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Domingo, 27 de Maio de 2012
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O goleiro de uma nação

Categoria: Futebol, Palmeiras

RAPHAEL RAMOS

Às vésperas da Copa do Mundo de 2002, Marcos chamou Felipão para uma conversa reservada e fez um pedido: “Não me coloque como titular. O Rogério Ceni e o Dida estão voando, e eu estou sendo cornetado por todo mundo. É melhor você escolher um dos dois para ser o seu camisa 1.”  O treinador não deu bola para ele, e o final da história todos sabem: a Seleção conquistou o quinto título mundial com atuações importantíssimas do palmeirense, sobretudo nas oitavas de final contra a Bélgica e na decisão diante da Alemanha.

Se a Libertadores de 1999 serviu para elevar Marcos à condição de santo para os palmeirenses, a Copa do Mundo da Coreia da Sul e do Japão fez com que ele passasse a ser idolatrado e respeitado por torcedores de todo o País, até mesmo dos rivais São Paulo e Corinthians.

“Nas preleções, o Felipão passava imagens do povo brasileiro sofrido, cenas de enchentes, pobreza… E a melhor coisa de você defender a Seleção é cantar o hino nacional perfilado com os demais jogadores sabendo que o País todo está te assistindo”, relembra Marcos.

Apesar de ter iniciado aquele Mundial sem muita confiança, a ponto de ter pedido para Felipão não colocá-lo como titular, ele chegou à decisão tão seguro de si que beirou a arrogância, algo impensável para um jogador como ele. Na preleção, o treinador passou a palavra a Ronaldo, astro da companhia. E o Fenômeno prometeu marcar pelo menos um gol – acabou fazendo dois.

Marcos, então, cravou sem medo que o Brasil sairia do estádio Internacional de Yokohama pentacampeão do mundo. “Como o Ronaldo vai garantir o gol dele lá frente e por mim não passa nada hoje, esse título é nosso”, disse para delírio do grupo.

Cafu era o capitão daquele time, mas não era o único líder. Roque Júnior também havia sido escolhido por Felipão para comandar a equipe, principalmente fora de campo, e lembra da importância de Marcos naquela conquista. “Ele estava em uma fase muito boa. Tinha a confiança do Felipão e, para nós jogadores, quando você olha para trás e vê um goleiro da qualidade do Marcão você se sente mais tranquilo.”

Companheiro de Marcos no Palmeiras de 1995 a 2000, Roque Júnior o conhecia bem e sabia que ele poderia ser fundamental para apagar qualquer princípio de crise que pudesse existir. Mas nem foi preciso. “Não perdemos nenhum jogo naquela Copa, mas caso perdêssemos e um jornalista fosse entrevistá-lo, ele poderia soltar uma ou duas pérolas para desviar a atenção para ele, porque sempre foi assim”, conta.

As melhores lembranças que o ex-zagueiro tem de Marcos são da final. “Quando foi exigido, ele não decepcionou. Em uma falta cobrada pelo Neuville, por exemplo, ele se esticou todo e, com a pontinha dos dedos, espalmou a bola, que ainda bateu na trave.”

O lance citado por Roque Júnior ocorreu aos três minutos do segundo tempo, quando a partida ainda estava 0 a 0. O alemão chutou forte da intermediária, a bola passou pela barreira e, quase em cima de Marcos, fez uma curva. Neuville levou as mãos à cabeça como se não acreditasse que o brasileiro tivesse conseguido fazer a defesa. Mal sabia ele que estava diante de um santo.

O dia mais difícil de São Marcos

Categoria: Futebol, Palmeiras, Sem categoria

DANIEL AKSTEIN BATISTA

 

São 38 anos de vida, quase 20 de Palmeiras. E uma humildade sem tamanho. Marcos Roberto Silveira Reis, o São Marcos da torcida do Verdão, falou pela primeira vez sobre a aposentadoria ontem, em evento na Academia de Futebol. Foram 58 minutos de coletiva, e outro tanto de conversa depois disso. O goleiro que deve ganhar um busto no futuro estádio, do qual também será o embaixador, e ainda verá sua camisa 12 ser aposentada, prometeu não chorar na despedida. Só soltou algumas lágrimas quando falou do pai, falecido.

