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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Prévia no PSDB: Serra quer apoio público de Alckmin

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BRUNO BOGHOSSIAN

 

JULIA DUAILIBI

 

O ex-governador José Serra (PSDB) quer maior participação de Geraldo Alckmin na sua campanha da prévia que escolherá o candidato tucano à Prefeitura, no dia 25. O governador, porém, avisou que por enquanto não pretende se manifestar publicamente em favor de nenhum dos três candidatos – além de Serra, há na disputa o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli.

 

A ideia de pedir ao governador manifestação pública de apoio começou a ser discutida na reunião da coordenação da pré-campanha de Serra, no domingo. O ex-governador ouviu a sugestão de um dos participantes de que seria bom Alckmin comparecer a um evento de Serra antes da prévia.

 

Foi proposto, então, que Alckmin fosse no dia seguinte ao encontro com filiados do Butantã, diretório ao qual é ligado. No local, deveria fazer declaração de apoio a Serra. Emissários conversaram sobre a proposta com Alckmin, que descartou participar de qualquer evento por um único candidato. Alckmin conversou nesta semana com Serra sobre o assunto.

 

Antes de tomar a decisão, o governador consultou aliados sobre a entrada mais incisiva na campanha de Serra, mas foi aconselhado a não se manifestar. A avaliação é que declaração do governador em favor de um candidato numa disputa que deve ter menos de 6 mil votos seria “gastar torpedo” para alvo relativamente pequeno. Poderia ser interpretada ainda como demonstração de fraqueza da pré-candidatura de Serra.

 

Nos bastidores, Alckmin trabalha para Serra. Seus secretários fazem campanha do ex-governador. O tucano marcou reunião com o DEM no Palácio dos Bandeirantes esta semana para tratar da eleição e convidou Serra. Parte dos integrantes da coordenação de campanha acredita que essas manifestações já são suficientes.

 

Os serristas estão preocupados com as regiões sul e sudoeste da capital, avaliando que a campanha de Aníbal está fortalecida nesses locais. Chegaram a identificar tucanos ligados ao presidente municipal do partido, o secretário Julio Semeghini (Planejamento), atuando pelo titular de Energia.

 

O grupo não teme derrota de Serra, que teria apoio da maioria dos presidentes de diretórios zonais. Mas avalia que a vitória tem de ser acachapante para mostrar força e para não dividir o partido.

 

Contraproposta

 

Ontem, Alckmin avisou a serristas que não deve participar mesmo de eventos com a militância e que só pretende aparecer na votação e apuração da prévia. O governador fez proposta: Serra poderia acompanhá-lo em eventos oficiais. Na semana passada, o ex-governador subiu no palanque da posse do novo secretário de Trabalho de Alckmin, Carlos Ortiz, no Palácio dos Bandeirantes. Estava prevista para ontem a participação do ex-governador na inauguração de um novo espaço no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, mas Serra não foi.

 

Apesar da manifestação de Alckmin, serristas ainda têm esperança de que o governador possa participar de evento a favor de Serra antes da prévia. O ex-governador diz não haver dúvida sobre o apoio de Alckmin a sua candidatura. “A posição do governador é conhecida por todos, ele me pediu para ser candidato

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PT e PSDB travarão ‘duelo’ de taxas

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GILBERTO AMENDOLA

 

Pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad fez sua primeira promessa de campanha em entrevista: “Eu não entendo a cobrança desta taxa de inspeção veicular. Essa taxa acaba, tem de acabar”. Ainda em entrevista à Rádio Bandeirantes, ele garantiu que, se eleito, vai aumentar a fiscalização e manter a inspeção, mas “sem taxa”. Especialistas dizem que promessa trará o tema das taxas e tributos ao centro da campanha.

 

Haddad crê que a inspeção poderia ser custeada pelo repasse que a Prefeitura recebe do governo estadual pela arrecadação de IPVA. Na conta do pré-candidato, o aumento dessa receita seria suficiente para pagar os custos do serviço. “Em 7, 8 anos, o IPVA subiu de R$ 800 milhões para R$ 1,8 bilhão. Com o orçamento atual da Prefeitura, a taxa é dispensável”.

 

O ex-governador José Serra, um dos pré- candidatos do PSDB à Prefeitura, discordou de Haddad e afirmou que “a taxa é necessária para evitar que os paulistanos que não têm carros sejam obrigados a pagar indiretamente pelo serviço”. O tucano alfinetou: “Dinheiro não cai do céu nem nasce em planta, como alguns acham”.

