Marta na campanha, só depois de agosto
- 6 de junho de 2012 |
- 23h07 |
- Tweet este Post
Categoria: Eleições 2012
Excluída da disputa paulistana, a senadora Marta Suplicy só pretende entrar na campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura em agosto, quando começa a propaganda eleitoral.
O silêncio é a arma dela para escancarar sua insatisfação com a forma como a campanha do PT é conduzida na capital, num confronto definido como “prévia” do embate com o PSDB pela Presidência em 2014.
“Eu já falei tudo o que tinha de falar com o meu gesto”, disse Marta, sobre a ausência no ato de lançamento da candidatura de Haddad, no sábado. “Estou tranquila. Estou onde sempre estive”. Ela negou que pense em deixar o PT.
A posição da senadora irritou o ex-presidente Lula, dirigentes do partido e Haddad. O ex-ministro da Educação atingiu 3% das intenções de voto em pesquisa Ibope divulgada em 9 de maio, contra 31% de José Serra (PSDB), e aposta na ajuda de Lula e na propaganda – que começa em 21 de agosto.
Nos últimos dias, Marta ignorou telefonemas de petistas e cultivou o mistério. “Há tempo para falar e tempo para silenciar”, filosofou a ex-prefeita. Fã de Fernando Pessoa, ela própria alimentou especulações sobre seu destino político ao citar o poeta e dizer que “há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo”.
Alvo de críticas e isolada no PT, Marta tem afirmado, em conversas reservadas, não ver sentido em carregar Haddad a tiracolo na periferia para pedir votos. Avalia que pode provocar até mesmo uma situação constrangedora, pois eleitores devem perguntar por que não é ela a candidata.
Ao menos por ora, a senadora quer ter participação bem econômica na campanha, se possível apenas no horário eleitoral. Depois de dizer que Marta comete “grave erro político” ao não auxiliar Haddad no momento em que ele mais precisa, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, amenizou o tom.
“Marta é liderança de primeira grandeza do PT. Quando ela se sentir preparada para entrar na campanha, terá agenda à sua altura no Estado.” No PSDB, as desavenças no PT são exploradas.
“O isolamento político de Haddad é consequência do dedaço do ex-presidente Lula, que impôs o nome dele contra alguém que era a candidata natural do PT”, alfinetou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), aliado de Serra. “Se a Marta quiser vir para o PMDB, será bem-vinda”, acrescentou o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). A senadora rebate: “É bobagem tudo isso. As pessoas não têm o que falar e ficam inventando história.”
Rebatendo ataques
A cúpula petista e Haddad rebateram a estratégia dos tucanos de ligar a atual greve das universidades federais, que atinge 80% das instituições, ao ex-ministro. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, saiu em defesa de Haddad.
“Se o PSDB do pré-candidato José Serra pretende usar a greve nas universidades para atacar o pré-candidato petista, vai se dar mal”, disse Falcão. “Em todos os momentos em que a oposição tenta tirar proveito de situações desse tipo, ela se dá mal. É o caso da crise financeira de 2008.” “Duvido que alguém tenha saudade dos tempos do FHC”, disse Haddad.


Deixe um comentário: