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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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Kaká aproveitou a chance em grande estilo

Categoria: Futebol, Seleção Brasileira

BRASIL 6 X 0 IRAQUE

PAULO GALDIERI
Kaká ganhou a chance de voltar à Seleção Brasileira mesmo sem ter recuperado a condição de titular em seu clube, o Real Madrid. E, mesmo assim, não decepcionou. O meia aproveitou muito bem a oportunidade que recebeu após mais de dois anos longe das convocações. Contra uma equipe frágil como a do Iraque de Zico, ele se destacou.

Com um gol bem ao seu estilo – arrancada com a bola dominada e chute firme – e uma assistência, Kaká saiu de campo com a sensação de dever cumprido. Ele comandou o Brasil na goleada por 6 a 0 sobre os iraquianos, que se mostraram adversários tão ou até mais fracos do que fora a China, que apanhou de 8 a 0 da Seleção em amistoso no mês passado, no Recife.

Aliás, o jogo de ontem, em Malmo, na Suécia, mostrou muitas semelhanças com a partida de Pernambuco. Não apenas pela falta de qualidade – inocência, até – do adversário como pelas escolhas de Mano Menezes na hora de escalar a Seleção.

O técnico gaúcho apostou mais uma vez no esquema 4-2-3-1, com uma linha de três jogadores fazendo o papel de meia e apenas um atleta à frente, como referência. O trio criativo do Brasil foi formado por Kaká, Oscar e Neymar. Na frente, apenas Hulk, cumprindo uma função que não é a sua preferida.

Mas isso pouco importou contra o Iraque, uma seleção que mostrou deficiências básicas e fez o jogo parecer um encontro entre profissionais bem treinados e entrosados e um time de atletas de fim de semana.

Com tamanha facilidade para marcar, tomar a bola e armar jogadas, o Brasil logo deu pinta de que a goleada seria questão de tempo. Oscar e Kaká tabelavam com uma liberdade que talvez não tinham desde quando deram seus primeiros chutes.

E os gols foram saindo sem o menor esforço, consequência da diferença brutal de qualidade entre as duas equipes.
Oscar, com dois gols, deu a vantagem ao Brasil ainda no primeiro tempo. Os atletas do sistema defensivo, sem ter com o que se preocupar, tornaram-se rapidamente jogadores de ataque.

Desde Adriano, improvisado na lateral direita, até os volantes, passando por David Luiz e Thiago Silva, todo mundo arriscou a sua tentativa de fazer um golzinho – muitos pararam nas defesas do goleiro Sabri, o único jogador do Iraque que conseguiu algum destaque que não fosse por causa de erros.

Mas se Sabri foi o que separou o Brasil da goleada na etapa inicial, no segundo tempo ele não foi capaz de evitar que mais quatro gols acontecessem.

A torcida iraquiana foi um show à parte. Ampla maioria no estádio sueco, com tambores e roupas tradicionais, ela comemorou até lateral e passou o jogo inteiro vaiando Neymar e cantando mesmo quando a goleada já estava estabelecida. Ao que parece, o jogo pouco importava. Nem para um lado, muito menos para o outro.

Um prêmio que nem Kaká esperava

Categoria: Futebol, Seleção Brasileira

Se desta vez não houver nenhum contratempo, Kaká voltará a vestir a camisa da Seleção dia 11 de outubro. O amistoso não tem o glamour que a ocasião merecia, afinal de contas o adversário será o Iraque (dirigido por Zico), que divide com a China o 78º lugar no ranking da Fifa, mas passou a ter uma grande atração. O craque não joga pelo Brasil desde o dia 2 de julho de 2010, quando a esquadra de Dunga afundou nas quartas de final da Copa do Mundo batida pela Holanda. Sua convocação foi antecipada por Jamil Chade ontem de manhã em seu blog no portal do Estadão.

