Acusação vê transações ligadas
- 19 de julho de 2012 |
- 23h02 |
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Categoria: Corrupção
Um dia após a defesa da Durant admitir que contas da offshore em Jersey receberam dinheiro do ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP), o Ministério Público quer usar os documentos em processos no Brasil. No último dia de audiências, advogados da Prefeitura rechaçaram que os valores seriam uma “comissão” por negócios privados.
Eles apresentaram dados de movimentações bancárias pelos quais, em cinco semanas entre 24 de dezembro de 1997 e 2 de fevereiro de 1998, a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) pagou US$ 57,2 milhões à construtora Mendes Júnior. Desse total, 20% foram destinados a Maluf, de acordo com a acusação.
Os advogados de defesa tentaram adiar o julgamento da ação em que a Prefeitura tenta reaver US$ 22 milhões supostamente desviados de obras na Avenida Água Espraiada (hoje Jornalista Roberto Marinho). O pedido foi negado. A decisão sobre o caso deve sair nas próximas semanas.
“Esse dinheiro não foi pagamento de contratos da Enterpa, mas de corrupção”, disse o advogado Stephan Baker, que representa a Prefeitura. “Notas fiscais foram dadas pela Mendes Junior por serviços e eram falsamente inflacionadas. Eram pagamentos que faziam parte de uma fraude.”
A Mendes Junior foi contratada pela Emurb. Segundo a Prefeitura e o Ministério Público, ela exigia de subcontratadas a emissão de notas frias para superfaturar os serviços e repassar valores a autoridades municipais, incluindo Maluf.
A defesa da offshore admitiu que as contas da Durant bloqueadas pela Justiça eram controladas por Flávio Maluf, filho do ex-prefeito. Mas alega que Maluf recebeu uma “comissão” por “facilitar a aquisição” da empresa Enterpa, entre 1997 e 1998. E que ex-prefeito não saberia que a “recompensa” seria paga via conta Chanani, em Nova York, e depois iria a Jersey.
Movimentações conectadas
A Prefeitura afirma que essas transações indicam ligação direta entre a movimentação em Jersey e as notas superfaturadas. Além disso, testemunhas relataram como funcionaria o esquema. No período, a família Maluf mandaria à conta Chanani, em Nova York, US$ 10,5 milhões em treze transações.
Dessa conta, parte do dinheiro foi usado em leilões de arte na Sotheby’s, relógios de luxo e outros itens. Dias depois, transferências da Chanani foram feitas a contas em Jersey, num total de US$ 13,1 milhões para a Durant. Outra empresa controlada por Flávio Maluf, a Kildare, receberia US$ 13,5 milhões. Esse seria o caminho do “enriquecimento ilegal” da Durant – ou dos Maluf.
Jamil Chade
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