Famílias tentam criar ‘dinastias’ políticas
- 14 de julho de 2012 |
- 23h31 |
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Categoria: Câmara Municipal, Eleições 2012
As eleições para Câmara Municipal mostram que a hereditariedade do poder não é uma exclusividade das monarquias ou de alguns regimes do Oriente Médio. Em São Paulo, algumas famílias fazem de seus sobrenomes verdadeiras “marcas” eleitorais – transferindo votos e cargos de geração para geração. Uma breve análise na lista de candidatos a vereador e encontramos velhos conhecidos: Tattos, Tumas, Russomannos…
A família Tatto, por exemplo, mantém um representante em cada esfera do Legislativo. Arselino Tatto (PT) na Câmara Municipal; Enio Tatto (PT) na Assembleia Legislativa e Jilmar Tatto (PT) na Câmara dos Deputados. Neste ano, pela lógica familiar, Arselino disputaria uma tranquila reeleição na capital (com o apoio de todos os irmãos). Só que a possibilidade de Arselino ter sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral fez com que o clã lançasse outro nome na disputa: Jair Tatto (PT).
Caso a Justiça Eleitoral barre Arselino, a máquina familiar irá trabalhar para Jair (e assim manter seu arco de influência na cidade). O JT falou rapidamente com Jair no início da semana passada: “Ah, sou candidato sim. Mas quem está pilotando isso é o meu irmão”, disse. A reportagem tentou, durante toda a semana, falar com Arselino, mas não obteve retorno do vereador para ele explicar se a candidatura de Jair tem relação com ações na Justiça Eleitoral.
Outra família que estará presente nesta eleição são os Tumas, com Romeu Tuma Junior (DEM) e Eduardo Tuma (PSDB). Aliás, o “Junior” do candidato do DEM será deixado de lado na divulgação da campanha – o que deve deixá-lo mais próximo da herança política/eleitoral do pai, o senador Romeu Tuma (1931-2010). Já o sobrinho do falecido político, Eduardo Tuma, promete uma abordagem diferente do primo. “São públicos e eleitores diferentes. Eu estou mais próximo dos eleitores jovens, dos estudantes. Ele é mais voltado para a questão da segurança, do xerife…”, diz.
O candidato a prefeito Celso Russomanno tem dois irmãos na disputa a vereador. Áttila Russomanno (PP) e o ex-deputado estadual Mozart Russomanno (PRB). Nos bastidores, falava-se em briga entre eles, o que Mozart nega.
“Estamos em partidos diferentes. Se estivéssemos no mesmo, o candidato, naturalmente, seria o Áttila. No PRB, partido do Celso Russomanno, eu sou candidato para ajudá-lo na disputa à Prefeitura”, diz.
Victor Kobayashi (PSD), filho de Paulo Kobayashi, e George Hato (PMDB), filho de Jooji Hato, têm discursos parecidos. “Quem é amigo do meu pai é meu amigo também. Quem conhece meu pai, me conhece também”, diz Hato. “É uma continuidade, um legado de que tenho muito orgulho”, afirma Kobayashi. Os candidatos Viviani Ferraz (PR), filho do ex-vereador Viviani Ferraz, e Mario Covas Neto (PSDB), filho do ex-governador Mario Covas, também devem focar a campanha eleitoral na hereditariedade. “Facilita, mas não garante eleição. É preciso trabalho”, diz Covas Neto.
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