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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014
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Corinthians vai buscar nome de estádio no Oriente Médio

Categoria: Bastidores, Copa, Copa do Mundo, Corinthians, Futebol, Futebol Internacional

PAULO FAVERO e VÍTOR MARQUES

O dinheiro para bancar parte da construção do Itaquerão, obra orçada em R$ 820 milhões, pode vir do Oriente Médio. A Qatar Foundation, instituição privada do Catar, e a Etihad Airways, empresa aérea dos Emirados Árabes Unidos, têm interesse em comprar os direitos do nome (naming rights) do estádio do Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo de 2014.

A Qatar Foundation patrocina o Barcelona e passou a investir no futebol após a escolha do Catar como sede da Copa de 2022. A Etihad Airways patrocina o Manchester City, novo rico do futebol inglês, time de Agüero e Tevez, e dá nome ao estádio do clube – para isso, pagou A 111 milhões (R$ 270 milhões) por um período de dez anos.

A diretoria do Corinthians não admite publicamente que negocia com essas duas empresas. O diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg só diz que o clube analisa ofertas e que já conversou com empresas interessadas.

O dirigente, porém, vai ao Oriente Médio em janeiro para ouvir propostas concretas. Ele vai negociar valores e falar de prazos. A dúvida é se o dirigente venderá o nome do estádio por dez, 20 ou mais anos.

Será a segunda vez desde que começaram as obras do Itaquerão que o diretor de marketing viajará ao Oriente Médio para falar com empresários. Os nomes das outras empresas interessadas em batizar o Itaquerão que estão na boca dos dirigentes são Bradesco, Nike e Santander.

Uma ala da diretoria defende que o clube feche com uma empresa estrangeira, pois isso seria parte de uma estratégia de internacionalização da marca Corinthians. Outra ala acredita que isso não tem importância e que o clube precisa fechar um contrato com quem pagar mais.

As duas empresas do Oriente Médio saem na frente por dois motivos: dinheiro não é problema para nenhuma delas e o futebol vai ganhar muito destaque na região com a Copa do Catar. Foi por esse motivo que a Qatar Foundation se interessou pelo estádio do Corinthians.

Ela está disposta a oferecer R$ 400 milhões por um contrato de dez anos para adquirir os naming rights do estádio em Itaquera. O valor é superior ao pago pelo estádio do Manchester City, mas em compensação a arena do Timão nunca foi batizada, o que aumenta seu valor de mercado.

No início do ano, Mohamed Bin Hammam, que tem ligação com a Qatar Foundation e iria concorrer à presidência da Fifa, chegou a conversar com o clube do Parque São Jorge. Por ser uma instituição sem fins lucrativos, a Qatar Foundation conseguiu patrocinar o Barcelona.

Para os árabes, batizar o Itaquerão por dez anos poderá colocar ainda mais o nome do Catar no mapa do futebol e fazer publicidade do Mundial de 2022 no estádio que receberá a abertura da Copa de 2014.

Itaquerão começa a tomar forma para a abertura

Categoria: Bastidores, Copa, Futebol, Futebol Internacional

PAULO FAVERO

Depois do anúncio de que receberá a partida de abertura da Copa do Mundo, o Comitê Paulista parte para uma nova fase de trabalho. O grande objetivo foi conquistado e agora outros passos serão dados. O primeiro será adequar todo o entorno do Itaquerão às exigências da Fifa.

No projeto estadual, o acesso ao estádio será feito principalmente via transporte público. A partir da estação Corinthians/Itaquera do metrô, o torcedor terá de caminhar alguns metros para chegar no estádio. O acesso pode ser feito também pela estação Artur Alvim. Serão dois trajetos principais de chegada do público, um de cada lado do estádio.

Além disso, haverá um heliponto que será construído perto da futura arena e dois grandes bolsões de táxi, um pouco mais distantes. A expectativa é que apenas convidados, imprensa e autoridades usem outro tipo de transporte que não seja trem, metrô ou ônibus, através dos corredores que serão construídos.

As vilas de hospitalidade, onde a Fifa oferece espaços aos seus patrocinadores, ficarão ao lado do Itaquerão e o torcedor passará obrigatoriamente por elas para chegar às arquibancadas. Também foi pensado uma área onde ficarão os caminhões de transmissão de imagens e outra para reunião dos voluntários.

100 dias de obras no Itaquerão

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PAULO FAVERO

O Corinthians comemora nesta terça (6) o centésimo dia de obras no Itaquerão. Após a assinatura do contrato com a Odebrecht, as atividades no terreno, que começaram em 30 de maio, estão em ritmo acelerado. Ricardo Corregio, gerente comercial da obra, garante que o clube não precisará dar uma esticadinha no cronograma, mesmo que a Fifa tenha se manifestado dizendo que o estádio poderá ser entregue no primeiro trimestre de 2014. “Ficará pronto em dezembro de 2013. Apesar de termos adiantamentos em relação ao cronograma, o caminho crítico da obra passa pelo prédio oeste”, explica.

Isso significa que, apesar de adiantada, o executivo prefere manter os pés no chão sobre uma das etapas mais importantes da obra que é a construção de um prédio de 11 andares (sendo três para baixo, no subsolo, de garagem), com 220 metros de comprimento e 80 metros de largura. É lá que ficarão as estruturas de recepção de vips, os camarotes e o espaço de hospitalidade da Fifa para a abertura da Copa do Mundo de 2014.

