Eleição paulistana põe à prova seus tabus
- 26 de maio de 2012 |
- 22h35 |
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Categoria: Eleições 2012
GILBERTO AMENDOLA
Na última segunda-feira, durante a entrega do título de cidadão paulistano ao ex-presidente Lula, na Câmara Municipal, jornalistas cercaram o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), para uma pequena sabatina de perguntas sobre o ainda fraco desempenho do pré-candidato Fernando Haddad nas pesquisas. Marinho, claro, falou que os números são circunstanciais e que, em breve, a esperada polarização com José Serra (PSDB) deve se confirmar. “Se a Dilma vai entrar na campanha? Acho que menos do que eu, como petista, gostaria”, comentou.
O que talvez Marinho ainda não saiba é que, ao menos do ponto de vista da “escrita” ou da superstição política, um certo distanciamento da presidente pode ser um ponto positivo para Haddad. O cientista político Humberto Dantas, da USP, fez um curioso levantamento em sua página do Facebook. “A partir da campanha em que Erundina saiu vitoriosa, nenhum presidente conseguiu emplacar um candidato em São Paulo – ao menos não no primeiro turno, como primeira opção.”
A teoria é fácil de demonstrar. Em 1988, Erundina não era a candidata do então presidente José Sarney. Assim como Maluf, em 1992, não era o preferido de Itamar Franco. Em 1996, Celso Pitta não era o nome de Fernando Henrique. Já em 2000, com o mesmo FHC na Presidência, quem levou a Prefeitura foi a petista Marta Suplicy. Mas, com Lula na Presidência, os prefeitos foram Serra (PSDB) e Kassab (DEM). “A eleição de São Paulo tem uma dinâmica especial e única. Tem ares nacionais, mas o presidente não consegue se impor. Ao contrário, há resistência a hegemonias partidárias”, completa Dantas.
Sucessão
A má fama presidencial não é a única “escrita” da eleição municipal. Os prefeitos da cidade têm uma certa dificuldade para emplacar seus sucessores. Mais uma vez, tendo a administração Erundina como ponto de partida, apenas Maluf e Serra apoiaram candidatos vencedores. O primeiro fez de Pitta seu sucessor; o segundo deixou a Prefeitura na metade do mandato nas mãos de Kassab – candidato que Serra apoiou em 2008 (mesmo tendo o hoje governador e colega de partido, Geraldo Alckmin, na disputa).
“São Paulo é uma cidade com muitas questões locais. Os problemas cotidianos, como transportes e saúde, afetam muito o dia a dia do eleitor. Aqui, é mesmo muito difícil fazer um sucessor. Neste sentido, acho que o Haddad deu a maior sorte de o prefeito ter fechado apoio ao Serra. Kassab vai tirar muito voto do PSDB”, comenta o cientista político Sérgio Praça, da USP. Também por esses mesmos motivos, nenhum partido conseguiu um período hegemônico, acumulando a Prefeitura, o governo do Estado e a Presidência.
O especialista em Marketing eleitoral Marco Iten também acredita que a capital tenha eleições peculiares. “Aqui, a velocidade da informação faz com que o jogo político mude muito rápido. Essa velocidade é incontrolável, até para os principais atores políticos.”
Crises
O fator imprevisibilidade só falha em uma coisa. Dantas apontou que, desde 1992, as eleições municipais ocorrem em período de grande turbulência política (leia acima, à esquerda). “Há uma grande crise por eleição. A deste ano é a do Cachoeira. Mas há quem diga que tem crise todo ano”, brinca.
Um levantamento ainda mostra que quase todos os prefeitos eleitos têm a simpatia da maioria dos vereadores. Um dos “situacionistas” mais apaixonados é Wadih Mutran (PP) – que, segundo ele próprio, “nunca se decepcionou com nenhum prefeito”.
A cientista política Roseli Coelho, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, diz que o governismo em São Paulo e em outros municípios é comum. “O poder tem uma força quase irresistível para políticos e estruturas partidárias. É difícil, para políticos, sobreviver longe do poder.”
