Tite: ‘Quero o título no domingo’
- 22 de novembro de 2011 |
- 23h36 |
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Categoria: Brasileirão, Corinthians, Futebol
FÁBIO HECICO
WAGNER VILARON
VÍTOR MARQUES
…
Tite deixou o Corinthians em 2005 com o sentimento de que não havia cumprido a sua meta no clube. Então abriu mão de dinheiro e de uma vida mais tranquila nos Emirados Árabes para “terminar o que começou” no Brasileiro de 2004, quando salvou o time do rebaixamento.
Técnico líder do Brasileiro e a duas rodadas de erguer sua taça mais importante na carreira, o treinador espera decidir a competição já no domingo. E aposta na alma da equipe para dar a volta olímpica em Florianópolis. Nada de correr riscos e deixar a decisão para o clássico com o Palmeiras. “Não quero ser arrogante, prepotente de falar que quero decidir domingo. Mas não posso deixar de enxergar o que é real. Há a possibilidade, a gente trabalha em cima, vai buscar. Até porque os clássicos têm essa conotação de ser um campeonato à parte”, disse ele ontem (22), em visita à redação do JT.
A preparação na reta final
“Eu digo assim: temos de saber o que nos trouxe até aqui. Não tem fórmula mágica, apenas alguns ajustes. Faço planejamento tático, penso no que vou fazer no sábado, baseado no nosso comportamento e em alguns movimentos do adversário. Prefiro ficar voltado à equipe e a mim. Mais observador, consigo extrair do atleta se ele está mais ansioso e a resposta ao treinamento acaba sendo boa.”
Título no domingo
“Não quero ser arrogante, prepotente de falar em decidir no domingo, mas não posso deixar de enxergar o que é real. Há a possibilidade, a gente trabalha em cima, vai buscar. Os clássicos têm essa conotação de ser um campeonato à parte. Palmeiras x Corinthians eu já venci dos dois lados e sei como é a rivalidade, você nem sai na rua. Abre a porta do seu apartamento e o cara já diz: ‘Ganhamos!’ Ou, no lugar do ’bom dia’, vem o ‘vamos ganhar!’ Eu queria que fôssemos campeões na rodada anterior, em que ganhamos do Atlético-MG.”
Ansiedade
“Gosto de ficar com a minha família, com minhas leituras, e de fazer minhas orações que me deixam em paz. Leio (Jorge) Valdano, (José) Mourinho, Luis Freitas, um cronista português que escreve muito. Compilei uma série de reportagens, são literaturas de que eu gosto.”
Um receio
“Vamos ficar muito chateados com a gente, e eu comigo, se não tivermos o desempenho que tivemos até agora neste momento decisivo. É do jogo, é da vida, mas a sensação de não fazer, isso é uma m… A técnica e a tática já estão arrumadas, falta apenas algum ajuste. Acredito em coordenação de movimentos.”
Pressão pelo título
“Existe, mas é uma pressão salutar. Estou exigindo o que eles têm condições de dar. Não excepcionalidade. É ter gelo de dominar a bola dentro da área e colocar no gol.”
Time gelado
“Gosto muito de uma frase do Mourinho: ‘Nós devemos estar preparados para todas as situações.’ Vencendo, empatando ou perdendo. Num jogo ele tomou o primeiro gol do Barcelona (semifinal da Copa dos Campeões com a Inter, em Milão) e todos pensaram que acabou. Mas eles continuaram em cima e fizeram 3 a 1. Depois foram à final. O que digo é que é preciso preparar a bola, não precisa queimar, ficar rifando. Vai agredir, quebrar ritmo, mas tem de estar preparado. O Mourinho me inspira bastante. E também me inspiro no Phil Jackson (técnico vencedor da NBA).”
O significado de ser campeão
“É um título importante, tanto quanto a Sul-Americana (com o Inter) ou a Copa do Brasil (com o Grêmio). Mas um título no eixo Rio-São Paulo é diferente. É o reconhecimento num grande centro.”
Técnico top
“Por currículo, pelos títulos que tenho, sou, sim. Mas sei que preciso de um grande título no Rio ou em São Paulo.”
Um time sem craque
“Cada grupo é um grupo, não tem fórmula pronta. Jogador da diferença? Um Ronaldinho, um Neymar. Não é demérito o time não ter um desse quilate. Não é só o Corinthians que não teve o ‘cara’.”
