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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Força, Doutor!

Categoria: Futebol

Nasci em 1983, ano em que Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou simplesmente Doutor ou Magrão, ganhou seu terceiro título paulista pelo Corinthians, foi vice-campeão da Copa América com a Seleção Brasileira e eleito o melhor jogador do continente. Seis anos depois, no Botafogo de Ribeirão Preto, ele parou de jogar. Sendo assim, não o vi desfilar pelos gramados talento, elegância e passes de calcanhar. Isso, no entanto, não significa que eu não o reconheça como um mestre da bola.

Sempre gostei de ouvir histórias dos mais velhos e ler a respeito dos craques do passado. E Sócrates foi, indiscutivelmente, um craque. Dentro e fora de campo. Sem medo de entrar em dividida, fez belos gols, deu dribles desconcertantes, lutou pela volta da democracia e reivindicou que os jogadores tiveram mais liberdade e influência nas decisões administrativas do Corinthians.

Na noite de sexta-feira, veio a notícia que ele estava internado na UTI do Hospital Albert Einstein com hemorragia digestiva provocada por hipertensão portal. Quem entende do assunto, diz que é grave.

Logo de cara, me lembrei das duas únicas vezes em que estive com o Doutor. A primeira foi em 2009. Estava em Ribeirão Preto para trabalhar na partida entre Palmeiras e Santo André, na abertura do Paulistão, e após o jogo fui com outros amigos jornalistas a uma cervejaria. Eis, então, que avisto o Magrão em uma mesa, rodeado de copos de chope. Assim que o vi, mandei uma mensagem pelo celular para um amigo são-paulino fã do Raí dizendo que havia encontrado o Sócrates e ele me responde de bate-pronto: “Agradece ele por ter ensinado o irmão mais novo a jogar.â€

Não quis incomodar Sócrates e não transmiti o recado. Mas guardei aquelas imagem e mensagem.

A outra vez que encontrei com o Magrão foi em março deste ano. Durante uma reunião de pauta do Jornal da Tarde, o companheiro Luís Augusto Mônaco sugeriu que ouvíssemos alguém para comentar a situação do Kaká. “Será que ele ainda vai voltar a jogar em alto nível?†era o tema. Logo após apresentar a sua sugestão, Mônaco emendou: “Podemos ouvir o Sócrates, um cara que, além de ser médico, conhece como poucos aquela zona do meio de campo onde o Kaká joga.â€

Saí à procura do Magrão. Liguei para os telefones que tinha na minha agenda, para a produção do Cartão Verde, programa em que ele trabalha na TV Cultura, e mandei e-mail. Nenhuma resposta. O jeito, então, foi fazer plantão na porta da Cultura. E, lá pelas 22h, lá estava eu e mais um cara na deserta rua Cenno Sbrighi, à espera do Doutor.

Não demorou muito, ele apareceu em um carro luxuoso acompanhado de uma bela loira. Tirou a cabeça para fora da janela e disse para o cara que estava ao meu lado: “P…, o que você está fazendo aqui?â€. O cara respondeu: “Preciso falar com você, mas você não atende o celular.†Para a mim, a pergunta foi outra: “Quem é você?â€. Expliquei que era do JT e, por pouco, não completei também: “Preciso falar com você, mas você não atende o celularâ€, mas achei melhor ficar quieto. Imediatamente, ele mandou a gente entrar.

Já nos estúdios do Cartão Verde descubro que aquele cara que também esperava o Sócrates era o irmão dele. Pô, se ele não atende nem o irmão, imagina eu.

Por falar em irmão, alguns meses antes eu havia entrevistado o Raí. Fiquei impressionado com a boa forma do outro craque da família Vieira de Oliveira. Aos 45 anos, ele continuava boa pinta. Já o Magrão estava inchado, cheio de cabelos brancos, olheiras…

Voltando ao nosso encontro na TV Cultura. Expliquei que gostaria de saber a opinião dele sobre o Kaká e, sem cerimônias, Sócrates começa a falar: “P…, esse caso do Kaká é f…. Esse problema que ele tem no púbis dói pra c… Mas ele ainda vai voltar a jogar bem. Hoje em dia só tem perna de pau.â€

Pergunto, então, como fica a cabeça de um jogador que passou por tantos problemas físicos. “Isso é f…. É como um cara f…, que transa com todas as mulheres e, um belo dia, brocha. Isso mexe com o cara. Ninguém sabe se, quando ele for transar com outra mulher, o p… dele vai subir ou não.â€

Conversei com o Doutor por, aproximadamente, 15 minutos. Recheado de impropérios, ele me deu um depoimento sincero, verdadeiro e sem meias palavras.