 

O tema tem potencial para dar início ao primeiro “embate de ideias” entre Haddad e o PSDB de Serra, que escolhe seu candidato dia 25. Para o cientista político da FGV Claudio Couto, a fala de Haddad pode ter sido forma de tentar se antecipar e anular possível trunfo do rival. “José Serra usou contra a então candidata Marta Suplicy, nas eleições de 2004, a questão da taxa do lixo e o apelido de ‘Martaxa’. Agora, essa questão tributária terá dois lados – isso porque o atual prefeito, Gilberto Kassab, estará ao lado de Serra.”

 

Outro cientista político, Humberto Dantas, da USP, acredita que a taxa de inspeção veicular e a taxa do lixo estarão presentes no debate. “As questões que atingem o bolso do eleitor são fortes como tema de campanha. Ainda mais no caso desta taxa que, além da parte financeira, dá muito trabalho para o cidadão. É preciso pegar fila, ir até local específico…” Para Dantas, vai ser curioso assistir como os candidatos vão debater esse tema tendo a administração Kassab como eixo. “O Haddad pode falar da taxa e lembrar que é coisa do Kassab, que está do lado do Serra. Por sua vez, Serra pode argumentar que o PT estava atrás de Kassab até ontem.”

 

Já o também cientista político Sérgio Praça, da FGV enxergou nas palavras de Haddad vontade do petista em atrair eleitores que, normalmente, estariam ao lado do PSDB. “Pregar contra taxas e impostos é algo que atrai o voto da classe média. Pode atrair as mesmas pessoas que reclamam do Bolsa Família, por exemplo”.

 

Para o professor Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Haddad corre risco com esse tipo de promessa: “Se o eleitor achar o fim da taxa eleitoreiro e demagógico, o efeito pode ser o contrário do desejado pelo candidato. Por isso, ele precisa explicar muito bem como a conta vai fechar, como o dinheiro será compensado”.

 

Controlar

 

Kassab chegou a ter bens bloqueados pela Justiça a pedido do Ministério Público, que entrou com ação contra o prefeito e a Controlar, responsável pela inspeção veicular. Também foi denunciado o secretário municipal do Verde, Eduardo Jorge (PV), que Kassab sugere como vice ao pré-candidato José Serra (PSDB). Posteriormente, a decisão foi revertida.

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Lula será ‘avalista’ da campanha, diz Haddad

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O pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, disse que seu projeto representa o programa implementado no País pelo governo federal e que o ex-presidente Lula será seu avalista nesta campanha. “A palavra dele (Lula) terá uma força extraordinária nesta campanha”, aposta o petista.

 

Em 30 minutos de entrevista à Rádio Jovem Pan, Haddad disse que, embora tenha time de apoiadores formado pelo ex-presidente, pela presidente Dilma Rousseff, pela senadora Marta Suplicy e pelo ministro da Educação Aloizio Mercadante, a força para elegê-lo está na militância petista. “Confio primeiro no coletivo. Tenho uma militância muito engajada.”

 

Haddad reforçou que, no momento em que Lula se recupera de pneumonia e do tratamento contra câncer na laringe, é preciso preservá-lo. Quando estiver recuperado, disse Haddad, Lula vai envolver-se não só em sua campanha, mas em todos “os projetos que ele acredita”. “É da natureza dele ajudar”, acrescentou.

 

Indagado sobre a dificuldade em atrair alianças para sua campanha, o petista disse que é preciso “respeitar o tempo dos partidos” e que aguardará até o meio do ano pelos desdobramentos do cenário político. “(A situação) exige de mim mais trabalho, mas eu estou disposto a trabalhar mais.”

 

Ele também rechaçou a possibilidade de a senadora Marta Suplicy ser lançada candidata. Haddad disse que, diferente do PSDB, que caminharia para abrir mão das prévias em favor do pré-candidato José Serra, o PT levará adiante seu nome como candidato.

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Troca de líderes amplia crise com base aliada

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Ao promover trocas nas lideranças do governo no Senado e na Câmara, a presidente Dilma Rousseff incendiou parte da cúpula peemedebista, deixou descontentes setores do PR e PT e não conseguiu, por ora, atingir seu objetivo: o fim da crise com a base aliada. O PMDB entendeu as substituições como operação contra o partido.

No Senado, ao trocar Romero Jucá (PMDB-RR) pelo correligionário Eduardo Braga (AM), a presidente criou interlocução paralela com grupo dos descontentes – conhecido por G8 –, sem passar pelo crivo do presidente da Casa, José Sarney (AP), e do líder da sigla, Renan Calheiros (AL).