ESCÂNDALOS
> > 1992: Impeachment do Collor (votado em julho)
> > 1996: Escândalo Sivam, com afastamento de ministro
> > 2000: Primeira cassação da história do Senado (Luiz Estevão)
> > 2004 – Escândalo envolvendo Waldomiro Diniz (assessor de José Dirceu na Casa Civil)
> > 2008 – Crise dos cartões corporativos
> > 2012 – Caso Cachoeira
SEM ‘TRINCA’
> > Prefeito, governador e presidente nunca foram do mesmo partido desde a redemocratização:
> > 1989: Erundina (PT)/ Quércia (PMDB)/ Sarney (PMDB)
> > 1993: Maluf (PDS)/ Fleury (PMDB)/ Itamar (PMDB)
> > 1997: Pitta (PPB)/Covas (PSDB)/ FHC (PSDB)
> > 2001: Marta (PT)/ Covas e Alckmin (PSDB)/ FHC (PSDB)
> > 2005: Serra (PSDB) / Alckmin (PSDB)/ Lula (PT)
> > 2009: Kassab (DEM)/ Serra (PSDB)/ Lula (PT)
> > 2012: Kassab (PSD)/ Alckmin (PSDB)/ Dilma (PT)
ALTERNÂNCIA
> > 1988/1992 – Erundina (PT) passou o cargo para Paulo Maluf (PDS)
> > 1992/1996 – Maluf fez um sucessor, Celso Pitta (PPB)
> > 1996/2000 – Pitta passou a Prefeitura para Marta Suplicy (PT)
> > 2000/2004 – Marta entregou o cargo para José Serra (PSDB)
> > 2004/2008 – Serra não acabou o mandato. Kassab (DEM, na época) assumiu a Prefeitura e foi reeleito em 2008
SEM ‘PADRINHO’
> > 1988- Luiza Erundina não era a candidata de José Sarney
> > 1992- Paulo Maluf não era o candidato de Fernando Collor
> > 1996- Celso Pitta não era candidato de Fernando Henrique Cardoso
> > 2000 – Marta Suplicy também não era a candidata de FHC
> > 2004 – José Serra não era o candidato de Lula
> > 2008 – Gilberto Kassab também não era o candidato de Lula
Jobim nega pressão de Lula sobre STF
- 26 de maio de 2012 |
- 17h54 |
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Categoria: Lula
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira.
Reportagem da revista Veja publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é “inconveniente” e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
“O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu Jobim, questionado pelo Estado. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão”, reiterou.
Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse “perplexo” com as “insinuações” do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes da capital alemã, supostamente pago por Cachoeira.
Ele teria manifestado preocupação com o ministro Ricardo Lewandowski, que deve encerrar o voto revisor do mensalão em junho; e adiantado que acionaria o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Carmen Lúcia, para que ala apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013.
Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. E que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou Veja. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos”, assegurou.
Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim respondeu: “Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer.”
Procurado pelo Estado, Pertence negou ter sido acionado para que intercedesse junto a Carmen Lúcia: “Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito.”
Lula garante PSB e PC do B a Haddad
- 25 de maio de 2012 |
- 23h02 |
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Categoria: Eleições 2012
Dois meses após terminar o tratamento contra o câncer na laringe e voltar à cena política, o ex-presidente Lula começou a colher os frutos da ação eleitoral em favor de seu candidato a prefeito, o petista Fernando Haddad.
Ontem, Lula se encontrou com o presidente do PC do B, Renato Rabelo, e com Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, para discutir os acertos finais do embarque dos comunistas na campanha de Haddad.
No dia anterior, articulara a anulação das prévias realizadas pelo PT no Recife para escolher o candidato a prefeito. Foi uma sinalização ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB. A ação será revertida no apoio da sigla a Haddad.
