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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Bloco PTB-PR afeta Haddad, avalia PT

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A formação do bloco PTB-PR no Senado foi recebida com ceticismo pelos petistas de São Paulo, para quem a ação conjunta dos dois partidos insatisfeitos com o governo federal fortalecerá as demandas das legendas no Congresso e nas articulações para a eleição – e, em especial, na costura de alianças para o pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad.

 

O PR condiciona a aliança eleitoral ao tratamento que receber do governo, que passa pela discussão sobre o controle do Ministério dos Transportes. Depois de romper com o Palácio do Planalto há três semanas, o partido aliado anunciou a volta para a base governista ao formar o bloco com o PTB, constituindo a terceira maior força no Senado.

 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem ser importante que a base aliada esteja “unida” na campanha em São Paulo. “Evidente que é (fundamental), em qualquer campanha, ter a base aliada unida e trabalhando junto”, declarou, após participar de reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Palácio do Planalto.

 

Carvalho comentou as declarações da senadora Marta Suplicy (PT) sobre a campanha de Haddad. “Todos nós temos de usar a sola do sapato”, disse ao ser questionado sobre a afirmação da ex-prefeita. Em entrevista na semana passada, Marta reagiu aos pedidos de apoio dos petistas mandando Haddad “gastar sola de sapato”. “Além disso, as alianças farão diferença”, continuou a senadora. “O restante é conhecer os problemas da cidade e conquistar a militância. Ninguém pode substituir nem fazer isso pelo candidato”, concluiu Marta, preterida na disputa como candidata do PT à Prefeitura.

 

Lula na campanha

 

O ministro não soube dizer quando o ex-presidente Lula deve entrar na disputa. “Não dá para se fixar uma data. (Lula) já tem ajudado muito com os telefonemas e tal, tem conversado, mas ele prometeu ter muito cuidado e juízo porque percebeu o quanto a saúde é importante”, disse Carvalho.

 

O ministro comentou, ainda, que já fazia alguns dias que esteve com o ex-presidente. “Pelo que sei, Lula está em uma lenta recuperação, que exige prudência, com tratamentos de fonoaudiologia e fisioterapia”.

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Caso Demóstenes: prédio de senador foi usado em reunião

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Grampos da Polícia Federal indicam que o apartamento funcional em que mora o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM) em Brasília servia de ponto de encontro para reuniões da cúpula da máfia dos caça-níqueis em Goiás e Distrito Federal. Em conversas interceptadas na Operação Monte Carlo, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, relata reunião de integrantes do esquema no local.

 

Na ligação gravada em 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza – segundo homem na hierarquia da organização, responsável pela administração contábil do grupo, conforme a PF – que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos cedidos pelo Senado.

 

Segundo transcrições do diálogo, também foram ao bloco Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como “o homem”; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito da operação como sócio do empresário em negócios ilegais; e Wladimir Henrique, que seria seu braço direito, encarregado de obter facilidades na polícia de Goiás. Os blocos C e G, onde mora Demóstenes, são conjugados e possuem estacionamento comum.

 

Eram cerca de 16h40 e, na conversa, Dadá dizia estar em frente ao prédio desde a hora do almoço. “O homem está aqui, Cláudio está aqui, não posso sair”, explicou a Lenine, que o questionava sobre sua ausência em outro compromisso. Demóstenes estava em Brasília no mesmo dia da reunião, conforme registros do Senado, tendo discursado no fim da tarde.

 

O advogado do senador, Antonio Carlos Almeida Castro, não se pronunciou sobre as gravações.

 

‘Interesse’ na Anac

 

O inquérito da Monte Carlo comprova a extensa teia de relações do grupo, que se valia de contatos nos mais diversos órgãos para emplacar seus interesses. Numa das conversas, Gleyb Ferreira da Cruz – elo de Cachoeira com o delegado da PF Deuselino Valadares, também preso operação – comenta com interlocutor sobre a possibilidade de “entrar com interesse” na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para resolver um negócio de R$ 300 mil.

 

Em outra, Dadá telefona para um policial federal pedindo que obtenha, em tempo recorde, passaporte especial ou diplomático para um desembargador.

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DEM inicia ação para expulsar Demóstenes

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O DEM abre hoje processo de expulsão, por “reiterados desvios da ética”, contra o senador Demóstenes Torres (GO), flagrado em conversas telefônicas defendendo interesses de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que comanda rede de jogos ilegais no País. “O senador está em xeque. A classe política está em xeque, mas quem mais está em xeque é o DEM, partido que não aceita desvios”, disse José Agripino Maia (RN), presidente e líder da legenda no Senado.

 

A decisão foi tomada em reunião na casa de Agripino com o líder na Câmara, ACM Neto (BA), o deputado Ronaldo Caiado (GO) e o vice-governador de Goiás, José Eliton. Desde a manhã de ontem, os caciques movimentavam-se para ter conversa “definitiva” com o senador goiano. Ficou acertado que Demóstenes contaria sua versão a Agripino, ACM Neto e Caiado. “Nós precisamos ter esta conversa, que precisa ser definitiva”, afirmava Agripino à tarde.

 

A cúpula do DEM havia dado a Demóstenes até hoje para se explicar. Mas, diante das novas denúncias, antecipou o encontro. Demóstenes não apareceu e Agripino sentenciou: “O DEM não quer mais esperar”. O senador goiano passou o dia em casa, reunido com defensores e Caiado. O advogado dele, Antonio Carlos de Almeida Castro, disse que o parlamentar não se reuniu com a cúpula do partido porque não tinha analisado ainda todo processo.