O que faltou
“Se o Adriano não tivesse se machucado, talvez seria (o craque). Contra o Figueirense (primeiro turno), precisava de um cara com essas características de um pivô, um cabeceador. Não tive uma reposição. Buscamos na base, mas não achamos.”
Alex
“Potencialmente (seria o craque), mas não se confirmou. Não fez o que Neymar fez, o Montillo e Ronaldinho fizeram em alguns momentos, como agora o Fred tem feito.”
Equilíbrio
“Vejo o Santos acima, por causa de dois jogadores como Neymar e Ganso. Vejo nove equipes no Brasil que teriam condição de ser campeã. São nove times com elencos muito parecidos. Até o Palmeiras, apesar do que falam. Os quatro de São Paulo, os quatro do Rio de Janeiro, Inter, Cruzeiro, qualquer um poderia ganhar. Agora jogador excepcional, só vejo o Neymar.”
Elenco nas mãos
“Quando tenho tempo de trabalho, consigo entender as características dos atletas, como posso mexer no lado emocional, como reage. Tive tempo com Ramirez, com o Morais. Vejo papel do comentarista importante de passar ideia, às vezes dá certo. Contra o Ceará, qual foi minha ideia? Se não estávamos jogando, não estávamos criando, não fazia sentido colocar atacante. Se não armo, pra que colocar um atacante? O que eu fiz? O Morais: é dinâmico, ágil e preservo Danilo. O Morais foi muito importante nesse jogo. Modificação estrutural que fiz foi colocar Ramirez. O time trocou passes e tirou as possibilidades do Ceará, que não criou mais nenhuma chance.”
Adriano
“Eu coloquei para ele contra o Atlético-MG: ‘Adriano, você é pivô. O momento físico não é bom, não vai fazer transição, voltar até o meio e chegar na área.’ Pedi: ‘é de bico a bico da área. Aguarda lá, fiquem os dois enfiados, com o Emerson na meio.’ Por que o Liedson fez o primeiro gol contra o Atlético? Porque o Adriano estava na área, dividiu a atenção e ele conseguiu cabecear.”
Retorno ao Corinthians
“Queria retornar porque quando saí faltou alguma coisa. Tanto é assim, que quando o Andres me ligou, eu estava indo para o Mundial. Tinha qualidade de vida, ficaria bem com a esposa, a filha, tranquilo. Viveria lá só com pressão por resultado. Fora de campo, uma vida normal. Mas ele me perguntou se queria voltar. Quando liguei para casa e falei para minha esposa, Rose, esperar porque tinha recebido proposta do Corinthians, ela disse: ‘sei que tu vais voltar’.”
Pior momento no ano
“Depois da derrota para o Tolima, sem dúvida. Não sei se seria demitido se tivesse perdido para o São Paulo (0 a 0 no segundo turno). Mas esse jogo foi um marco, ficaria muito difícil (se perdesse).”
Torcida
“O foco é no meu trabalho, nas minhas responsabilidades. Filtro as coisas. Já passei por aqui. Vou dizer o que eles acrescentam: deixar o trabalho seguir. Deixem os diretores e atletas seguirem o que a gente está fazendo.”
Renovação de contrato
“Não quero nem pensar, quero ganhar o Brasileiro. Isso deixa para depois. Existe uma cultura do futebol: você tem de ganhar para ser bom. Tenho a melhor média de todos os técnicos do última década, mais que a do (Carlos Alberto) Parreira. Não comparo a do Mano Menezes porque a Segunda Divisão tem outro nível.”
Virtude e defeito
“Virtude: o trabalho em equipe, ser solidário, que uma hora um vai decidir, depois será outro, e retrato isso, que é a alma, as individualidades vão aparecendo. Defeito: eu gostaria que o time tivesse mais posse de bola com os homens de frente. Ficar com posse de bola é bom, te motiva, roda a bola, vai para o lado, faz um dois. Peço para eles calma a toda hora.”
Líder no elenco
“São vários, tem o Paulo André, o Ralf pela agressividade a competitividade. Tem a experiência do Liedson, o Adriano.”
Chicão
“Saiu (do time) por questão técnica, mas não ficou mágoa de ninguém, temos quatro bons zagueiros no elenco.”
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