Estado.com.br
Domingo, 27 de Maio de 2012
Política
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Serra quer prévia só no dia 25

Categoria: Eleições 2012

Um pedido do ex-governador José Serra para transferir a prévia do PSDB à Prefeitura para 25 de março provocou nova polêmica na sigla. Pré-candidatos, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli querem a manutenção da data original, dia 4, mas aceitavam adiamento até dia 11.

A Executiva tucana na capital se reuniu ontem à noite para tentar chegar a um acordo, o que não havia ocorrido até 22h30.  Depois de comunicar oficialmente sua entrada na disputa, Serra perguntou ao presidente do PSDB paulistano, Júlio Semeghini, se seria possível adiar a eleição para dia 25.

E afirmou também que poderia sair da disputa “do mesmo jeito que entrou” se a data de 4 de março fosse mantida.
Serristas passaram a trabalhar com dia 25 sob pretexto de que, assim, seria possível realizar debates entre pré-candidatos e encontros com militantes.

Políticos próximos ao ex-governador minimizaram o mal-estar, dizendo que, para ele, “tanto faz” 11 ou 25 de março. Sua única resistência seria o dia 18, véspera do aniversário de 70 anos. Ao apresentar sua pré-candidatura, Serra deixou claro o tom nacional que pretende dar à disputa e a intenção de polarizar com o PT.

Ele afirmou que está em jogo o “futuro do País” e o embate “entre duas visões distintas de Brasil, duas visões distintas de administração dos bens coletivos, duas visões distintas de democracia, duas visões distintas de respeito aos valores republicanos”.

O ex-governador afirma no texto que tomou a decisão depois de refletir sobre “a situação do País, os dissabores que o processo democrático tem enfrentado diante do avanço da hegemonia de uma força política”, e o peso de São Paulo nesse processo.

Serra, no entanto, não mencionou o PT. Na carta, ele diz que definiu sua pré-candidatura após ouvir os argumentos do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), além de amigos, eleitores, parlamentares e dirigentes de outros partidos.

À noite, em lançamento de livro, ele disse que “é um sonho voltar a ser prefeito de São Paulo”. De Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff rebatia a tese de que a entrada de Serra vai nacionalizar a eleição num claro embate entre PT e PSDB.

“Vocês dizem que nacionaliza. Acho que essa é uma questão que tem de ser tratada em nível municipal. Eu participo do governo federal, sou presidenta da República. Não sou prefeita de São Paulo e nem tenho nenhum pronunciamento específico a fazer nesse sentido.”

E a Presidência?
Serra evitou menção a ambições políticas futuras, como a Presidência. Afirmou que saberá “honrar a indicação e, posteriormente, o mandato”, se for escolhido pelo partido. “Não fujo à luta nem fujo às minhas responsabilidades.”

Anteontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou que a disposição de Serra a se candidatar a prefeito o revitalizava e que não o tirava da corrida presidencial, ao lado do senador mineiro Aécio Neves.

A aliados, o ex-governador diz que não enterrou o sonho de ser candidato à Presidência de novo, mas que se vencer a disputa paulistana quer cumprir os quatro anos do mandato. 

Gustavo Uribe, Bruno Boghossian, Julia Duailibi e Christiane Samarco

Eleição não tira Serra de 2014, afirma FHC

Categoria: Eleições 2012

GUSTAVO CHACRA

A candidatura de José Serra à Prefeitura permitirá a ele “voltar à cena política com força”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, a eleição não significa que o ex-governador abandona o projeto de disputar a Presidência no futuro. “Política é muito dinâmica. Tem sempre a cláusula de prudência. Política não é coisa em que os horizontes se fecham.” Leia entrevista com FHC feita nos Estados Unidos:

O sr. mencionou que Aécio Neves é candidato óbvio para 2014.
 Foi pergunta da revista The Economist: quem é o candidato óbvio? Respondi que Serra vai sair candidato, não vai desistir. E perguntaram quem seria o outro. É o Aécio. É coisa que todo o mundo sabe. São os dois que despontam com mais força.

Mas com Serra se candidatando a prefeito…
 Abre espaço a outra candidatura para presidente. Agora, sempre tem que colocar clausula de prudência. Política é muito dinâmica. Serra pode ganhar ou perder. Nos dois casos, o fato de ele ser candidato agora reforça presença dele como líder. Todo líder político, enquanto quiser se manter ativo na política, tem de ter a expectativa de poder. Tem que ser candidato. O Serra, ao tomar a decisão de se candidatar (à Prefeitura), volta à cena política com força. Onde ele é necessitado no momento? Onde o partido o vê com bons olhos no momento? É aí (na Prefeitura). Significa que amanhã ele não pode ser outra coisa? Não.

