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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Partidos ainda são “clubes do bolinha”

Categoria: Dilma Rousseff, Eleições 2012, Partidos políticos, Prefeitura

GILBERTO AMENDOLA

Quando Dilma Rousseff transformou-se na primeira mulher presidente do Brasil, houve quem enxergasse, ali, uma oportunidade inequívoca para o avanço feminino nas estruturas partidária e eleitorais do País. Mas, um ano após sua eleição e às vésperas do pleito municipal, pouca coisa mudou.

Se os partidos sequer conseguem cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas aos cargos legislativos – que em São Paulo é “sugerida” (leia abaixo) -, imagine quando o assunto são as eleições majoritárias. Na capital, por exemplo, depois da desistência de Marta Suplicy em concorrer à Prefeitura, apenas o PPS tem pré-candidata mulher, Soninha Francine. Além dela, o nanico PT do B estuda lançar Suéllem Rocha, mais conhecida como Mulher Pêra, à vaga de Gilberto Kassab (isso se, até meados do ano que vem, o partido não encontrar um candidato mais forte ou midiático).

“Não dou tanta importância pra isso. Acho fundamental a participação feminina, mas não caio neste discurso de que somos mais sensíveis e honestas”, diz Soninha. “Claro que é mais difícil ser mulher no ambiente político. Quando existe discordância, a primeira coisa que os adversários mais exaltados fazem é nos chamar de ‘vagabunda’, ‘vadia’ ou nos mandar voltar ao fogão.”

A quase candidata Pêra também sente o mesmo tipo de preconceito. “Por que eu não posso ser candidata? Eu estou aprendendo. O pessoal acha que por ser uma mulher fruta, sou apenas uma bunda”, desabafa Suéllem. Dois dos partidos mais importantes do cenário nacional, PSDB e PT, admitem a dificuldade na formação de quadros femininos. “Nós estamos tentando realizar cursos de política para as futuras candidatas. Mas é um processo difícil, de mudança cultural, que temos que vencer aos poucos”, fala a vice-presidente do secretariado do PSDB Mulher, Catarina Ferraz Rossi.

“Não dá pra transformar um partido enquanto a sociedade não for transformada. O que acontece é que a estrutura da nossa sociedade ainda empurra a mulher para ficar em casa. O PT se preocupa em lançar candidatas que realmente disputem as eleições – e não só laranjas para preencher cotas”, diz Vera Lúcia, da Secretaria da Mulher do PT.

A socióloga Fátima Pacheco Jordão lembra que embora representam cerca de 51% da população brasileira, as mulheres ocupam cerca de 10% das posições políticas, atrás de países como Argentina e Chile. “Nosso atraso é mesmo nas estruturas partidárias e sindicais – que são machistas. Por outro lado, a população parece ter propensão a votar em candidatas”. Fátima afirma acreditar que as eleições municipais serão um bom parâmetro para a participação da mulher. “Temas como educação, as creches e programas para gestantes estarão em pauta”.

Já para a coordenadora do movimento articulação das mulheres, Silvia Camurça, a situação só irá se reverter quando a lei de cotas (30%) para mulheres for seguida à risca e houver punição para o seu descumprimento. “Os homens resistem porque alguns políticos, que hoje estão no poder, iriam perder vagas para candidatas fortes e preparadas”.

1 Comentário Comente também
  • 20/11/2011 - 11:08
    Enviado por: Roberto Barnabé

    Na verdade o povo, independente do gênero, quer um candidato(a) que lute por seus anseios e necessidades, a Marta esteve no comando do gabinente do maior colégio do estado de São Paulo e, não realizou muitas coisas significativas.
    Portanto, acredito que o povo quer justiça, prosperidade e igualdade social.

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