O futebol precisa de gente assim. O mundo precisa de gente assim. Força, Doutor!

Pelo título simbólico

Categoria: Brasileirão, Corinthians

VÃTOR MARQUES
vitor.marques@grupoestado.com.br

O cenário que há três dias se desenhava nebuloso se transformou num panorama favorável e promissor ao Corinthians.
Se vencer o Figueirense hoje, às 18h, no Pacaembu, voltará abrir vantagem na liderança do Brasileiro e conquistará antecipadamente o simbólico título de campeão do primeiro turno.

Parece pouco. Mas é muito para uma equipe que entrou em campo na última rodada pressionada pelo resultado positivo.
Não só venceu, após estar perdendo por 2 a 0 para o Atlético Mineiro, como viu, um dia depois, os concorrentes Flamengo e São Paulo tropeçarem.

“Não gosto de torcer para os outros perderem. Nem assisti a esses jogos, vi o compacto depoisâ€, disse Tite. “Sei que é um campeonato difícil e que as situações acontecem muito rápido.â€

O Corinthians, com 37 pontos, pode chegar a 40 hoje, seis a mais que o Flamengo. Ainda que perca o clássico contra o Palmeiras, na última rodada, terminaria o primeiro turno na liderança pelo número de vitórias.

No ano passado, o Fluminense, que acabou sendo o campeão, terminou o primeiro turno com 38 pontos – um aproveitamento de 66,7%.

Na história dos campeonatos de pontos corridos – desde 2003 –, o time que terminou o primeiro turno na frente só não ganhou o título em duas edições.

“É um parâmetro consistente. Dá trabalho e confiança. E quero que esse índice de aproveitamento (agora de 73%) extraordinário esteja sempre conosco.â€

Tite comemorou demais ter mantido a ponta, porque passou por momentos difíceis no campeonato, muito por causa dos desfalques da equipe.

Ontem, num desabafo, listou os problemas que, segundo ele, abalaram a equipe: “Perdemos três laterais-esquerdos, usamos nossos três goleiros, o Alessandro ficou fora e tive um centroavante que foi operado.â€

Afagos da diretoria
Com a vitória em Minas, Tite ganhou muitos pontos com a diretoria ao acertar na substituição que fez na partida contra o Atlético, trocando um lateral por um atacante.

Passou a receber elogios em vez de críticas por não trocar “seis por meia dúziaâ€, segundo dirigentes. E salvou sua pele com a vitória, já que havia três rodadas que o time não vencia.

“Foi uma situação específica de um jogo, e que deu certo porque os atletas fizeram bem suas funções: o Emerson entrou bem e o Jorge fez a lateral. Não foi só mérito do técnico.â€

Obstinado pela repetição, Tite disse que vai manter o esquema que começou o jogo em Minas, mas não descartou que possa começar uma partida com Jorge Henrique de lateral-esquerdo.

“A equipe vai manter o sistema 4-2-3-1. É a forma que vínhamos jogando. Fica o pepino para o técnico descascar. São quatro vagas para cinco atletas em grande momento.â€

A única alteração em relação à equipe que venceu o Atlético será a volta de Chicão.

Alessandro está confirmado na lateral direita e Welder continua na esquerda.

Um ‘show’ de estádio

Categoria: Brasileirão, Corinthians

PAULO GALDIERI
paulo.galdieri@grupoestado.com.br

O primeiro desejo do Corinthians era “apenas†ter um estádio. A ideia cresceu e, enfim, vingou. Depois, surgiu a incumbência de ser a sede paulista na Copa do Mundo de 2014, o que tornou a construção da casa alvinegra uma questão que vai muito além do peso que a obra terá para o clube. E agora o Corinthians quer transformar tudo isso – e mais o que ainda virá até que a arena esteja pronta – em um show. Literalmente.

O clube do Parque São Jorge negocia com o canal de TV por assinatura Discovery Channel a realização de um episódio em que o Itaquerão será o “personagem†do programa Megaconstruções. A atração é uma das mais populares da emissora e trata justamente da realização de grandes obras de engenharia em várias partes do mundo.