Até agora, cerca de 30% a 35% dos serviços de terraplenagem foram concluídos. E no que se refere às fundações, de 15% a 20% foi executado. “O início da cravação das estacas nós iniciamos dia 24 de julho e pelo cronograma seria apenas em meados de agosto. Também antecipamos os serviços com os blocos de fundação. A etapa de pilares seria só em outubro, mas também já começamos”, conta.

O canteiro de obras está com aproximadamente 450 funcionários. “Mas teremos um incremento significativo de 250 a 300 pessoas nos próximos dois meses. Acredito que até o final do ano teremos até mil trabalhadores no terreno”, avisa Corregio.

Ele lembra que entre os operários há muita gente que mora na zona leste e garante que o único critério que não é analisado na hora da contratação para trabalhar no canteiro de obras é o time de coração. “Queremos apenas profissionais capacitados, independentemente da torcida.”

Corregio tem visto frequentemente corintianos na porta do estádio e lideranças da região, como o padre Rosalvino. “A gente vê tudo isso como uma coisa diferenciada. Notamos as pessoas muito motivadas, mesmo as que torcem para outros clubes estão trabalhando com vontade, até pelo desenvolvimento da região. Muita gente é do entorno da obra e é comum os líderes comunitários virem aqui falar com a gente.”

Abertura da Copa será em Itaquera

Categoria: Copa do Mundo

Wagner Vilaron

Nos bastidores do futebol, o discurso dos dirigentes da Fifa é bem diferente daquele feito diante dos microfones. Durante os eventos que antecederam o sorteio das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, sábado, na Marina da Glória, no Rio, a diretoria do Corinthians teve a garantia de que o jogo de abertura do Mundial será realizado em seu estádio, em fase de construção no bairro de Itaquera.

Para a opinião pública, porém, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, passa informações diferentes. “Ainda estamos analisando essa situação (da abertura). Vamos deixar para resolver isso apenas em outubro”, afirmou, durante entrevista coletiva. A CBF adota tom semelhante.

Ao mesmo tempo que evita confirmar a informação, Valcke deixa nas entrelinhas que São Paulo é a cidade favorita para receber o evento, como sempre foi. “Sabemos do poder financeiro, comercial e político de São Paulo. Trata-se de uma das maiores cidades do mundo e uma abertura de Copa do Mundo precisa de uma estrutura que poucas cidades têm”, observou o dirigente.

O presidente Andres Sanches já trabalha sabendo que a Seleção Brasileira fará sua primeira apresentação no Mundial de 2014 no Itaquerão, dia 13 junho.

Itaquerão terá suporte de fundo imobiliário

Categoria: Bastidores, Copa do Mundo, Corinthians, Futebol, Futebol Internacional

PAULO FAVERO

Depois de muito estudo, o Corinthians decidiu usar o formato de fundo imobiliário para ajudar na construção do Itaquerão, que funcionará como uma empresa de capital aberto e dará mais transparência ao processo por permitir que todas as etapas sejam acompanhadas.

Quem esteve por trás de toda a discussão foi Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Timão. Ele confirmou que o clube usará o fundo imobiliário e só depende agora da definição de uma instituição bancária – que também pegará o financiamento de R$ 400 milhões do BNDES – para dar o pontapé inicial no projeto.

“Vamos continuar negociando, mas está perto. Será feito através de um fundo imobiliário, que melhor atende às necessidades tributárias. Vamos precisar de uma instituição, que ainda não está definida, e do atendimento de normas do BNDES para o repasse”, disse Rosenberg.

No caso do estádio em Itaquera, o fundo que será criado não tirará a propriedade do Corinthians, mas será a instituição financeira que administrará o fundo que terá a propriedade fiduciária. “São enviados relatórios mensais para os investidores e quem manda no fundo é a assembleia de cotistas. Para qualquer decisão vale o regulamento aprovado quando o fundo nasceu”, explica Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages.

Ele diz que o fundo funciona por um prazo determinado e que o cotista pode ter como ativo a propriedade imobiliária ou o direito relativo àquela propriedade por um prazo a ser estipulado, como numa concessão.

Dessa forma, o Corinthians pode colocar como atrativos aos investidores os espaços do próprio estádio, como cadeiras, camarotes e setores específicos que poderão ser criados. “E também a arrecadação da bilheteria em jogos e shows, ações de marketing e naming rights”, comenta Bidetti.

O fundo imobiliário pode gerar receita aos cotistas através de venda da propriedade ou aluguel, mas isso não ocorrerá com o Itaquerão. A receita virá dos resultados da administração do gestor do fundo e as cotas poderão até ser negociadas na Bolsa de Valores.

“No caso específico do estádio em Itaquera, a operação tende a ser altamente rentável desde que se respeite a ética e a governança. O clube conta com um alto grau de fidelidade da torcida e essa iniciativa deve lhe trazer muitos benefícios.”

Um dos modelos de sucesso que ele cita é o caso do shopping Higienópolis, que foi o primeiro fundo de varejo do País. Em 1999, investidores compraram por R$ 40 milhões 25% do projeto. que valia na época R$ 160 milhões.

“Hoje vale próximo de R$ 1 bilhão. Quem investiu no shopping recebeu mais do que o CDI rendeu no período. Comprou a cota por R$ 100 e a vende hoje por R$ 430, um ágio de 330% e distribuição de dividendos mensais acima do CDI.”