Duelo movido a “Pinheirinhos”
- 6 de fevereiro de 2012 |
- 23h05 |
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Categoria: Eleições 2012
A guerra entre PT e PSDB para tentar identificar um ao outro com atos de violência, em pleno ano eleitoral, ficou visível na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Sessão convocada para debate sobre o funcionamento dos planos de saúde virou disputa de requerimentos de convocação de pessoas ligadas a reintegrações de posse em administrações petistas e tucanas.
À sessão compareceram apenas os senadores Paulo Paim (presidente da Comissão de Direitos Humanos), Wellington Dias (PT-PI) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que não integra o colegiado. Até agora, o PT criticava o PSDB pela operação policial que cumpriu mandado de reintegração de posse no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, e desalojou do local 1,6 mil famílias, num total de 6 mil pessoas.
Os debates sobre planos de saúde ainda estavam sendo realizados quando Dias pediu a palavra e lembrou que havia pedido do colega Eduardo Suplicy (PT) para apresentar um requerimento destinado a debater a reintegração de posse do Pinheirinho no Senado.
Suplicy pediu a convocação do prefeito de São José dos Campos, o tucano Eduardo Cury; do secretário estadual de Habitação, Silvio Torres; do presidente do Tribunal de Justiça paulista, Ivan Sartori; do comandante-geral da PM, Álvaro Camilo, de líderes comunitários e de vítimas da ação. Eles são aguardados na próxima reunião da comissão, na quarta.
Nunes Ferreira deu o troco. Apresentou requerimentos para que seja ouvida a secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, sobre desocupação realizada pelo governo petista de Brasília numa fazenda.
A oposição afirma que houve violência. O outro requerimento convida para audiência pública supostas vítimas da desocupação de uma área invadida em Brasileia, no Acre, no ano passado. Regimentalmente, Nunes Ferreira não poderia apresentar os requerimentos, porque não é da comissão. Mas Paulo Paim os “adotou”, num acordo com o tucano.
A ação policial no Pinheirinho já havia motivado críticas até da Presidência. No dia 26, durante encontro com líderes do Fórum Social Temático, realizado em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff disse a eles que considerava “barbárie” a operação em São José. Mesmo assim, teve de ouvir protestos organizados pelo PSTU e pelo PSOL contra a desocupação do local por todos os locais por onde passou.
Além das ações no Distrito Federal e no Acre, a crise na segurança da Bahia, gerada pela greve na Polícia Militar, também passou a ser usada como munição eleitoral pela oposição. “É o Pinheirinho do Jaques Wagner”, afirmou o deputado Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia.
Fogo amigo?
Embora do partido de Michel Temer, vice-presidente da República, Vieira Lima é um dos líderes da oposição ao governador petista. O PMDB da Bahia articula uma chapa para disputar a prefeitura de Salvador que pode incluir também o PSDB, o DEM e o PPS, hoje os três principais partidos de oposição. Wagner apoia o deputado petista Nelson Pellegrino.
Já o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia, afirmou que o governo do PT foi incapaz de evitar que se deflagrasse a greve. Segundo ele, houve negligência das administrações federal e estadual, ao não antecipar o diálogo com os grevistas. “O Brasil está perplexo e preocupado com o que ocorre na Bahia, pela incapacidade do governo do PT de, pela via da negociação, evitar uma greve desse porte”.
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