“A ideia foi do Discovery Channel. Isso vai ser muito legal por causa da enorme repercussão que o programa certamente teráâ€, disse o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg.

O lucro para o Corinthians, nesse caso, não seria financeiro, mas de exposição e valorização de sua marca e também da própria arena. A avaliação é que, caso o programa seja realizado, o estádio corintiano passará a ser mais conhecido e ganhará o status de obra de referência no gênero. A partir daí, o clube poderia tentar capitalizar em cima da notoriedade de sua arena.

Para facilitar o acordo, o clube se dispõe utilizar a infraestrutura da TV Corinthians – canal de TV por assinatura que transmite programação exclusiva sobre o clube – para gerar as imagens da obra, seguindo orientações que viriam da produção do programa e usando os padrões de captação de imagem que o canal costuma adotar em suas atrações.

Só quando a construção estivesse com cara de estádio é que a produção do canal teria de mandar uma equipe própria para fazer as imagens, inclusive com a presença do apresentador do programa – o show tem como uma de suas características colocar o anfitrião para trabalhar como se fosse um operário em algum ponto da construção.

A negociação ainda está no começo, mas como a obra do Itaquerão também engatinha e visualmente só deverá se tornar palpável a médio prazo, o clube acredita que tem tempo de sobra para fazer o projeto passar de mais um de seus planos de marketing para a prática.

Embora seja uma iniciativa inédita no País, não seria a primeira vez que a construção de um estádio seria mostrada pelo Discovery Channel em seu programa sobre grandes obras.

Em 2008, o Megaconstruções realizou um episódio em que era mostrada a construção do Cowboys Stadium, uma arena que pertence ao time de futebol americano Dallas Cowboys, dos Estados Unidos, e custou mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,6 bilhão). Esse é o estádio mais moderno – e caro – do planeta.

Problemas a resolver
Antes de virar um show para a televisão, no entanto, o Itaquerão ainda terá de passar por estágios menos glamourosos durante a sua construção.

Para começar, ainda não existe um contrato entre o Corinthians e a Odebrecht para a obra, que será tocada pela empreiteira. O impasse entre as partes a respeito do custo total do estádio ainda não foi resolvido, mesmo depois que a prefeitura de São Paulo e o governo paulista entraram na jogada para bancar parte dos custos.

Enquanto isso, os trabalhos no terreno, em Itaquera, continuam. A previsão da Odebrecht, é que o Itaquerão ficará pronto somente em fevereiro de 2014. (colaborou Vítor Marques)

A chance de Sheik

Categoria: Corinthians

VÃTOR MARQUES
vitor.marques@grupoestado.com.br

Emerson Sheik espera por uma nova oportunidade como titular no ataque do Corinthians. E ela poderá vir amanhã, contra o Figueirense, no Pacaembu. Para isso acontecer, Tite teria de mexer nas laterais da equipe, repetindo a formação do segundo tempo contra o Atlético Mineiro.
Emerson entrou no intervalo, no lugar de Alessandro, porque Tite precisava vencer o jogo. E o lateral-direito, que vinha de contusão, não estava 100%. Por isso, o treinador deslocou Welder para a direita e recuou Jorge Henrique para a lateral esquerda.

Sheik entrou no ataque e foi decisivo na partida: marcou um gol e participou dos outros dois do Timão, que virou para 3 a 2 um jogo que parecia perdido.

Tite, no entanto, continua com um problema na lateral esquerda para o jogo de amanhã. Ramón, reserva de Fábio Santos, é dúvida (ele não enfrentou o Atlético-MG). E Welder não vai tão bem na esquerda como na direita.

Tite tem como opção manter Jorge Henrique na ala esquerda ou até recuar Alex para o setor, como já fez no jogo contra o Inter. Assim, estaria aberta uma vaga no ataque. E seria de Sheik, que fez grande jogo em Ipatinga.
O treinador teria cogitado começar o jogo com a escalação do segundo tempo contra o Galo. Mas teria recuado porque a partida seria fora de casa e complicada – como, de fato, foi.

A alteração que fez no intervalo – bastante elogiada por dirigentes do time que acompanharam a delegação – pode ser mantida para a partida contra o Figueirense, porque Tite não quer saber de novo tropeço em casa.
Precisa vencer para chegar no clássico contra o Palmeiras, última rodada do primeiro turno, na liderança do campeonato.