Hora do adeus
Vou tentar responder sem chorar, me preparei uma semana pra isso, pra não ficar com beicinho. Mas se eu soubesse que ia ter tudo isso… Caiu minha pressão, estava nervoso, ontem não dormi. Não sou de oba-oba, preferia falar: ‘parei, tchau’. É meio horrível pegar e sair do clube. Quando decidi parar, fiquei muito mal. E quando saí com o carro daqui, deu vontade de voltar e falar pro César Sampaio: é mentira. Aquele dia que o Sampaio deu a notícia pra vocês eu tirei pra chorar. E ganhei uma semana pra preparar o psicológico.

Estranha sensação
Um dia cheguei em casa, vi todas aquelas matérias sobre mim, e falei: ‘parece que morri’. A aposentadoria do jogador é mesmo como se você tivesse morrido. Você chega em casa e vê a mala, a roupa de concentração e fala: ‘rapaz, morri mesmo’. Somos dois personagens: o pai da Juju (Ana Julia) e marido da Sônia, e o goleiro. E o goleiro morreu mesmo, jogo agora só na despedida.

A decisão
Não foi algo que decidi agora. Venho falando isso há três anos. Cada vez que a gente perdia eu falava que iria parar. Usei muito o ano passado pra parar e espero que não sinta tanta falta do futebol, já que me preparei pra isso. A decisão veio mesmo quando não consegui entrar em forma. Fiz algumas partidas acima do peso e joguei abaixo do esperado. Sempre briguei muito com a balança. Corria e ficava com o joelho inchado. O corpo pediu arrego. E sabia que daqui pra frente iria ficar me arrastando pelo campo. Quando se tem uma dor muito forte é difícil ter prazer. Termino feliz com minha carreira. Fiz defesas maravilhosas, tomei frangos e dei entrevistas boas pra vocês e ruins pra mim.

Homenagens
Sobre aposentar camisa 12, fiquei muito feliz. É um pouco de egoísmo querer um número só pra mim. Camisa 1 no Palmeiras teve um monte melhor que eu, mas com a 12 acho que fui um dos melhores. E acho que vocês dão muito mais moral pra mim do que mereço.

Personalidade
Eu dava boas entrevistas. E que davam problemas pra mim, mas sempre dormi tranquilo. É difícil mudar a personalidade de uma pessoa. Hoje sempre tem alguém que diz o que você deve falar, vestir… Jogador um pouco mais antigo tinha personalidade pra falar. Hoje tem marketing daqui, manager dali. É por isso que estou aqui hoje e tenho respeito de todos. Me identifiquei muito pela torcida por ela reconhecer o torcedor que estava em campo. Muitas vezes falei muita bobagem, devia ter ficado quieto, mas sempre falei o que o coração mandava.

Marketing e futuro
Como jogador fazia pouco evento, até porque era difícil concentrar, treinar e fazer eventos. Mas quero ficar um tempo parado agora. Tenho vários projetos, muita gente me procurou. Talvez eu seja embaixador na Nova Arena. O Palmeiras pode contar comigo no que precisar. Não vou dar entrada no contrato de trabalho agora, mas vou ajudar e me preparar pra isso. Eles deixaram a porta aberta pra eu vir aqui e conversar com os amigos e isso vai ser bom pra eu não sentir tanta falta.

Paixão alviverde
É difícil viver muito tempo num clube e só ser profissional. Não dá pra não gostar, não ter amor. Sempre cobrei muito isso dos jogadores e cobrava porque queria que eles fossem iguais a mim, mas eles têm direito de ser diferentes. E sempre pedi desculpas após minhas fortes declarações.

Família
Minha mãe ficou muito triste. Aí expliquei as condições e ela entendeu. Ela perguntou se não dava pra jogar mais um tempinho e falei que estava com dor. Ela só pediu pra eu ir mais em casa. Meu pai tenho certeza que está feliz… O que ele mais me ensinou era preservar o nome e acho que isso fiz bem (chora). Quando meu pai estava doente tinha muito jogo seguido e não o vi morrer porque estava concentrado. Este ano vou tentar ficar mais próximo das pessoas de que gosto.

Esposa e filhos
É o preço que se paga pela profissão, nunca estamos no álbum de família de ninguém. Eu só tenho a agradecer à profissão, meus filhos vão ter futuro melhor por esse sacrifício. Vou ver as coisas da escola dos dois (filhos) agora e estou devendo ver o filme dos Smurfs com ela (Ana Júlia, de 8 anos). Mas a gente vê filme e eu durmo, aí ela fica brava.