É a segunda vez que Mano chama Kaká. A primeira foi em outubro do ano passado, mas o meia não pôde se apresentar para os amistosos de 10 e 14 de novembro contra Gabão e Egito por ter sofrido uma lesão muscular na panturrilha direita jogando pelo Real Madrid. Naquela ocasião estava jogando com frequência – tinha feito cinco jogos seguidos no Campeonato Espanhol e um na Copa dos Campeões, com dois gols marcados e duas assistências dadas –, o que não é o caso agora. Kaká entrou em campo pela primeira vez na temporada quarta-feira, quando jogou 60 minutos e fez três no amistoso em que o Real Madrid bateu o Millonarios (COL) por 8 a 0. Nas partidas oficiais, ainda não jogou um minuto.

No primeiro semestre Kaká também viveu um momento melhor, com sequencia de jogos e gols entre fevereiro e abril, mas não foi levado em conta. Na coletiva que deu dia 14 de fevereiro, quando anunciou a lista de convocados para o amistoso que a Seleção faria duas semanas depois contra a Bósnia na Suíça, o técnico explicou assim a ausência do craque: “A sequência talvez tenha me mostrado outro caminho. Ele não deu a resposta que eu esperava.”

Agora que não tem sequência nenhuma, ele parece ter conquistado a confiança de Mano. “Estou acompanhando muito de perto tudo o que acontece com o Kaká, e a informação que tenho é de que ele vem treinando muito bem. Ele não foi convocado por sua produção em jogo, mas pela dedicação com que tem trabalhado. E quero deixar claro que os três gols que fez ontem não tiveram peso nenhum, porque minha decisão já estava tomada.” Kaká tem treinado muitas vezes em dois períodos por conta própria para melhorar a condição física e mostrar ao técnico José Mourinho que pode ser útil ao Real.

Houve outro motivo para o técnico trazer o craque de volta: a experiência. Com três Copas do Mundo nas costas (duas como titular), 82 jogos disputados e 27 gols marcados, Kaká é a nova aposta de Mano para servir de referência aos jogadores mais novos. Julio Cesar, Lúcio e Ronaldinho Gaúcho, os medalhões que já tiveram chance, não convenceram o treinador de que poderiam fazer esse papel.

“A responsabilidade de liderar não pode recair sobre um jogador só. O Kaká, por sua trajetória na Seleção, tem condições de ser um dos líderes. Mas nem sempre as ideias se confirmam na prática.” Quando disse essa última frase ele deve ter se lembrado de Ronaldinho…

Junto com Oscar
Mano procura alguém que ajude a acelerar o amadurecimento de garotos como Neymar, Lucas e Oscar. Em sua opinião o craque do Santos cresceu muito nos dois últimos anos, mas pode crescer mais se puder conviver com alguém que já passou por tantas batalhas na Seleção.

O técnico deixou claro que o meia chega para jogar. E junto com Oscar. “Pelas informações que tenho recebido o Kaká tem treinado numa posição mais avançada, que não é a mesma do Oscar, por isso os dois podem jogar juntos. E vão jogar, no mínimo em um dos amistosos.”O segundo jogo será contra o Japão, dia 16 em Wroclaw, na Polônia.

Seleção joga mal, mas vence o arquirrival

Categoria: Argentina, Futebol, Seleção Brasileira

BRASIL 2 X 1 ARGENTINA

VÍTOR MARQUES
Goiânia
Técnico precisa mesmo de sorte. Uma cobrança de pênalti perfeita de Neymar aos 48 minutos do segundo tempo interrompeu os intensos protestos dirigidos a Mano Menezes e garantiu a vitória por 2 a 1 sobre a Argentina.
Mano Menezes já havia sido obrigado a escutar de quase 40 mil pessoas não só gritos de “burro” – isso já havia acontecido em São Paulo –, mas da beira do campo ele ouviu em alto e som a torcida pedir Felipão, agora livre do Palmeiras e com muito apoio popular por todo o Brasil.