O momento é de Sheik, como já foi de Willian, atacante que Tite bancou como titular até o empate contra o Ceará.
Na ausência de Liedson, Sheik virou titular do time. Mas não foi bem e voltou à reserva. Apesar disso, Tite elogiou o desempenho do atacante na ocasião, lembrando que ele não foi tão bem porque jogou numa posição que não é a sua, de centroavante.

Experiência a favor
Quem convive com Sheik diz que ele só pensa em virar titular. Respeita os companheiros, mas está à espera de uma nova chance, e na sua posição.

“Esse jogo (contra o Atlético-MG) é importante para mostrar reconhecimento à entrega, à dedicação, ao afinco que estou demonstrando. Hoje sei porque estou no Corinthiansâ€, disse o jogador logo após a vitória em Minas.
Até dirigentes do clube acreditam que ele cavará seu espaço no time. E que sua experiência e os títulos brasileiros conquistados pelo Flamengo (em 2009, ao lado de Adriano) e pelo Fluminense (ano passado) serão importantes para a equipe.

Ainda bem que o Corinthians tinha Sheik

Categoria: Brasileirão, Corinthians

ATLÉTICO-MG 2 X 3 CORINTHIANS

Existem vitórias emblemáticas e que são capazes de mostrar exatamente qual time briga na parte de cima da tabela e qual deles está na zona de rebaixamento. O Corinthians, líder do Campeonato Brasileiro, empurrou ontem o Atlético-MG ainda mais para o fundo do poço.

Seria um resultado normal se alguém fosse apostar quem venceria em Ipatinga, ainda que o Corinthians jogasse pressionado pela sequência ruim: o time todo e o técnico Tite estavam com a corda no pescoço.

Mas a maneira como foi construído o 3 a 2 é que não foi nada normal. O Corinthians se reergueu dentro da partida, depois de terminar o primeiro tempo perdendo por 2 a 0, virando o confronto no segundo.

Houve três personagens cruciais para esse o placar: Emerson Sheik, o nome do jogo, Tite, que o colocou no intervalo e redefiniu o rumo da partida, e Réver, que foi do céu ao inferno em poucos minutos.

“Às vezes eu entrava, não dava certo e as pessoas criticavam. Mas tenho consciência da importância que tenho e por que estou no Corinthiansâ€, falou Emerson, que era titular e foi para a reserva. Ele foi sincero e econômico nas palavras. Antes dele, o Corinthians era um caos. Depois, foi um time.

Foi tudo muito rápido. Ele entrou no intervalo e aos quatro já marcou para diminuir a desvantagem, aproveitando um desvio de Danilo. Aos sete, recebeu livre, partiu para cima da zaga e foi derrubado por Réver, que foi expulso. Alex empatou.

Tite havia sacado Alessandro no intervalo e deslocado Welder para a lateral direita para colocar o Sheik na frente.

Assim, o time ficou, na prática, com três atacantes: Emerson, Liedson e Jorge Henrique. Não havia outra alternativa para tentar virar o placar.

Com o Sheik, o Corinthians ganhou mais opções para Alex e Danilo criarem as suas jogadas. E o time ganhou em variações pelos lados, tudo o que faltou no primeiro tempo.

O Sheik estava impossível. Depois de participar diretamente dos primeiros dois gols do Corinthians, ele ainda participou do terceiro, desviando para Liedson completar para a rede, aos 29 do segundo tempo.

O Atlético-MG, que já estava jogando fechadinho, morreu.
Emerson ainda sofreu outro pênalti, nos acréscimos, mas Alex chutou mal. O Sheik deveria ter batido.

Mas o que havia feito o Corinthians antes disso, no primeiro tempo? Nada. Dois lances de um zagueiro grandalhão bastaram para o Corinthians ir à lona na etapa inicial.
Numa cobrança de escanteio, Réver se aproveitou de uma desatenção da defesa e desviou a bola de cabeça.

A zaga corintiana parou e Júlio César pediu impedimento, mas Dudu Cearense, sozinho, mandou para as redes.

No segundo gol do Atlético, o “malandro†Jorge Henrique cometeu um erro que não se comete nem mesmo em escolinha de futebol: agarrou Réver dentro da área. Pênalti.

Há juízes que marcam esse tipo de lance, outros, não. Marcelo de Lima Henrique marcou. Guilherme, aos 27, fez 2 a 0 para o Galo. Ainda bem para o Corinthians que havia o Sheik.