Mas não pega mal para Serra, que já foi prefeito e saiu (em 2006, para disputar o governo)?
Ele vai tomar precauções devidas porque tem de ganhar a eleição. Provavelmente vai reafirmar disposição dele (de permanecer na Prefeitura). Mas não vi, não falei com ele. Política não é coisa que o horizonte se fecha. De repente, o que estava fechado se abre. Acho que a decisão do Serra foi a mais adequada neste momento para ele e para o partido. Dá chance para o partido ganhar e dá a ele revitalização política.

Mas para a Presidência, Serra e Aécio continuam sendo os dois nomes fortes do PSDB?
Eu acho que sim.

Com Serra no páreo, Matarazzo e Covas desistem de prévia

Categoria: Sem categoria

A decisão de José Serra de entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo forçou a intervenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que, ontem, reuniu-se com nomes da sigla inscritos para a prévia, marcada e mantida para o próximo 4 de março, para informá-los sobre a entrada tardia do ex-governador no páreo e negociar desistências das pré-candidaturas. A primeira baixa foi do secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, que renunciou ontem à pré-candidatura. Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente, repete o script hoje. Mas o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado estadual Ricardo Tripoli disseram a Alckmin que não desistem e não aceitaram mudar a data da consulta interna.

Alckmin chamou Aníbal e Trípoli para uma conversa no Palácio dos Bandeirantes, ainda pela manhã. Ele falou sobre a entrada do ex-governador na disputa e os sondou sobre a possibilidade de mudança na data da eleição interna – o grupo serrista quer mais tempo para aglutinar apoios em torno do nome do ex-governador. Os dois disseram que aceitavam a entrada de Serra na corrida, mesmo fora da data de inscrição das prévias. Mas, diante da possibilidade de o debate marcado para hoje à noite entre todos os pré candidatos, Aníbal e Trípoli não recuaram. Eles argumentaram que o ex-governador deveria se submeter ao pleito do próximo domingo e também comparecer ao debate do partido.

“As prévias estão garantidas no dia 4 de março, conforme havíamos combinado em novembro”, declarou Aníbal, depois do encontro com Alckmin. “Lamento a saída dos outros dois pré-candidatos. Mas acho muito bom que o José Serra vá se inscrever”

Tripoli, por seu lado, deixou claro que não abre mão da disputa. “A militância continua proprietária do processo. Portanto continuo candidato.” Alckmin também informou que conversou com os outros dois pré-candidatos, Covas e Matarazzo, e que eles iriam anunciar a saída da prévia. Na conversa com os tucanos que insistem nas prévias, Alckmin também falou que, diferentemente de 2004, quando teve que desmarcar a pré-convenção então agendada para que Serra disputasse a Prefeitura, desta vez não pediria aos pré-candidatos que não concorram.

DEM

O DEM não admite abrir mão de participar da chapa de Serra “a troco de nada”. Uma das possibilidades é o partido garantir a vice numa eventual reeleição do governador Geraldo Alckmin em 2014.

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), garante que seu partido não criará obstáculos ao ingresso do partido de Kassab na aliança. “O importante é a causa, e a causa é o Serra ganhar a eleição contra esse ideário maluco do PT, afirmou o senador Demóstenes Torres (GO).

Um dirigente do partido confessa que a legenda tem o maior interesse no apoio de Kassab à Serra porque entende que isto reduz a ameaça de perder tempo de televisão e recursos do fundo partidário para o PSD. Traduzindo: o que o DEM mais teme é a influência do PT e do governo sobre a Justiça Eleitoral para que os deputados que trocaram a legenda pelo PSD levem com eles os recursos e os minutos de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Fausto Macedo e Julia Duailibi

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

Matarazzo e Covas desistem de prévia

Categoria: Eleições 2012, José Serra

A decisão de José Serra de entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo forçou a intervenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que, ontem, reuniu-se com nomes da sigla inscritos para a prévia, marcada e mantida para o próximo 4 de março, para informá-los sobre a entrada tardia do ex-governador no páreo e negociar desistências das pré-candidaturas. A primeira baixa foi do secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, que renunciou ontem à pré-candidatura. Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente, repete o script hoje. Mas o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado estadual Ricardo Tripoli disseram a Alckmin que não desistem e não aceitaram mudar a data da consulta interna.

Alckmin chamou Aníbal e Trípoli para uma conversa no Palácio dos Bandeirantes, ainda pela manhã. Ele falou sobre a entrada do ex-governador na disputa e os sondou sobre a possibilidade de mudança na data da eleição interna – o grupo serrista quer mais tempo para aglutinar apoios em torno do nome do ex-governador.

Os dois disseram que aceitavam a entrada de Serra na corrida, mesmo fora da data de inscrição das prévias. Mas, diante da possibilidade de o debate marcado para hoje à noite entre todos os pré candidatos, Aníbal e Trípoli não recuaram. Eles argumentaram que o ex-governador deveria se submeter ao pleito do próximo domingo e também comparecer ao debate do partido.