A paciência da torcida com o time de Mano está perto do limite. Por mais que queira apoiar, por mais que tente incentivar, o público não engole o futebol modesto e sem criatividade da Seleção. E mostra sua insatisfação.
Ontem o que se viu foi uma equipe em que faltava aproximação entre os jogadores. Quase sempre quem recebia a bola tinha de se virar sozinho para superar a forte marcação feita pelos argentinos.

Nesse esquema de Mano, com Neymar e Lucas muito abertos e um centroavante de área, é mais que urgente alguém que venha de trás. Não foi Jadson, nem Thiago Neves, que entrou em seu lugar. Paulinho tentou ser esse cara. É pouco.
O Brasil tomou a iniciativa de atacar, é verdade, e procurou o gol o tempo todo. Mas ficar com a bola sem objetividade não adianta. O Barcelona toca de um lado para outro com um objetivo: “mexer” a marcação do adversário e criar a brecha para o passe que habilitará alguém para finalizar. A Seleção tocava para lá e para cá por total falta de saber o que fazer.

Neymar era marcado de perto por Peruzzi, como já tinha acontecido nos duelos com o Vélez pela Libertadores, e não conseguia chegar à linha de fundo nem arrumar espaço para finalizar quando saía pelo meio.
Pelo lado direito Lucas se dava melhor no confronto com Clemente Rodríguez. Mas quando o superava trombava com alguém que surgia na cobertura e não conseguia dar sequência às jogadas.

A Argentina se defendia à espera de um contragolpe. E se deu bem aos 20 minutos, quando o corintiano Martínez abriu o placar. Era o cenário dos seus sonhos: na frente do placar, atrairia ainda mais o Brasil e teria mais espaços na frente.
Mas o plano naufragou pouco depois, quando Paulinho empatou de peixinho num lance em que estava impedido.

No segundo tempo Mano foi mexendo no time, que não melhorava. Os argentinos controlaram o jogo até Desábato cometer um pênalti estúpido aos 47 minutos, quando os gritos contra Mano e a favor de Felipão eram ensurdecedores.
Neymar bateu e garantiu a virada. Mas o resultado não pode esconder que o time foi mal.

Luis Fabiano está com muito apetite

Categoria: Futebol, Seleção Brasileira

VÍTOR MARQUES
ENVIADO ESPECIAL
Goiânia – Sessenta e três convocações, 43 jogos, 28 gols e uma Copa do Mundo nas costas. Ninguém que tem um passado como esse pela Seleção pode ser chamado de “novato” ou achar que está em fase de testes.

Remanescente da era Dunga, Luis Fabiano está de volta à Seleção Brasileira pela primeira vez desde o Mundial na África do Sul e se diz esperançoso em disputar a Copa de 2014. “Parece que é a primeira vez, tenho de reconquistar meu espaço.”

Luis Fabiano entra na briga pela camisa nove com Leandro Damião e Pato, que ainda não conseguiram tomar conta da posição. Um sinal de que Mano Menezes ainda não está satisfeito com ninguém é que no amistoso contra China, que pouco valeu por causa da imensa fragilidade do adversário (que perdeu por estrondosos 8 a 0 no Recife), ele escalou o time sem centroavante – com Neymar atuando pelo meio e com a função de finalizar as jogadas.

Luis Fabiano foi político no discurso que marcou seu recomeço com a camisa amarela.
“Hoje a nove não está vaga, é do Damião. Ele tem feito gols e vem dando conta do recado.”
Se Luis Fabiano for bem nesses dois jogos contra a Argentina pode continuar na lista de Mano mesmo nas futuras convocações, quando os jogadores que atuam na Europa puderem ser chamados.

Não há no futebol europeu um atacante brasileiro numa fase tão boa capaz de fazer com Mano Menezes volte a ignorar Luis Fabiano.

Com Lucas e Neymar?
No Brasil só há Damião, já que os demais parecem ser carta fora do baralho, caso de Fred. O centroavante do Inter foi o artilheiro da Olimpíada de Londres com seis gols, mas quando joga na Seleção principal costuma negar fogo. Em 12 jogos, marcou apenas dois gols.

