Mapa do candidato atrás de voto
- 19 de agosto de 2012 |
- 23h21 |
- Tweet este Post
Categoria: Eleições 2012
Funcionário de uma das bancas mais tradicionais do Mercadão, Vasco Mescua desabafa: “Quem trabalha aqui já está acostumado com a visita de políticos em campanha. Mas eu vou te dizer uma coisa, isso é uma encheção. É um tal de apertar a mão, muito oba-oba, mas nenhuma ação efetiva para melhorar a vida de quem trabalha no mercado ou para a região em que estamos.”
A eleição está só começando, mas Mescua e outros trabalhadores do Mercadão já receberam a visita de quase todos os candidatos a prefeito. José Serra (PSDB), Celso Russomanno (PRB), Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) já estiveram por lá. Os demais devem aparecer para um corpo a corpo nos próximos dias.
Além do Mercado Municipal, outros pontos da cidade estão no roteiro obrigatório das campanhas, como o Parque do Ibirapuera, a Avenida Paulista, a Rua 25 de Março, a Praça da Sé e outros (veja ao lado). Mas o que torna esses lugares tão sedutores do ponto de vista eleitoral? A importância histórica para a cidade? O número de eleitores que circulam por eles?
Para a cientista política Katia Saisi, da PUC-SP, esses pontos da cidade se transformaram em “cenários”. “A cada eleição, percebemos que o corpo a corpo é pouco eficaz em termos de voto. O que tem decidido as eleições é a TV, o horário eleitoral gratuito. Nesse sentido, os candidatos visitam esses lugares com o objetivo de gerar imagens para os programas de TV. É para mostrar o candidato andando no meio do povo, apertando mãos, beijando crianças…”
Katia completa dizendo que ao aparecer em pontos importantes da cidade, os políticos em campanha são tratados como celebridades. “Não necessariamente aquelas pessoas que aparecem ao redor dos candidatos são eleitores deles. São pessoas que foram ver uma figura pública mais de perto. Só isso.”
Já para o cientista político Humberto Dantas, da USP, pontos como o Mercadão, o Ceagesp e a Avenida Paulista são termômetros importantes para as campanhas, locais que o candidato precisa visitar para “ver e ser visto”. “Apesar dessa importância, as campanhas têm artificializado a presença. O candidato chega ao local e já se vê cercado de cabos eleitorais pagos, de seguranças que não deixam a população se aproximar…” Dantas ressalta que as campanhas se concentram nos mesmos lugares porque “a agenda dos candidatos tem sido feita por pessoas que há muito tempo atuam em eleições”. “Não há uma renovação, por isso o olhar para São Paulo é sempre o mesmo.”
Além dos locais clássicos, coordenadores de campanha ouvidos pelo JT enfatizam a importância da presença nas periferias – principalmente em hospitais e feiras livres. Eles também destacam locais com os quais os candidatos tenham uma ligação especial (o bairro em que nasceram, por exemplo) ou naqueles pontos em que já existam obras identificadas com o próprio político – ou que façam parte dos planos de uma futura administração. :


Deixe um comentário: