Estadão.com.br
Domingo, 27 de Maio de 2012
Esportes
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Timão mostra como se faz

Categoria: Brasileirão

Opinião – Vitor Marques
Se Liedson tivesse, em todos os jogos, chances de gol como teve contra o Oeste, ele jamais ficaria 13 partidas sem marcar. Os dois que ele fez ontem (e poderiam ter sido quatro) acabam com o estado de jejum, palavra maldita para qualquer atacante.
Se o Corinthians tivesse, em todos seus jogos, tantas chances claras de gol como teve em Presidente Prudente, tampouco seus placares seriam sempre mínimos, e suas partidas, entediantes. O resultado de 3 a 0 comprova que o time pode fazer muito mais do que vem fazendo se tiver ambição para isso.
A vitória mantém o time na segunda colocação do Campeonato Paulista com os mesmos 40 pontos do São Paulo, que tem melhor saldo de gols (20 a 15).
A goleada, apesar de tímida, também deve servir como modelo para Tite, ainda que pesa o fato de o rival, que já não é grande coisa, ter jogado desde os 31 minutos do primeiro tempo com um homem a menos.
O Corinthians só se tocou que podia – e tinha a obrigação – vencer e bem no segundo tempo, porque o primeiro foi uma repetição de tudo que o time fez até aqui, seja no Paulistão, seja na Libertadores.
O time se valia daquela posse de bola enganosa e que não tem comparação alguma com os exemplos que vêm de fora. Salvo jogadas individuais do rápido Emerson Sheik pela esquerda, a busca pelo gol inexistia.
E ao final do primeiro tempo, o Oeste, com dez em campo, perdia uma chance de gol incrível a poucos metros de Júlio César.
A passividade corintiana também tinha outra explicação, a de um meio de campo pouco criativo. Douglas está fora de rotação na engrenagem armada por Tite. Falta-lhe o passe em profundidade. E como ele não é Alex, o time perde em pegada e poder marcação na saída de bola.
Outra constatação que pode explicar o baixo poder de fogo corintiano, a falta de velocidade que o time possuía quando jogava com três atacantes.
Dois dos três gols saíram depois que Tite mexeu no time e mandou dois atacantes abrirem pelos lados, deixando Liedson enfiado no meio da defesa. Como o Oeste já perdia por 1 a 0 e tentou empatar jogando de igual para igual, o Corinthians ganhou a partida na base do contra-ataque.
Liedson marcou o primeiro do jogo, desviando chute de Emerson, aos nove minutos, e o terceiro, aos 45, num contragolpe que colocou quatro corintianos contra um rival do time do interior. Foi tão fácil e óbvio quanto é um time grande passar de fase nessa fórmula do Estadual.
Willian marcou o segundo gol do Corinthians três minutos depois que ele havia entrado no lugar de Douglas. Ele recebeu ótimo passe de Liedson, disparou pela ponta e saiu na cara do gol.
Um pouco de velocidade, afinal, não faz mal a ninguém, e em alguns jogos Tite pode apostar nessa fórmula novamente. Opções para isso ele tem de sobra no elenco. Willian é reserva do time, e Jorge Henrique, outro velocista, não atuou ontem.
Certamente Liedson não vai reclamar se tiver mais opções para jogar ao seu lado. Como diz Tite, ele “cheira a golâ€, mas a bola tem de chegar redonda.
Liedson acabou com jejum em grande estilo
O chute de Emerson cruzado na área vinha forte e não tinha endereço certo até que o pé de um atacante, então brigado com as redes, entrou em cena. Liedson pôs fim à seca de gols aos nove minutos do segundo tempo e abriu a vitória sobre o Oeste.
E fazia um bom tempo que uma cena tão comum quanto essa para um artilheiro não acontecia. Seu histórico recente era muito incômodo: Liedson não marcava em jogos oficiais desde 27 de novembro do passado quando ele fez o gol da vitória em cima do Figueirense pelo Campeonato Brasileiro. Neste ano, ele só havia feito um gol no primeiro jogo do ano, num amistoso contra o Flamengo durante a pré-temporada.
Ao fim da partida, o atacante estava aliviado. “Tirei um peso das costas, vai dar mais tranquilidade, sem dúvidaâ€, afirmou o atacante, que ainda ressaltou a paciência que o time e também o técnico Tite tiveram com ele.
“Eu agradeço a confiança do clube, que me ajudou demais durante esse período, confiando no meu potencial. Como eu sempre digo, o importante é que a equipe venceu, e estou feliz.â€
Coincidência ou não, Liedson foi o capitão do time. E, ao lado de Emerson, um dos destaques do time.
O atacante, além de marcar duas vezes, participou do gol de Willian, o segundo do Corinthians na partida. Ele roubou uma bola no meio de campo, puxou um contra-ataque e deixou o caminho livre para o companheiro marcar.
“Não era porque estava passando por uma situação difícil que ia mudar meu jeito de jogar. Sempre fui solidário e tento tirar proveito dissoâ€, afirmou ele, que já havia dado uma de garçom deixando Emerson na cara do goleiro no primeiro tempo.
Antes de marcar o terceiro gol do jogo, Liedson teve duas chances de balançar a rede. Mas ele as desperdiçou, como se ainda vivesse seus piores dias de jejum. Quase nos acréscimos, porém, foi premiado com mais um gol.
A expectativa para que Liedson marcasse era tanta que todos os companheiros estavam torcendo por ele.
“Todo mundo sofria junto com ele durante esse jejum. Isso mostra o companheirismo da equipe, a gente vai precisar dele durante toda essa temporadaâ€, disse o goleiro Júlio César.
Os gols de Liedson também foram uma vitória para Tite, que vinha sendo pressionado, e até questionado, por mantê-lo entre os titulares. O técnico, que dizia ter certeza que o jejum acabaria logo, estava certo.