“As prévias estão garantidas no dia 4 de março, conforme havíamos combinado em novembro”, declarou Aníbal, depois do encontro com Alckmin. “Lamento a saída dos outros dois pré-candidatos. Mas acho muito bom que o José Serra vá se inscrever.”

Tripoli, por seu lado, deixou claro que não abre mão da disputa. “A militância continua proprietária do processo. Portanto continuo candidato.”

Alckmin também informou que conversou com os outros dois pré-candidatos, Covas e Matarazzo, e que eles iriam anunciar a saída da prévia. Na conversa com os tucanos que insistem nas prévias, Alckmin também falou que, diferentemente de 2004, quando teve que desmarcar a pré-convenção então agendada para que Serra disputasse a Prefeitura, desta vez não pediria aos pré-candidatos que não concorram.

DEM – O DEM não admite abrir mão de participar da chapa de Serra “a troco de nada”. Uma das possibilidades é o partido garantir a vice numa eventual reeleição do governador Geraldo Alckmin em 2014.

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), garante que seu partido não criará obstáculos ao ingresso do partido de Kassab na aliança. “O importante é a causa, e a causa é o Serra ganhar a eleição contra esse ideário maluco do PT, afirmou o senador Demóstenes Torres (GO).

Um dirigente do partido confessa que a legenda tem o maior interesse no apoio de Kassab à Serra porque entende que isto reduz a ameaça de perder tempo de televisão e recursos do fundo partidário para o PSD. Traduzindo: o que o DEM mais teme é a influência do PT e do governo sobre a Justiça Eleitoral para que os deputados que trocaram a legenda pelo PSD levem com eles os recursos e os minutos de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

 

Tatto diz que PT precisa procurar PMDB ainda no 1º turno

Categoria: Sem categoria

Sem nenhuma dúvida de que o ex-governador José Serra (PSDB) será candidato à Prefeitura de São Paulo, o novo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), não faz rodeios: acha que seu partido corre o risco de perder a eleição na maior cidade do País, caso não se alie ao  PMDB no primeiro turno. Ex-secretário municipal na gestão Marta Suplicy, ele teme a reedição do fiasco ocorrido há quase oito anos, quando o PT rejeitou o PMDB e foi derrotado.

“O PT precisa parar de brincar de fazer política. Se há um movimento de rearticulação das forças conservadoras do lado de lá, temos de nos unir do lado de cá e procurar o PMDB”, diz Tatto, um dos entusiastas da parceria com o prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Apesar de apoiar a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, o deputado chega a afirmar que, para não ser arrogante, a direção do PT deve se sentar à mesa com os partidos da base aliada do governo Dilma e discutir até mesmo a cabeça da chapa. “Eu defendo o PMDB para vice de Haddad, mas isso não pode ser colocado como precondição”, ressalva. “Não podemos sair divididos nessa campanha. Isso é de uma miopia política muito grande.” Na avaliação de Tatto, o deputado Gabriel Chalita (SP), pré-candidato do PMDB, “não é um nome ruim”.

“Em eleição não se pode brincar. Eu lembro que quando a Marta (Suplicy, hoje senadora) era prefeita e saiu candidata à reeleição, em 2004, o PMDB queria a vice. Por erro nosso ou não, o fato é que o PMDB não esteve conosco e perdemos a eleição”, disse.

Temer garante Chalita

O vice-presidente da República, Michel Temer, avisa: parceria eleitoral com o PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo só no segundo turno. O ingresso do ex-governador tucano José Serra na corrida municipal não altera o projeto peemedebista de eleger o deputado Gabriel Chalita prefeito da capital.

Dirigentes do PMDB avaliam que vem aí um “verdadeiro cerco” do PT para desmontar a candidatura do partido em troca da vice do pré-candidato petista Fernando Haddad e já ensaiam a resistência. “Chalita é o candidato a prefeito do partido e nunca cogitou ser vice”, adianta Temer que, nos últimos dias, não foi procurado pelo PT nem por emissários do governo federal com apelos em favor da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad.

Segundo turno
Na única conversa que teve com o ex-presidente Lula sobre a disputa paulistana, há cerca de três meses, Temer ponderou que, até para o efeito de divisão de votos, o ideal seria lançar dois candidatos da base governista, aproveitando a boa penetração de Chalita na classe média alta.

“Aquele que chegar ao segundo turno apoia o outro”, sugeriu o vice-presidente. Na ocasião, Lula não discordou.
A disposição dos peemedebistas de manter a candidatura própria vai além de São Paulo.

Dirigentes do partido nas cinco regiões do País sentem-se ameaçados pela ofensiva eleitoral do PT para ampliar sua presença em municípios. Temem perder para o aliado o status de maior partido em número de prefeitos, o que enfraqueceria a legenda, que tem sua força eleitoral calcada nas bases municipalistas.

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados