Com aliança na pauta, Dilma elogia Kassab
- 25 de janeiro de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Eleições 2012
Em meio às negociações entre PT e PSD para formar aliança na eleição paulistana, a presidente Dilma Rousseff adotou discurso de aproximação com o prefeito Gilberto Kassab, ao elogiar a capacidade dele de “agregar e criar vínculos com pessoas mais diferenciadas”. O gesto reflete disposição de lideranças petistas de se aproximar de Kassab, mas o movimento enfrenta resistência de alas da sigla.
Enquanto Dilma trocava afagos com o prefeito, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, dizia em Porto Alegre que a decisão sobre se aliar ou não a Kassab caberá exclusivamente à direção paulistana do partido: “Não temos nada a explicar ao eleitor a não ser apresentar nosso programa de mudança, e a conjuntura eleitoral vai permitir mostrar nossa proposta à cidade.” Ele disse ser contra a aliança.
Dilma recebeu de Kassab a Medalha 25 de Janeiro. “Queria dirigir cumprimento especial e agradecimento a essa figura capaz de agregar, de criar vínculos fraternos e republicanos com as pessoas mais diferenciadas, que é o prefeito Gilberto Kassab, a quem sou muito grata pela honraria.”
O ambiente de cordialidade se estendeu a tucanos. A presidente dividiu o palco, cumprimentou e trocou sorrisos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sentada entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB), Dilma trocou mais palavras com o tucano que com o peemedebista.
Kassab aproveitou a cerimônia para fazer aceno ao governo federal. Apesar de declarar que seu partido é independente, o PSD se aproxima da base governista nas votações do Congresso. “A senhora sabe o quanto todos nós torcemos e trabalhamos pelo seu sucesso. O sucesso do nosso governo é o sucesso do Brasil”, disse. “Creia: eu expresso o sentimento dos 11 milhões de brasileiros que moram na cidade de São Paulo.” Ele ainda disse que o PSD é “de centro”, mas apresenta convergência “em alguns aspectos” com o PT. “Tanto é que temos diversas alianças em diversos municípios.”
O prefeito reforçou que a prioridade do partido é lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) à Prefeitura, mas afirmou que não descarta alianças – seja com PT ou com o PSDB. “Se identificarmos a impossibilidade (de candidatura própria), é evidente que o partido vai passar a analisar alianças possíveis, em que possamos apoiar candidatos. Isso não exclui o PT e também não exclui o PSDB.”
As resistências ao acordo com Kassab partem dos movimentos sociais das áreas de habitação e saúde, ligados ao PT e a partidos de esquerda, que protestaram contra o prefeito atirando ovos contra ele no centro.
No dia 13 de janeiro, em visita ao ex-presidente Lula, Kassab teria proposto a indicação de vice, pelo PSD, à chapa de Fernando Haddad, candidato a prefeito pelo PT. Lula sugeriu ao diretório municipal que discutisse a questão “com tranquilidade”. Para Falcão, no entanto, aliança entre PT e o PSD tem poucas possibilidades de se viabilizar. Os motivos seriam a preferência de Kassab por candidatos que não são do PT e a decisão do partido de ficar na oposição à atual administração.
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