Vereadores ressuscitam ‘Frangogate’
- 8 de dezembro de 2010 |
- 23h21 |
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Fabio Leite
Diego Zanchetta
Uma manobra executada nesta quarta-feira (8) pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) para tentar eleger o seu candidato à presidência da Câmara Municipal, José Police Neto (PSDB), no dia 15, levou o Centrão – bloco que defende a candidatura de Milton Leite (DEM), com o apoio do PT – a iniciar nova retaliação ao Executivo com dois pedidos de CPIs cujos alvos são a própria gestão Kassab e aquele que seria um neo-aliado do prefeito na disputa, o deputado federal Paulo Maluf (PP).
A gota d’água para o bloco composto por vereadores do PR, PTB, PMDB, PP e outras siglas, foi a exoneração do secretário do Trabalho, Marcos Cintra, publicada nesta quarta (8) no Diário Oficial. Ele reassumirá o mandato de vereador no lugar de Quito Formiga (PR) apenas no dia da eleição, na próxima quarta-feira, para votar em Police Neto. Formiga, que é suplente, apoia o candidato do Centrão, mas não poderá mais votar.
“Foi uma clara interferência do prefeito dentro do Legislativo”, avaliou o presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR), que fez o pedido de expulsão de Cintra do PR, em análise no partido. “Ele (Kassab) está usando todas as forças possíveis, o poder da máquina, para eleger o candidato dele. Tentou oferecer secretaria para nós, mas nem o PR nem os vereadores estão à venda”, disse Aurélio Miguel, também do PR.
Kassab alegou, por meio da assessoria, que Cintra pediu a exoneração para poder votar na eleição da Câmara. Procurado, o vereador não quis comentar o assunto.
Maluf na mira
A articulação do prefeito ampliou a crise dentro da Câmara, que trava a votação de projetos relevantes há dois meses. Líderes do Centrão se apressaram em colher assinaturas para protocolar dois pedidos de CPIs: um de autoria de Aurélio para apurar os contratos das organizações sociais (OSs) com a Secretaria Municipal da Saúde; e outro, de Adilson Amadeu (PTB), para investigar a compra de frangos superfaturados na gestão Maluf (1993-1996), caso conhecido como frangogate (leia abaixo), que gerou R$ 1,2 bilhão de prejuízos aos cofres públicos, segundo o Ministério Público Estadual.
A bronca do Centrão com Maluf é porque o cacique do PP orientou os dois vereadores do partido, Wadih Mutran e José Olímpio, a votarem em Police Neto. Integrante do Centrão desde 2005, Mutran não deve atender ao apelo malufista, mas Olímpio conseguiu o respaldo que precisava para migrar para o lado do tucano – ele havia assinado documento em apoio a Leite em março.
“Ele (Maluf) nos deu a palavra do apoio do PP e não cumpriu. Não esperava esse descumprimento de palavra de um senhor de 80 anos”, criticou Rodrigues. Se a CPI for instaurada na sessão de hoje, Maluf poderá ser convocado na segunda para depor.
Ontem, o diretório municipal do PMDB também fechou apoio ao tucano, mas não se sabe se os vereadores Antonio Goulart e Jooji Hato vão acatar a decisão do partido ou se votarão em Leite.


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