Na Câmara, Dilma escalou como novo líder do governo um concorrente do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na corrida pela presidência da Casa: Arlindo Chinaglia (PT), que substituiu Cândido Vaccarezza (PT). Dilma avisou Chinaglia que a sua ida para a liderança excluía a volta do PT à presidência da Casa, em 2013. “No ano que vem, a presidência da Câmara é do PMDB”. Não convenceu peemedebistas: “O Chinaglia sempre desejou voltar à presidência da Câmara. Se for essa a sinalização do governo, é declaração de guerra ao PMDB”, disse Danilo Forte (PMDB-CE).

No Senado, Braga tentou, sem êxito, tomar a liderança de Renan, que também almeja a presidência da Casa em 2013. Especula-se que a escolha de Dilma possa ser estratégia política para descartar os dois e insuflar candidatura do ministro Edison Lobão (Minas e Energia) à presidência do Senado, nome contra o qual nem Sarney nem Renan podem se insurgir.

Na tentativa de manter a união do PMDB, o vice-presidente Michel Temer chamou Eduardo Braga para catequizá-lo. “Agora você não é representante de um grupo. Você representa o governo e, nessa condição, terá de conversar com Renan e Sarney”, disse-lhe. A Jucá, foi oferecida a relatoria do Orçamento de 2013, um dos postos mais disputados no Congresso. O novo papel de Jucá preocupa o ex-presidente Lula, que alertara Dilma: “Cuidado com Jucá!”.

Além de desagradar ao PMDB, a escolha de Braga também causou uma crise com o PR. Ele é desafeto do presidente da legenda, senador Alfredo Nascimento (AM), com o qual a presidente tenta fazer as pazes desde que o demitiu dos Transportes, em julho.

A troca de líderes foi interpretada ainda como “estranha” e “desastrada” por líderes aliados, que viram no ato castigo para a derrota de quarta, quando Bernardo Figueiredo foi recusado pelos senadores para dirigir a Agência Nacional de Transportes Terrestres.

A maior mágoa de Vaccarezza foi saber da demissão pela mídia. Ele anteviu “estremecimento” na base a curto prazo e que estão em risco projetos importantes como a Lei da Copa, Código Florestal e royalties do petróleo.

Christiane Samarco, Eugênia Lopes, João Domingos e Vera Rosa

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Recado para Haddad: Lula diz que PSB é prioridade

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O pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, espera que a partir da próxima semana o ex-presidente Lula, que recebeu alta médica do Sírio-Libanês no domingo, já possa auxiliá-lo na definição de estratégias eleitorais e na negociação de alianças. Lula afirmou a Haddad que sua primeira atitude será procurar o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para uma conversa.

Haddad conversou com Lula por telefone duas vezes ontem. O ex-presidente lhe informou que deverá concluir o uso de antibióticos contra pneumonia na sexta e que retoma os contatos políticos já na próxima semana.

Enquanto aguarda o comando de Lula e enfrenta dificuldades na costura de alianças, Haddad mantém as agendas de pré-campanha. Ontem, ele visitou a região de Perus, na zona oeste da capital. O ex-ministro dá continuidade à estratégia de criticar a atual gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o pré-candidato do PSDB, José Serra.

Segundo Haddad, Kassab tenta “maquiar” os baixos índices de aprovação de sua gestão com um pacote de obras. “Há um desconforto com os últimos oito anos, mesmo que nos últimos meses se queira maquiar o que está acontecendo. O prazo é curto para se reverter a percepção que foi-se tendo em oito anos de que o tempo foi em algumas áreas perdido.”

Ele acusou o prefeito de promover um “concurso de vices”, que integram o secretariado municipal, para atender Serra. “Essa hipótese do afastamento de cinco secretários municipais é como se houvesse um concurso de vices, em vez de cuidar da cidade até 31 de dezembro. Você exonerar cinco secretários para fazer uma seleção é um descaso com a cidade”.

O petista também elevou o tom das críticas a Serra e afirmou que o tucano foi “o mais cruel ministro do Planejamento”por ter cortado investimentos nas universidades públicas federais. “Talvez o Serra, como ministro do Planejamento, tenha sido o mais cruel do ponto de vista orçamentário com as universidades federais”,  disse o petista, ao comentar sobre negociações do PC do B, tradicional aliado do PT, com o PSDB em algumas capitais do País, o que poderia ter reflexos em São Paulo. Segundo Haddad, seria difícil apostar numa conexão entre Serra e o PC do B pelas ligações históricas do partido com a UNE.
Fernando Gallo

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