Contra resistência a Kassab, vice do PSB
- 13 de fevereiro de 2012 |
- 23h03 |
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Categoria: Eleições 2012
MALU DELGADO
Uma operação política em curso nos bastidores da sucessão da Prefeitura pode provocar arrefecer a resistência do PT a composição com o prefeito Gilberto Kassab (PSD). A ideia, já debatida entre três grandes articuladores políticos – o ex-presidente Lula, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, e Kassab – é atrelar o PSB à candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, com a indicação de vice do partido que tenha aval do PSD.
Oficialmente, nenhum dos lados admite abertamente a negociação. Dirigentes do PSB nacional afirmam que a costura de alianças passa por conversas com o presidente estadual da sigla, Márcio França – secretário de Turismo do tucano Geraldo Alckmin. No PT o assunto já circula entre a cúpula. No PSD, Kassab, por ora, insistirá na indicação de vice numa aliança com o PT.
A saída política geraria dividendos políticos a todos os lados. Kassab conseguiria fechar a aliança com o PT sem exposição direta do PSD e sem ouvir gritos da militância petista. Mas, em troca, teria de assegurar vaga na chapa petista por um cargo majoritário em 2014 – ou vice-governador ou senador –, sem contar a possibilidade de vaga futura no ministério da presidente Dilma Rousseff para ele próprio ou expoente do PSD.
Para Campos, a saída política abriria portas ao projeto nacional do governador, que quer se aproximar cada vez mais do PT e se cacifar como possibilidade a vice de Dilma Rousseff em 2014 ou a voo solo em 2018. Segundo petistas envolvidos nas discussões, “vale lembrar que o PMDB de Michel Temer vai lançar candidatura própria com Gabriel Chalita (ex-tucano) e, num eventual segundo turno, pode cair no colo de Alckmin”.
Sob o ponto de vista do PT, aliança com o PSB seria extremamente lucrativa, sobretudo porque mina aproximação do partido com tucanos e, de quebra, reduz resistência da militância a Kassab. A eventual aliança com o PSB começou a ser traçada em 23 de janeiro, quando Campos visitou Lula em São Paulo.
O petista faz tratamento contra o câncer de laringe no hospital Sírio-Libanês. O JT apurou que a proposta foi feita pelo governador ao ex-presidente e que estaria vinculada, obviamente, à anuência de Kassab. Campos aproximou-se do prefeito na criação do PSD. Ambos chegaram a cogitar até fusão das duas siglas.
França, afirmou que o cenário é “muito pouco provável”. “O diretório estadual do PSB tem forte relação com o PSDB. Qualquer negociação tem que ser conduzida pelo Eduardo Campos. Não vejo empecilho (para aliança com o PT), mas é pouco provável. Acabamos de fechar com o PSDB em Campinas”, pondera. França admite, porém, que “Kassab é parceiro para o futuro do Eduardo Campos e do PSB”.
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