Eleições: último debate ‘em banho maria’
- 30 de outubro de 2010 |
- 1h07 |
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Categoria: Dilma Rousseff

Os candidatos à presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), durante o último debate do 2º Turno, promovido pela Rede Globo, realizado na zona oeste do Rio (Foto: Marcos de Paula/AE)
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) dividiram o mesmo palco e estiveram mais próximos fisicamente que de costume no último debate presidencial, realizado pela TV Globo. Mas o modelo do programa fez os adversários parecerem “distantes” nas respostas, que na maioria das vezes ignoravam o que havia sido dito logo antes.
Houve poucos momentos de “toque”, e menos ainda de atrito, como quando Serra falou do dossiê dos aloprados, descoberto pela Polícia Federal em 2006, mas sem acusar o PT. Ou quando Dilma disse que o governo paulista – também sem mencionar o PSDB – deixou de cadastrar 300 mil famílias que poderiam receber o Bolsa-Família.
Falando mais aos 80 eleitores indecisos na plateia – 12 deles puderam fazer perguntas – do que ao rival, Dilma e Serra repetiram propostas de encontros anteriores e abusaram de frases prontas – a petista, do “muito boa essa sua pergunta”, ao responder às pessoas, e o tucano dando “boa noite” a todos.
Mesmo em uma pergunta direta sobre corrupção, feita por Lucas Andrade, do Distrito Federal, Serra não citou os casos da ex-ministra Erenice Guerra, acusada de lobby, nem outros episódios com os quais atacou Dilma nos debates anteriores. “Vemos escândalos grandes nos últimos 20 anos, e ninguém ficou preso”, afirmou.
Nesse momento, a petista e o tucano se “enrolaram” ao falar a palavra “controladoria”, referindo-se à Controladoria Geral da União. Na tréplica da questão, porém, Serra foi mais incisivo: “Há, ainda, casos insepultos, como o dossiê dos aloprados de 2006. Ninguém foi condenado, não tem processo”, disse, sem, contudo, ligar o PT ao caso – a PF investigou a participação de filiados ao partido na compra de suposto dossiê contra Serra.
Quando o debate tratou de segurança, após Dilma expor propostas para a área, Serra disse que, sem combater o tráfico de drogas e de armas, “o resto é fantasia”. A petista não rebateu e seguiu expondo propostas.
Ataques no social
Ao falar de políticas sociais, porém, a petista fez ataque mais direto ao adversário, que foi governador de São Paulo. Referindo-se ao eleitor que fez a pergunta, que é do Estado, Dilma disse que “quem cuida de pobres em São Paulo é o governo federal”.
“São Paulo tem 1,4 milhão de famílias tendo necessidade do Bolsa-Família. Hoje, 1,1 milhão é atendida. Os outros 300 mil depende de cadastro, que é feito em parceria pelos governos estaduais e municipais. A questão social, para mim, é ponto central.”
O tucano rebateu, irritado: “Política social é transferência de renda, mas também é saúde. E na saúde o governo andou para trás. Outra questão social é segurança, e a primeira condição para resolver problemas em segurança é admitir que é situação séria. Se ficar com fantasia, não adianta”.
Ainda na questão da segurança, Serra fez a única citação direta ao PT, ao ser questionado sobre o tema por uma eleitora da Bahia. “Você está na Bahia, que é governada pelo PT, partido do governo federal. E nem assim eles conseguem resolver os problemas.”
Ataques pela metade
No mais, sobraram indiretas que, em debates anteriores, apareciam ligadas diretamente aos candidatos. Ao falar de educação, Dilma disse que “não se pode tratar professor com cassetete nem interromper diálogo” – nos outros duelos, disse que isso ocorria na gestão do tucano em São Paulo.
Ela também disse que, antes do governo Lula, havia “proibição” de se fazer escolas técnicas, sem atribuir, como fazia, o problema ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Serra, por sua vez, criticou a Agência Nacional de Saúde (ANS) por, atualmente, demorar para liberar registros de novos medicamentos genéricos. Em outros debates, associava o fato ao loteamento político feito pelo PT e atacava: “É criar dificuldade para vender facilidade”.
Também, ao defender “pacto nacional pela educação”, disse que há “sindicatos que atuam politicamente”, mas não fez referência, por exemplo, à Apeoesp, que já criticou em outras ocasiões.
Apelo popular
Se o discurso técnico foi a regra, em algumas ocasiões os candidatos tentaram se aproximar mais do dia a dia dos eleitores. O tucano atacou o aumento da “inflação dos alimentos” e disse que “arroz, açúcar, feijão e carne subiram”.
Dilma, por sua vez, ao falar da situação da classe média, contou a história de uma garota chamada Lorraine, cujo pai, segundo ela, ganha R$ 1,2 mil por mês e entrou no Prouni. “Ela recebeu bolsa de R$ 3,5 mil e já está no terceiro ano do curso de medicina.”
Os discursos finais refletiram o clima “paz e amor” do encontro. Dilma disse ter sido vítima, na campanha, de “calúnias na internet, panfletos e até telefonemas”. “Mas não guardo mágoas, porque acho que quem guarda mágoas não tem a leveza da alma que eu quero ter.”
Serra, por sua vez, repetiu bordão de campanha, com pequenas mudanças: “Pé no chão, cabeça alta e o futuro do Brasil no coração”.
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