 

Há, ainda, a expectativa em torno de renúncia do senador. O que pesa para Demóstenes adiar a decisão é o foro privilegiado. Como senador, ele só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

 

Em outra frente, cinco senadores pediram pressa à Casa para convocar o Conselho de Ética. Na semana passada, foi acertado que o colegiado só se reuniria na próxima terça para eleger presidente. Mas as novas denúncias fizeram parlamentares cobrarem encontro nesta semana.

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Eleições municipais: Marqueteiros têm novo duelo

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Se nas intenções de voto para a Prefeitura o ex-governador José Serra (PSDB) tem, por ora, larga dianteiras sobre o ex-ministro da Educação Fernando Haddad – 30% a 3%, segundo pesquisa Datafolha divulgada no início de março –, na esfera dos marqueteiros João Santana, que deve trabalhar com o petista, está em vantagem no “duelo particular” com Luiz Gonzalez, que deve, mais uma vez, atuar com o tucano.

 

Santana saiu vencedor em 2006, na reeleição de Lula à Presidência contra o tucano e atual governador Geraldo Alckmin, e 2010, quando o ex-presidente fez de Dilma Rousseff sua sucessora, contra Serra. Gonzalez derrotou o rival em 2008, na reeleição de Gilberto Kassab, que bateu Marta Suplicy, hoje senadora. Curiosidade, na disputa de 2008 o marqueteiro que já trabalhou com Alckmin o teve também como adversário.

 

Apesar da rivalidade eleitoral, os dois marqueteiros têm algo em comum. Ambos atuam para o poder público: Santana é consultor de propaganda de Dilma no governo federal e empresa ligada a Gonzales tem contratos com a gestão de Kassab na Prefeitura e de Alckmin no governo do Estado.

 

Comparação de estilos

 

O especialista Marco Iten aponta diferenças fundamentais entre o trabalho de Gonzalez e Santana. “Gonzalez tem mais produção, uma plástica muito boa. Com ele as coisas são mais bonitas e certinhas. Talvez por isso tenha escorregado na favela cenográfica (na campanha presidencial de Serra, 2010) Já Santana traz um trabalho com mais sentimento, mais alma. Só que era mais fácil encontrar alma em candidatos como Lula e Dilma do que no Haddad”.

 

Já o consultor Carlos Manhanelli prevê muito mais trabalho para Santana. “Ele vai ter que construir uma imagem do zero. Talvez tente fazer como fez com a Dilma. Lembra daquele colar de pérolas em volta do pescoço dela? Aquilo era pra passar a imagem de mãe. O Haddad vai precisar de alguma coisa para transformá-lo na figura do pai ou do herói”.

 

O especialista em marketing Gaudêncio Torquato não espera nenhuma novidade nas campanhas que estão por vir. Mesmo ressaltando a competência de Gonzalez e Santana, ele pondera: “Serão cosméticas e previsíveis. O bom seria a gente conhecer e discutir as pessoas que estão escrevendo os programas de governo.”

 

O vice presidente da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Emmanuel Publio Dias faz consideração interessante sobre o peso dos dois marqueteiros em cada uma das campanhas. “João Santana vai ser mais forte, ter mais ascendência sobre o Haddad do que o Gonzalez terá sobre o Serra. Santana é o homem do Lula na campanha, vai ser a voz do ex-presidente dentro da campanha. Já o Serra, por característica pessoal, manterá o controle nas próprias mãos. Ele só vai fazer o que quiser fazer”.

 

Gilberto Amendola e Roberto Fonseca

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Lula diz que Serra é ‘político de ontem’

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Liberado pela equipe médica a retomar gradativamente a atividade política, o ex-presidente Lula, após ser informado da remissão completa do tumor na laringe, já escolheu o principal alvo de ataques nesta eleição: José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura. “Serra é um político de ontem com ideias de anteontem”, disse o petista a interlocutores.

A escolha de Serra como alvo preferencial é forma de tentar alavancar a candidatura de seu apadrinhado Fernando Haddad, pré-candidato do PT na capital. Ele atingiu 3% das intenções em pesquisa Datafolha divulgada no início de março, contra 30% do tucano. Além disso, o ex-ministro da Educação ainda não conseguiu arregimentar apoiadores. E ouviu a senadora Marta Suplicy, irritada com pressões para que entre na campanha, dizer que ele precisa “conquistar a militância e gastar sola de sapato”.

No domingo, dia em que o PSDB escolheu Serra como seu candidato, Lula pediu o apoio do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à campanha de Haddad. Ávido para retomar suas atividades, o ex-presidente avisou aos aliados que vai voltar a percorrer o País em meados de abril, após o retorno das férias marcadas para a próxima semana. “Ele está doido para andar o Brasil”, contou o senador Jorge Viana (PT-AC), após visitar Lula junto com o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA).

No PT, já se fala na preparação de “grande evento” em abril para festejar a recuperação do ex-presidente. “O ganho dele merece várias comemorações”, diz Viana.

Lula também recebeu a visita do governador do Rio, Sergio Cabral, e do prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB. À tarde, falou com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, por telefone.

Ajuda com a base
O ex-presidente conversou por duas horas no Instituto Lula com Pinheiro e Viana. Mesmo com a voz ainda debilitada, insistiu em ouvir sobre a crise entre governo e base aliada. “Ele quis saber de tudo e como pode ajudar”, disse Viana. Lula avisou que vai a Brasília conversar com as bancadas do PT e da base do governo.

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