Após suspeitas de corrupção, bancos cobram origem de fortuna de Maluf
- 21 de julho de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Corrupção
JAMIL CHADE
De tratamento nobre a persona non grata. O ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP-SP) mantinha nos anos 90 um status que banqueiros davam apenas às maiores fortunas do mundo, com gerentes particulares e encontros em locais de luxo. Após duas décadas e uma série de suspeitas, seus principais parceiros financeiros pediram demissão, outros abandonaram a gestão da fortuna e os bancos nos quais mantinha contas cobraram explicações sobre a origem do dinheiro.
Na semana passada, a Justiça de Jersey encerrou as audiências do julgamento em que a Prefeitura de São Paulo tenta reaver US$ 22 milhões supostamente desviados de obras na gestão Maluf (1993-1996). Os valores estão bloqueados por ordem judicial em contas da offshore Durant.
Investigação preliminar da promotoria de Genebra revelou que Maluf era tratado pelos banqueiros da cidade com padrão equivalente ao de príncipes árabes e monarcas. O ex-prefeito não ia às agências: eram os próprios banqueiros que viajavam até o sul da França para tratar dos negócios do político. Entre julho de 1985 e janeiro de 1997, Maluf era considerado um dos principais clientes do Citibank de Genebra.
Suspeitas de envolvimento em corrupção passaram a afetar a imagem de Maluf. Em 1997, a Suíça começou a mudar as leis no setor bancário para reduzir os limites do sigilo das contas, de forma a saber a origem do dinheiro. O Citibank de Genebra foi um dos primeiros a lançar dúvidas sobre os recursos de Maluf e, insatisfeito com as respostas, sugeriu que os ativos fossem transferidos para outras jurisdições.
Os suíços aceitaram cooperar com autoridades brasileiras que suspeitam do envolvimento de Maluf em desvio de dinheiro público e o que sobrou dos recursos da família em contas no país está bloqueado – cerca de US$ 25 milhões, de acordo com advogados que conhecem o caso.
Em Jersey, foi o Deutsche Bank que se surpreendeu com o volume de dinheiro que começou a entrar na conta da Durant. O banco pediu em 1999 que fosse explicado quem controlava a conta Chanani em Nova York, ponto de partida do dinheiro. Segundo Stephan Baker, advogado da Prefeitura de São Paulo em Jersey, a resposta foi de que Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, era quem a operava.
No ano seguinte, o banco pediu novos detalhes e a família Maluf explicou que a entrada de US$ 13 milhões da Chanani era parte de comissões pagas por intermediar um contrato. “O próprio banco pediu informações”, contou Baker.
Uma carta entregue ao juiz Howard Page em Jersey, redigida pelo escritório que à época representava Maluf na Suíça, dizia que o dinheiro vinha de “negócios legítimos”. O Deutsche Bank também colaborou com as investigações e hoje as contas esperam uma decisão do juiz.
A Durant tem registro nas Ilhas Virgens Britânicas e era gerenciada por uma consultoria especializada em empresas desse tipo. Mantida sob sigilo, essa consultoria pediu há dois anos para abandonar a gestão da offshore ligada à família Maluf.
Na ilha de Jersey, as autoridades usam o caso Maluf como sinal à comunidade internacional de que estão dispostos a colaborar e não querem ser vistos como abrigo de suspeitos de corrupção.
Não por acaso, o advogado contratado pela Prefeitura de São Paulo para o caso usou esse argumento ao encerrar a audiência judicial de quinta-feira. “Há uma determinação política em Jersey para que sejamos líderes na luta contra o enriquecimento ilícito”, disse Baker, que há dez anos acompanha o caso. “Se a corte não nos der razão e São Paulo não recuperar os ativos, será um resultado nada bom para Jersey.”


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