Mito
Sempre tentei focar que eu gosto daqui, que ganho bem, mas que dinheiro não era a maior prioridade. Queria estar ao lado de quem eu gostava, criar uma raiz e me tornar ídolo aqui. Quem pula de time em time talvez ganhe mais, mas não será tão lembrado. Seria legal que mais jogadores pensassem assim, que dinheiro nem sempre é tudo. Não sei quando me tornei diferente. Achei injusto sair do time quando caiu para a Série B. Resolvi ficar e, sem querer, foi uma das melhores coisas que fiz na vida.

Jogo de despedida
Vou deixar pro marketing decidir. Quem sabe um jogo entre Palmeiras e Corinthians de 1999 ou 2000, ou contra o Deportivo Cali. Ou meus amigos que jogaram aqui. Mas se chamar todos os amigos vai ter que ter uma semana de jogo para todo mundo poder jogar um pouquinho.

E o time?
Agora estamos torcendo, viu presidente! Estou sem contrato e vou ‘cornetar’ na arquibancada. O Palmeiras tem bom time, mas é claro que precisa de reforços. Ano passado no papel o Corinthians não era o melhor, mas era o mais raçudo, unido.

Ídolos no gol
Tive muitos ídolos, o Carlos, o Gato Fernández, mas os maiores foram Velloso, Zetti, Ronaldo e Taffarel. O Sérgio também me ajudou muito, mas meu grande ídolo mesmo foi o Velloso.

Momentos
Talvez a melhor defesa foi uma bola que não peguei: a do Zapata, que foi para fora (final da Libertadores de 1999). Esta foi a minha maior alegria. A tristeza foi o Mundial (contra o Manchester). Cacei borboleta e deixei o torcedor triste.

Marcão vai “cornetar” o Palmeiras das arquibancadas

Categoria: Sem categoria

Os jogadores do Palmeiras que se preparem. Nesta quarta-feira, eles ganharam mais um crítico ferrenho: Marcos. O ex-goleiro, que anunciou sua aposentadoria há uma semana e, nesta manhã, concedeu a sua primeira entrevista coletiva desde então, disse que agora vai poder desempenhar um novo papel. “Estou sem contrato e vou na arquibancada cornetar”, disse, em tom de brincadeira, mas que também não deixou de ser sincera.

Ser torcedor, porém, não será uma novidade para Marcos. Quando perguntado qual a principal marca de sua carreira, ele apontou o seu lado palmeirense. “O torcedor me reconhecia como torcedor dentro de campo. Muitas vezes falei muita besteira dentro do campo, muitas vezes deveria ter ficado quieto. Mas nunca vim com discurso pronto, sempre falei o que o coração mandava”, disse o ex-goleiro, que exaltou sempre ter dormido tranquilo.

As diversas vezes em que criticou seus companheiros em entrevistas à saída do gramado renderam também diversos pedidos de desculpas feitos por Marcos. “É difícil viver muito tempo no clube e ser simplesmente profissional”, justificou. “Eu queria que os outros jogadores fossem igual eu, mas todo mundo tem o direito de ser diferente. Eu sempre tive autocrítica muito forte. Mas toda vez que a gente erra tem que pedir perdão”, lembrou.

Com a autocrítica apurada, Marcos relembrou erros ao mesmo tempo em que sua carreira era passada a limpo na última entrevista coletiva. Lembrou das vexaminosas goleadas aplicadas por Coritiba e Vitória, disse que “caçou borboletas” na final do Mundial de Clubes de 1999, na derrota para o Manchester United, que tomou “um monte de frangos” e riu do jogo contra o Grêmio, em 2008, em que foi para o ataque tentar um cabeceio aos 30 minutos do segundo tempo. “Coisa absurda, que até hoje eu não me conformo.”

Tudo isso agora faz parte da carreira de um ex-jogador. Marcos justificou a aposentadoria pela sua dificuldade de entrar em forma. “Fiz umas partidas acima do peso”, lembrou. “Sempre briguei muito com a balança, tinha que pedalar uma bicicleta, fazer esteira para entrar no peso. Só que o joelho não aguentava mais a esteira. Então fiquei nessa sinuca.”

Se corria, o joelho pegava. Se não corria, o peso atrapalhava. Aí não deu mais. “O corpo está pedindo arrego”, revelou. “Iria ficar me arrastando pelo campo e sempre prometi que quando não conseguisse mais entrar em campo iria parar.”

Ele discordou do que disse Ronaldo ao se aposentar, que havia perdido para o próprio corpo. “A gente não perde o corpo. A gente usa muito o corpo e uma hora ele vai cobrar. Eu usei muito meu corpo”, lembrou o maior ídolo recente do Palmeiras.

