Filho de Paulinho deixa cargo no governo de SP
- 18 de julho de 2012 |
- 23h03 |
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Categoria: Governo do Estado
Alexandre Pereira da Silva, filho do candidato à Prefeitura pelo PDT, o deputado Paulo Pereira da Silva, deixou a Secretaria Estadual de Emprego e Relações do Trabalho, onde comandava um escritório paralelo. Apresentado como “coordenador”, ele recebia prefeitos e decidia sobre a aplicação de recursos de programas sem ocupar cargo formal. A saída ocorreu um dia após o JT revelar as atividades dele na pasta.
Também filiado ao PDT, o filho do presidente licenciado da Força Sindical chefiava, na prática, a Coordenadoria de Operações da pasta, responsável por 243 postos de atendimento a trabalhadores, uma importante vitrine eleitoral no interior paulista. Alexandre tinha gabinete e secretária. No papel, no entanto, o cargo era ocupado por Marcos Wolff, um funcionário de carreira.
A secretaria é controlada pelo PDT desde março, após acordo em que Paulinho indicaria o titular da pasta em troca do apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014. Alexandre entregou uma carta de demissão ao secretário, o sindicalista Carlos Ortiz, nomeado para o cargo por indicação de seu pai.
De acordo com o governo estadual, o filho de Paulinho trabalhava na secretaria como funcionário da Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação), que tem dois contratos com a pasta para assistência técnica à coordenação de políticas de emprego e renda.
Alckmin determinou que a Corregedoria Geral da Administração, ligada à Casa Civil, investigue a atuação de Alexandre na pasta e as nomeações de pedetistas. Pelo menos oito dos 21 Centros Regionais são dirigidos por pessoas ligadas ao partido, nomeadas depois de Ortiz assumir a secretaria em março.
Experiência mínima
O artigo 5º da lei estadual 1.080, de 2008, diz que, para assumir o cargo de Diretor Técnico, para os quais os pedetistas foram nomeados, deve ser comprovada “experiência profissional de, no mínimo, quatro anos em assuntos relacionados às atividades a serem desempenhadas”.
A secretaria afirma que “todos (os nomeados) têm ou tiveram atuação no movimento sindical ou no serviço público” e que “as indicações foram realizadas atendendo a dispositivos legais”.
Apesar de ter dito publicamente que não havia irregularidades na contratação de Alexandre, Alckmin pediu explicações a Ortiz sobre a atuação do filho de Paulinho e determinou que ele fosse afastado da pasta.
Alexandre não é o único integrante da cúpula do PDT que atua diretamente na secretaria.
O chefe de gabinete da pasta, Cristiano Vilela de Pinho, é assessor jurídico do partido e genro de Paulinho. Luciano Martins Lourenço, ex-assessor do candidato à Prefeitura, também ocupa um cargo de coordenação.
Contratos públicos
A Fundac, que contratou formalmente Alexandre, recebeu R$ 3,7 milhões da secretaria este ano. A entidade, que diz ser sem fins lucrativos, firmou dois contratos, sem licitação, com a secretaria em 2011, quando a pasta era administrada por David Zaia (PPS).
Desde então, já recebeu R$ 6,2 milhões dos cofres do Estado. Um contrato é para assistência técnica em programas de qualificação profissional. O outro, para assessoria no Banco do Povo.
Em 2011, a Fundac recebeu da Assembleia Legislativa, sem licitação, a operação da TV da Casa. A entidade atua ainda na TV da Câmara Municipal. Os contratos com as emissoras somaram R$ 27,1 milhões em 2011.
Julia Duailibi, Bruno Boghossian e Fernando Gallo
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