pela oposição contra ele. “Essa pauta é feita por aqueles que não vão votar em mim e pelos partidos que têm outros candidatos.
É óbvio, essa questão é levantada por isso”, disse , depois de visitar o Hospital Municipal M’Boi Mirim, no Jardim Ângela, zona sul. Na segunda-feira, Serra minimizou o ato público em que assinou documento se comprometendo a não deixar a Prefeitura para concorrer ao governo.
Ele disse que assinou apenas um ‘papelzinho’ para formalizar a promessa – depois descumprida quando venceu a eleição. “Eu assinei um papelzinho, não era nada”, disse em entrevista a Rádio Capital.
Julia Duailibi e Felipe Frazão


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