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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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Técnico vê Brasil ‘excepcional’ no handebol

Categoria: Handebol

O handebol brasileiro atingiu neste domingo (18), no Ginásio do Ibirapuera, o maior momento de sua história, com uma vitória da seleção feminina sobre a Rússia, por 36 a 20, que colocou o Brasil pela primeira vez entre os cinco melhores do mundo em um Campeonato Mundial. O quinto lugar na competição jogada em casa mostrou que a equipe comandada pelo dinamarquês Morten Soubak tem condições de jogar em igualdade de condições contra as maiores potências da modalidade.

Para o treinador, que está há frente da seleção desde 2009, o desempenho na competição foi “excepcional”. “Jogamos um Mundial excepcional e conseguimos brigar de igual para igual com todos os outros times. Erramos naqueles 15 segundos contra a Espanha”, lamentou, em referência à derrota por um gol de diferença, nas quartas de final, resultado que tirou o Brasil da briga pelo título.

Soubak aponta onde a seleção pode se aperfeiçoar para ficar ainda mais competitiva. “Claro que sempre há o que melhorar, e o principal é equilibrar mais a defesa. Em um mesmo jogo, há períodos em que tomamos muitos gols e outros em que não tomamos nenhum”, acrescentou o dinamarquês.

A conquista foi especial para a goleira Chana. Mais veterana do elenco, ela completou 33 anos neste domingo e ajudou o Brasil a atropelar a Rússia, campeã das três últimas edições do torneio. Para ela, porém, o maior ganho proporcionado pelo Mundial foi com relação aos torcedores.

“O mais importante é que colocamos a torcida do nosso lado. Tenho certeza de que ela vai nos acompanhar onde estivermos. O Mundial foi superpositivo. Jogamos mal apenas um jogo e isso não pode apagar o que fizemos nos outros sete, que foram muito bons”, completou a goleira, eleita a melhor jogadora da partida deste domingo.

A armadora Deonise promete o Brasil lutando pela sua primeira medalha olímpica no handebol em Londres. “No jogo de hoje (domingo), mesmo no limite físico e mental, conseguimos ter concentração. Agora, já estamos pensando em Londres. Pode ter certeza de que vamos atrás da medalha”, disse.

Handebol: Brasil tenta dar o grande salto

Categoria: Outros esportes, Seleção Brasileira

ALESSANDRO LUCCHETTI
O handebol do Brasil pode dar um grande salto hoje (14). Se derrotar a Espanha, pelas quartas de final do Mundial feminino, alcançará a melhor posição da história da modalidade no País. Até hoje, o melhor resultado foi a sétima colocação no Mundial de 2005, na Rússia.

A partida começará às 20h, no Ginásio do Ibirapuera, e terá transmissão ao vivo pelo canal Esporte Interativo.
Ontem, nas entrevistas coletivas que reuniram os treinadores das oito equipes que restaram, o técnico da Espanha e o do Brasil se esforçaram para jogar o favoritismo para o outro lado. “O favorito é o Brasil. Joga em sua casa e não perdeu nenhuma partida aindaâ€, disse o espanhol Jorge Dueñas de Galarza, cuja equipe sofreu uma derrota na fase inicial, para a Rússia, nada menos que a atual tricampeã mundial.

O dinamarquês Morten Soubak, que treina o Brasil, tratou logo de rebater. “É muito fácil falar de favoritismo. Adorava abordar esse assunto quando era comentarista de TV na Dinamarca. Mas eu não sabia que o simples fato de pisar em sua terra torna uma jogadora favorita.â€

De fato, como o Ibirapuera ainda não lotou durante um jogo do Brasil na competição, é questionável falar em favoritismo para o time da casa. “Quem veio ao ginásio já nos ajudou pra caramba, mas precisamos de mais genteâ€, salienta Soubak.

Apesar desse discurso, há motivos para se acreditar que o Brasil já chegou ao nível em que se encontra a Espanha, quarta colocada no Mundial de 2009. Além de ter batido o adversário de hoje num amistoso em São Bernardo do Campo, antes do Mundial, por 28 a 24, o Brasil perdeu outra partida preparatória, no ano passado, na Espanha, apenas nas penalidades – os tiros de sete metros –, depois de duas prorrogações. Além disso, a vitória na primeira fase sobre a França, atual vice-campeã mundial, encheu as brasileiras de confiança.