“Sei que tem muita coisa para acontecer até a Copa, mas se estiver 100% tenho certeza de que posso estar na lista definitiva”, afirmou Luis Fabiano. “Não sou mais garoto, meu tempo está acabando e vou tentar fazer meu melhor para continuar no grupo até 2014.”

Em 2010 o Fabuloso foi o artilheiro da campanha brasileira no Mundial na África do Sul com três gols.
Mano Menezes vai armar a equipe que enfrentará a Argentina no treino de hoje à tarde no Serra Dourada – ontem os jogadores só realizaram um trabalho recreativo, de recuperação, já que a maioria dos jogadores atuou na rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro.

Como quer ver Luis Fabiano em ação, é bem possível que o treinador escale o goleador do São Paulo para formar o ataque com Lucas e Neymar. Com dois parceiros desse nível, sua volta à Seleção pode se transformar numa noite de gala.

Seleção cumpre obrigação e goleia China

Categoria: Futebol, Seleção Brasileira

BRASIL 8 X 0 CHINA

LUÍS AUGUSTO MONACO
A China foi o adversário certo na hora certa para Mano Menezes. A seleção asiática foi um arremedo de time no amistoso de ontem no Recife e perdeu inapelavelmente por 8 a 0.

O técnico disse várias vezes antes da partida que a China marcava muito bem, era taticamente organizada e havia dado muito trabalho para a máquina da Espanha ao perder por apenas 1 a 0 num amistoso disputado em junho. Mas equipe chinesa que entrou em campo no Arruda tinha pouco a ver com a que enfrentou os campeões do mundo. Apenas cinco jogadores que começaram aquela partida vieram ao Brasil e foram titulares ontem: Zeng Cheng, Zhao Peng, Zhao Xuri, Hao Junmin e Gao Lin.

Em nenhum momento a China conseguiu amarrar a Seleção Brasileira. Seus jogadores não tinham técnica, velocidade nem força física para dar trabalho na marcação. E a cada minuto que passava sua debilidade ficava ainda mais escancarada.

Sem um centroavante fixo – Mano deu a Neymar a função de jogar pelo meio perto do gol –, a aposta era na movimentação. O começo do jogo foi meio enrolado, com o Brasil não acertando a troca de passes perto da área chinesa. Mas depois que Ramires abriu o placar aos 22 minutos num lance em que tocou para Oscar e se projetou para receber na frente o jogo virou uma brincadeira.

Neymar fez o segundo ainda no primeiro tempo, e o Brasil só não aumentou o placar antes do intervalo porque alguns jogadores – Neymar e Hulk, principalmente – exageraram nas gracinhas e perderam lances fáceis.

O segundo tempo foi um massacre. A Seleção trocava passes, envolvia os atordoados chineses e criava uma situação de gol atrás do gol. Se estivesse fazendo isso contra um adversário de bom nível seria louvável – e animador –, mas contra o mistão da China era apenas a obrigação.

Festa da torcida
Em apenas oito minutos saíram mais três gols: Lucas, Hulk e Neymar. Foi só definir as jogadas com seriedade para colocar a bola na rede, e é isso o que deve ser feito quando se tem pela frente um adversário tão ruim como o de ontem.
Neymar fez o sexto, seu terceiro no jogo. E os três foram da posição de um autêntico centroavante, a poucos metros da meta.

Um gol contra e um de pênalti – que não existiu – de Oscar fecharam o placar. A torcida recifense, que só teve motivos para se divertir e festejar, gritava “olé” e aplaudia com entusiasmo. Para uma Seleção que três dias antes tinha sido vaiada sem dó pela torcida paulista por causa da atuação paupérrima que teve diante da África do Sul, o carinho dos pernambucanos foi um bálsamo.

Como teste coletivo e como parâmetro para avaliações individuais o amistoso de ontem foi inútil. É preciso esperar um confronto com um adversário decente para saber se o esquema sem um centroavante pode funcionar.
O jogo de ontem só serviu para enriquecer as estatísticas dos jogadores e registrar uma goleada escandalosa para a história da Seleção.