O ex-presidente angariou apoios que devem garantir a seu pré-candidato ao menos 6 minutos em cada blocos do horário gratuito na TV, tempo próximo ao de José Serra (PSDB).
O tucano, que deve entrar na disputa coligado com PSD, DEM, PV e PP, tem, por enquanto, cerca de 6 minutos e 30 segundos em cada bloco. Os minutos de TV são os ativos mais cobiçados da campanha. No caso de Haddad, ganham dimensão maior, já que o petista ainda é pouco conhecido pelo eleitor.
Tanto PSB quanto PC do B ainda finalizam entendimentos com o PT por aliança em cidades pelo País. Em uma delas, ambos têm candidatos fortes: Foz do Iguaçu (PR). Os petistas também avaliam a possibilidade de abrir mão de candidatura própria em Franca e em Ferraz de Vasconcelos em prol dos socialistas.
A aliança entre PT e PC do B passa pelo futuro político do vereador Netinho de Paula, pré-candidato a prefeito. Petistas avaliam que a ajuda a Netinho numa campanha a deputado federal em 2014 pode ser uma saída – ele estaria inclinado a não disputar a reeleição à Câmara Municipal.
No caso do PSB, o acerto depende da situação do presidente estadual, Márcio França. Secretário de Turismo de Geraldo Alckmin (PSDB), França trabalhou pelo apoio aos tucanos. Uma saída seria garantir o apoio do PSB à reeleição de Alckmin. Os petistas querem que os anúncios das alianças sejam feitos até dia 2, quando encontro de delegados que referendará a candidatura Haddad.
Redução de ISS
Haddad avalia reduzir o Imposto Sobre Serviços (ISS) para micro e pequenas empresas, se eleito. Ele conversou ontem sobre o assunto com pequenos empresários. O grupo apresentou reivindicações que vão da questão do ISS a um programa de microcrédito municipal para pequenos negócios.
Julia Duailibi, Fernando Gallo e Vera Rosa
Ex-vereador complica Perillo
- 24 de maio de 2012 |
- 23h11 |
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Categoria: Câmara dos Deputados, Política, Senado
Em depoimento à CPI do Cachoeira, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez complicou o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao apresentar versão diferente da que foi dada pelo tucano para a venda de uma casa.
Preso na Operação Monte Carlo sob a acusação de integrar a máfia dos caça-níqueis no Estado, Garcez disse que ele próprio comprou a casa de Perillo, providenciando e entregando três cheques a Lúcio Fiúza, assessor do governador.
Em declarações anteriores, Perillo afirmou ter negociado a casa com o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, e que Garcez teria sido apenas um intermediário na transação.
Numa fala de 20 minutos, Garcez, que se negou a responder às perguntas dos parlamentares, contou que Perillo lhe disse estar vendendo a mansão e aceitou receber R$ 1,4 milhão por ela. “Comprei a casa do governador e pedi um prazo”, afirmou, acrescentando que o acerto com o empresário ocorreu a posteriori.
Interessado, mas sem dinheiro para adquiri-la, o ex-vereador chegou, de fato, a oferecê-la a Walter Paulo, mas ele alegou que só poderia arcar com o negócio meses depois. Com isso, Garcez recorreu a Cachoeira e ao ex-diretor-geral da Delta, Cláudio Abreu, que forneceu os três cheques para que ele mesmo quitasse a mansão.
“Pedi ao Cláudio, meu patrão, e ao Carlinhos que me emprestassem o valor, para eu repassar ao governador. O Cláudio me arranjou três cheques, um de R$ 500 mil, outro de R$500 mil e outro de R$400 mil, para os meses de março, abril e maio”, detalhou o ex-vereador.
De acordo com o delegado da PF Matheus Rodrigues, que depôs à CPI, os cheques eram de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira, que seria o verdadeiro comprador. Segundo o advogado de Garcez, Ney Teles, os cheques repassados ao governador eram da Babioli, empresa de roupas infantis com sede em Anápolis.