A Espanha joga de uma forma diferente da maior parte das potências europeias, em parte por não ter o biotipo de escandinavas, russas ou alemãs. Soubak acha que já há um jeito espanhol de jogar handebol, mas ainda não existe um estilo brasileiro. “Estamos tentando criar uma marca. No jogo contra a França foi que ela mais apareceu. Uma defesa muito agressiva, aliada a muita ofensividadeâ€, entusiasma-se o nórdico, para depois lamentar os obstáculos que encontra. “Não temos a canhota de que eu preciso. A Dinamarca tem cinco milhões de habitantes e lá sobram canhotas. Como não encontro uma aqui?â€

Seleção de handebol está cheia de moral

Categoria: Seleção Brasileira

O Brasil pretende usar como motivação a vitória sobre a França, atual vice-campeã do mundo, para chegar às oitavas de final do Mundial feminino de handebol como primeiro colocado do Grupo C. Hoje (8), a Seleção enfrentará a Romênia, no Ginásio do Ibirapuera, às 19h45.

As romenas, que ficaram com o bronze no último Campeonato Europeu, estão na segunda posição no grupo – após três jogos, somam cinco pontos, com duas vitórias e um empate. As brasileiras, que já estão garantidas na fase seguinte do Mundial, têm 100% de aproveitamento, com seis pontos em três jogos.

“Vamos jogar contra uma equipe que ficou em terceiro lugar no Europeu do ano passado. É um time de qualidade, que tem história no handebol femininoâ€, comentou o dinamarquês Morten Soubak, treinador da equipe do Brasil.

O escandinavo pede que as brasileiras esqueçam a histórica vitória sobre a França – o time perdia por 17 a 10 no fim do primeiro tempo e virou o placar para 26 a 22 –, ocorrida na noite de terça-feira, e se concentrem nas rivais de hoje.

“Essa vitória (sobre a França) nos manteve bem no objetivo de nos classificarmos com o primeiro lugar do grupo, mas temos de pensar jogo a jogoâ€, comentou a ponta Alexandra. “Vamos entrar como se fosse uma finalâ€, afirmou Soubak.

As atletas do Brasil não escondem que o “fator casa†tem sido fundamental para a boa campanha da equipe no Mundial – o principal objetivo é superar a melhor campanha da Seleção na história da competição, o sétimo lugar de 2005.
“A torcida tem sido nossa oitava jogadora em quadraâ€, disse Alexandra, lembrando do jogo contra a França. “Quando saímos de quadra no intervalo, ouvimos muitos gritos de incentivo. Isso nos deu força para levantar a cabeça e acreditar na vitória.â€

Moniky, promessa do handebol para 2016

Categoria: Outros esportes, Olimpíada, Outros esportes

PAULO FAVERO

Uma proibição de jogar futebol fez surgir um novo talento no handebol brasileiro. Impedida pelos pais de praticar o esporte mais popular do mundo, Moniky, armadora da Metodista/São Bernardo, teve de mudar de cidade para se dedicar à nova modalidade, batalhou durante dois anos para se recuperar de um problema de joelho e aos 21 já colhe os frutos de tanta dedicação. Ela e Jéssica Quintino, do Blumenau/Furb, são as duas únicas atletas convocadas para o Pan de Guadalajara que jogam no Brasil.

Nascida em Aracaju, Moniky adorava jogar futebol, mas tinha um empecilho em sua própria casa. “Meus pais não apoiavamâ€, conta. Então ela passou a se dedicar ao handebol, que praticava na escola. Como a capital do Sergipe não tem um clube profissional, ela teve de mudar de endereço. Aos 17 anos, quando já era apontada como uma promessa do esporte, veio para São Paulo para tentar a sorte. “Eu fiz um teste na Seleção juvenil com o professor Paulo Goulart, em Mossoró, e passei. Eu achava o handebol difícil, mas fui pegando o ritmo com as outras meninas.â€

A talentosa jogadora teve dificuldades de adaptação à nova cidade e ao estilo de jogo que encontrou na capital paulista, que tem muito mais pegada do que ela estava acostumada. Outro fator que a incomodou foi o clima. “No meu primeiro ano, em 2008, passei o maior frio da minha vida.†Pelo menos uma vez por temporada ela vai visitar a família em Aracaju e passa pela sensação oposta. “Eu emagreço muito quando vou para lá, pois é muito calor.â€

Ela mora em São Paulo em uma república com outras atletas, Carol, Atalita, Débora e Dayane. E sabe muito bem qual foi seu pior momento na cidade. “Passei dois anos machucada. Fui operada duas vezes no joelho esquerdo e foi muito difícil. Sorte que tinha a Marina do meu lado. Ela foi fisioterapeuta e mãe ao mesmo tempo. Cuidou muito bem de mimâ€, lembra ela.

Marina Calister, fisioterapeuta que trabalha no handebol há 14 anos, explica que no tratamento o lado psicológico pesa, pois o profissional tem de trabalhar também a cabeça do atleta. “Ela fez a primeira cirurgia e, depois de um ano, quando estava pronta para voltar, e tinha sido convocada para a Seleção, descobriram um novo problemaâ€, conta a fisioterapeuta. “Houve uma rejeição do enxerto nos ligamentos, um problema biológico. Aí foi feita outra cirurgia e começou tudo de novo, não foi fácil. Ela teve muita garra e determinaçãoâ€, completa.

