Palocci: há suspeita de tráfico de influência
- 25 de maio de 2011 |
- 20h57 |
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Categoria: Dilma Rousseff, Governo Federal, PolÃtica
DENISE MADUEÑO
Com dados obtidos no sistema que registra os pagamentos feitos pelo governo federal, o PSDB detectou uma coincidência entre a liberação de recursos da Receita Federal para a empresa WTorre, para a qual o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, prestou consultoria, e a doação de campanha para a então candidata Dilma Rousseff.
A relação desgasta ainda mais Palocci. O partido levanta essa suspeita com base nas datas de pagamento. A oposição recorreu ao Ministério Público na semana passada pedindo investigação de suposto tráfico de influência do ministro com base no crescimento de seu patrimônio pessoal e rendimentos concentrados no final do ano eleitoral.
O patrimônio de Palocci aumentou mais de 20 vezes em apenas quatro anos e no final de 2010 o ministro adquiriu uma apartamento luxuoso na área nobre de São Paulo avaliado em R$ 6,6 milhões. Ele argumentou que conseguiu a renda com os trabalhos da empresa de consultoria, a Projeto, que tinha WTorre entre seus clientes.
A WTorre protocolou, em 2009, um pedido de restituição de crédito de R$ 6.259.531,67 referente ao Imposto de Renda de Pessoa JurÃdica de 2007. O processo ficou parado até véspera das eleições do ano passado, quando a empresa protocolou novo pedido de crédito no valor de R$ 2.920.770, referente ao IRPJ de 2008.
No mesmo dia em que a WTorre entrou com o segundo pedido, dia 24 de agosto de 2010, a empresa fez, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma doação de R$ 1 milhão ao comitê financeiro nacional do PT para Presidente da República. O mesmo valor de doação foi repetido 17 dias depois, em 10 de setembro.
Em contrapartida, de acordo com o PSDB, a empresa teve o dinheiro liberado em tempo mais rápido do que o usual. Em 43 dias, o recurso previsto nos dois processos, somando mais de R$ 9 milhões, foi liberado de forma seguida por uma mesma funcionária, com a diferença de quatro minutos apenas. O sistema de pagamento do governo registra duas ordens bancárias emitidas para a empresa no dia 6 de outubro de 2010, três dias após o primeiro turno eleitoral.
O PSDB questiona se foi a consultoria “milagrosa” do ministro e coordenador de campanha da presidente Dilma que fez com que a empresa recebesse o dinheiro em poder da Receita.
“Que empresa consegue ter o processo na Receita analisado e liberado em 43 dias? O outro processo estava parado havia quase um ano e, no dia do protocolo, a empresa fez doação de R$ 1 milhão”, ressaltou o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que divulgou as cópias dos registros do Siafi, dos protocolos, e de doação de campanha, sobre a coincidência de datas.
Agência Estado
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