Mesmo acima do peso, Daniel Carvalho chega confiante

Categoria: Futebol

DANIEL AKSTEIN BATISTA
Se depender da confiança de Daniel Carvalho, o torcedor palmeirense pode ficar tranquilo. Apesar de não ter ido tão bem no Atlético-MG, ele foi apresentado ontem como a grande contratação do clube para a temporada. Claramente acima do peso, afirmou que precisa de uma semana para entrar em forma e que 2012 será o ano da volta por cima dele e do Palmeiras.
“Vamos tentar recolocar o Palmeiras no seu devido lugar. O time não teve um bom 2011, e eu também passei dificuldades pelo Atlético-MG. Espero que este ano seja melhor para os dois. Se eu jogar como joguei no fim do ano passado, posso dizer que o Palmeiras fez um bom investimento.”
Daniel Carvalho fechou com o Palmeiras até dezembro, depois que o clube chegou a um acordo com o Atlético-MG – que recebeu Pierre em troca. Caso tenha uma boa temporada, o Verdão tem a prioridade para ficar com ele.
Apesar de não ser o jogador que a torcida imaginava (nem ser nome prioritário na lista de reforços de Luiz Felipe Scolari), Daniel é o reforço mais famoso que deve chegar neste início de temporada – o clube já trouxe também o zagueiro Adalberto Román e o lateral Juninho. “Tomara que eu seja um camarão com cabeça”, brincou o atleta, referindo-se à já famosa expressão de Felipão para se referir a contratações de peso.
Ele mostrou confiança na sua primeira entrevista como jogador do Palmeiras e garantiu que não sentirá a pressão da torcida. “Confio em mim, não estou preocupado com o que os outros falam. As críticas me dão mais força para mostrar que as pessoas estão erradas.”
Daniel não estará em campo no amistoso de sábado contra o Ajax no Pacaembu. Ainda fora de forma, ele garante que ficará à disposição de Felipão para a estreia do time no Campeonato Paulista – dia 22, contra o Bragantino. Por enquanto, a ordem é emagrecer. “Não vou falar em números, mas vou ter de perder um pouco de peso. Estou até feliz, porque é menos do que eu imaginava. Com uma semana de trabalho já estarei bem.”

Palmeiras contrata Daniel Carvalho

Categoria: Palmeiras

O Palmeiras anunciou nesta segunda-feira a contratação do atacante Daniel Carvalho, de 28 anos. O jogador foi aprovado nos exames médicos e assinou contrato válido até dezembro deste ano, com a opção de prorrogar o vínculo por mais duas temporadas. Paralelamente, o Atlético-MG anunciou que o volante Pierre permanece no clube mineiro por mais três anos.

Daniel Carvalho é o terceiro jogador contratado pelo Palmeiras para a temporada 2012. Antes, a equipe havia se reforçado com o lateral-esquerdo Juninho, que se destacou no último Campeonato Brasileiro pelo Figueirense, e o zagueiro paraguaio Adalberto Román, do River Plate.

O jogador assinou contrato até 31 de dezembro de 2012, com opção de renovação por mais dois anos. Aprovado nos exames médicos, Daniel Carvalho será apresentado pelo Palmeiras na manhã desta terça-feira, após o treinamento da equipe.

Antes de defender o Atlético-MG, onde estava desde 2010, Daniel Carvalho, de 28 anos, atuou por Internacional, onde iniciou a sua carreira e teve duas passagens, CSKA Moscou, da Rússia, e Al-Arabi, do Catar. No clube paulista, o meia terá a concorrência de Pedro Carmona, Patrik e do chileno Valdivia.

O Atlético-MG explicou que assinou contrato por três anos com Pierre, que chegou ao clube em agosto de 2011, cedido por empréstimo pelo Palmeiras, e foi peça importante na recuperação da equipe no segundo turno do Campeonato Brasileiro, que impediu o rebaixamento para a Série B.

Pierre, de 29 anos, iniciou a carreira no Ituano (SP) e também defendeu o Paraná Clube antes de chegar ao time do Palestra Itália, em 2007. Além do ex-palmeirense, o Atlético-MG conta no seu elenco com os volantes Serginho, Fillipe Soutto, Richarlyson, Dudu Cearense e Leandro Donizete, recém-contratado do Coritiba. O time de Belo Horizonte também se reforçou para 2012 com o meia argentino Escudero e o atacante Danilinho.