A fisioterapeuta diz que 80% do resultado vem do esforço do atleta e afirma que tem a sensação de dever cumprido. “É muito gratificante, principalmente para mim, que fiquei feliz por ela. Em nenhum momento ela pensou em desistir.â€

Obstinada, Moniky não pensou duas vezes antes de deixar na sua cidade o pai, que é autônomo, a mãe, que está desempregada, o irmão e os avós para tentar o sonho olímpico. Ela faz faculdade de jornalismo e acabou de conquistar o título da Liga Nacional feminina. “O atleta tem de se superar sempre. Se tem a chance de ir para o Pan, de ser o melhor do mundo, só depende de si mesmo. Agora eu sei que consigo tudo, é só correr atrás. Tenho muita fé.â€

Disputar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, está entre as ambições da menina. Ela quer aproveitar para colocar a família em contato com o esporte. “É o sonho de toda atleta poder disputar uma Olimpíada. Ainda mais aqui no Brasil. Só de poder levar meus pais seria o máximo, pois eles nunca assistiram a uma partida minha na Seleçãoâ€, conta. Nem a maratona de jogos que está por vir a incomoda. “Estou sempre pronta. Foi a vida que a gente escolheu. Lutei o ano inteiro pelo campeonato, pelo Pan, tive uma fase dura de treinamentos. É muito legal estar nesta situação.â€

Geração de ouro: O Marcos do handebol

Categoria: Outros esportes

Márcio Fernandes/AE

Ana Paula Garrido

À primeira vista, Roney Bengivenga Franzini até engana com seu jeito quieto, concentrado nas tarefas do treino. Mas quem conhece o goleiro de perto garante que ele é muito diferente disso. “É o palhaço do timeâ€, diz o assistente técnico da equipe adulta do Metodista, Hélio Lisboa Justino, o Helinho. Espontaneidade Roney tem. Assim que começou a entrevista, ele soltou: “Você veio na pior semana. Acabei de entrar na faculdade e rasparam minha cabeça. Mas tá bom, vamos lá…â€

A cabeça raspada o deixa mais parecido com Marcos, goleiro do Palmeiras. Além da falta de cabelos, ambos têm em comum a postura de capitão e o jeito espontâneo.

Prova disso é o jogo escolhido por ele como o melhor de sua carreira. No Pan-Americano juvenil deste ano, o Brasil estava perdendo para a Argentina. Roney estava no banco, louco para entrar, e não pensou duas vezes: pediu para o técnico lhe dar uma chance. “Entrei mordendo. Consegui ganhar no grito, isso diminuiu o jogo deles. Ganhamos por duas bolas. Sempre quis isso, fazer o time ganhar pela motivação.â€

Dedicação, aliás, não falta a Roney. E o goleiro já teve de enfrentar alguns desafios. O primeiro foi ele mesmo quem quis. Logo que começou a treinar, incentivado pelo irmão, Roney foi chamado para ir para o gol porque ninguém queria. Topou na hora e nunca mais saiu de lá. “Até falei com a psicóloga da Seleção que eu gosto da função de goleiro. Se você jogar bem, a equipe consegue um empate ou vitória. Ele representa cinquenta por cento do time. Gosto de ser importante.â€

A outra prova de fogo veio na primeira convocação para a Seleção juvenil, em 2008. Ele entrou como titular e fez boa estreia contra a Venezuela: “Consegui 60% de scout (a cada dez bolas, ele pegou seis). O melhor goleiro do último Mundial teve 50%.†Mas na sequência ele pegou uma virose que deveria tirá-lo dos jogos seguintes. No entanto, Roney não se entregou. “Pedi para me botarem no jogo. Emagreci 12 quilos em uma semana.â€

A fase de azar acabou. No ano passado, ele foi campeão pan-americano e ficou em quarto na Olimpíada da Juventude, em Cingapura. O goleiro, no entanto, divide os méritos de sua evolução com todos os seus treinadores. “Cada um me ensinou uma coisa. O Cubano (Daniel Robert Suarez) mexe mais com o seu brio. O Macarrão (Ivan Maziero) já te ensina a ser mais técnico.â€

Tais ensinamentos são usados para sua mais nova missão: repetir os feitos conquistados pelo time juvenil e chegar ao auge no adulto. E Roney tem pressa. Mesmo treinando há menos de um mês na categoria principal, ele já se diz disposto a brigar por espaço. “Vou lutar por uma vaga, mesmo sabendo que ainda sou inferior.†Não é para menos quando se tem tanto amor pelo esporte e sonhos para lá de ousados. “Quero ser o melhor do mundo.†A meta o faz descartar a hipótese de abandonar o handebol, mesmo sabendo como é difícil viver desse esporte no Brasil. “Já disse que posso até morar na rua, mas vou jogar até dar certo. Por enquanto está dando.â€