A confecção é de José Gomide Júnior e Rosane Puglise da Costa. Os dois são citados em relatório da PF. Uma das empresas do casal, a Excitante Indústria e Comércio, recebeu R$ 250 mil da conta da Alberto e Pantoja Construções.
Perillo diz que não se ateve, à época, a quem era o emissário dos cheques, limitando-se a depositá-los. Em 29 de fevereiro deste ano, o bicheiro foi preso na casa, onde vivia com a mulher, Andressa Mendonça. O ex-vereador explicou que seu objetivo era ficar com o imóvel ou passá-lo adiante, ganhando comissão.
Com o tempo, como não conseguiu vendê-lo com lucro ou levantar dinheiro para comprá-lo, começou a ser pressionado por Abreu para devolver o empréstimo.
“Com medo de perder meu emprego, resolvi novamente procurar o professor Walter. Não consegui vendê-la por um valor maior. Eu a vendi pelo valor de R$1,4 milhão. Recebi em dinheiro e repassei ao Cláudio, quitando, assim, a dívida dos três cheques.”
O ex-vereador disse ter recebido de Walter Paulo R$ 100 mil de comissão pela venda e negou que o empresário tenha participado da transação apenas para ocultar a compra por Cachoeira.
Governador nega contradição
Perillo negou, via assessoria, contradição entre sua versão e a de Garcez. Segundo ele, a venda foi feita, de fato, ao dono da faculdade. “Garcez queria comprar a casa e não conseguiu, depois, reunir o dinheiro para fazer a aquisição. O imóvel, então, foi vendido ao sr. Walter Paulo.”
Fábio Fabrini, Alana Rizzo e Eugênia Lopes
Senado também deve liberar ‘conta-suja’
- 23 de maio de 2012 |
- 23h02 |
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Categoria: Câmara dos Deputados
Na esteira da Câmara dos Deputados, o Senado deve chancelar a liberação de candidatura de políticos que tiveram as contas eleitorais rejeitadas. A proposta visa derrubar o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral formado em março, que tornava inelegível quem estivesse nessa situação.
Quem teve contas eleitorais rejeitadas podia se candidatar em eleições anteriores porque a Justiça Eleitoral considerava inelegível apenas quem não apresentasse sua prestação de contas. Em março, porém, o TSE baixou uma nova resolução ampliando a inelegibilidade. Com esta decisão, 21 mil políticos com contas rejeitadas estariam fora da disputa, de acordo com estimativa do próprio tribunal.
A decisão do judiciário gerou forte movimentação política. O PT entrou com recurso contra a medida e outros 17 partidos da base e da oposição se uniram para pedir a revogação da resolução. Como o assunto não evoluiu na Justiça, os líderes partidários na Câmara fizeram um grande acordo e aprovaram a matéria na noite de terça-feira de forma simbólica em plenário.
Autor do projeto, o deputado Roberto Balestra (PP-GO) argumenta que a rejeição das contas sempre teve caráter administrativo para a Justiça Eleitoral. Para ele, esta ação não pode ser suficiente para restringir direitos políticos.
“A simples rejeição de contas de campanha eleitoral não pode, por si só, e sem outras considerações, conduzir à restrição dos direitos políticos, à falta de outros elementos configuradores de conduta reprovável do ponto de vista moral”.
Além de livrar a candidatura, a proposta ainda prevê multa para quem tiver as contas rejeitadas no valor da irregularidade acrescido de 10%. Os recursos devem ser destinados ao fundo partidário, distribuído justamente às próprias legendas.
Liminares
Cerca de 21 mil políticos integram o cadastro da Justiça Eleitoral de contas rejeitadas e estão, por ora, impedidos de disputar um cargo em 7 de outubro. Após as eleições, todos os candidatos têm de prestar contas sobre gastos e arrecadações da campanha. Políticos eventualmente barrados também poderão recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Eles poderão inclusive pedir liminares para garantir o registro das candidaturas.
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