Vitória da eficiência

Categoria: Campeonato Paulista, Corinthians, Palmeiras

É muito fácil procurar e encontrar um vilão em um grande clássico. Basta analisar o resultado da partida para se tirar a inevitável conclusão. Ontem, o sempre correto Márcio Araújo, volante do Palmeiras, foi o crucificado da rodada. Ele deu dois gols de graça ao Corinthians, que venceu de virada por 2 a 1 e despachou o último invicto do Paulistão na tarde de homenagens a Chico Anísio e em que houve mais um baleado no confronto de torcidas organizadas.

Mesmo com os vacilos de Márcio Araújo não se pode garantir que um clássico é decidido apenas por detalhes. Conta, e muito, a eficiência e a proposta de jogo. Que o diga o Palmeiras, em especial no primeiro tempo.

O time entrou para marcar os principais artífices do Corinthians. Limitar seus espaços. E usar o talento de Valdivia e a precisão de Marcos Assunção para resolver o jogo a seu favor.

Com 17 minutos, quando já vencia por 1 a 0 – gol de Assunção chutando de longe, com desvio em Castán –, o time de Felipão cumpria com rigor o que havia sido programado nos vestiários. Era assim: Márcio Araújo com marcação individual em Emerson Sheik, Cicinho colado em Jorge Henrique e Assunção no encalço de Danilo. Restava bloquear Paulinho, com bom trânsito no setor direito combinando com Edenílson. Dois contra um, no caso Juninho.

Então Felipão, puxou João Vitor da direita para socorrer Juninho na esquerda e Maikon Leite abriu na ponta-direita para inibir as investidas de Fábio Santos. Tudo bem ajustado.

Diante desse quadro, o Corinthians pouco produziu. Foi mais agudo, pressionou a saída de bola do inimigo, mas viveu de cruzamentos na área sempre em direção ao apagado Liedson. Deola teve pouco trabalho.

Se o time de Tite mantinha seu estilo de marcar forte lá no campo do adversário, errava quando era obrigado a se recolher. Não havia ninguém muito preocupado em cuidar de Valdivia, acompanhar os seus passos. Então o chileno fez o que bem entendeu. Foi dele o passe, a bola rolada, para Marcos Assunção desferir o petardo do único gol na etapa inicial.

Agora apague tudo o que se viu no primeiro tempo. No início do segundo, o clássico trocou de lado. Com seis minutos, o Corinthians virou o jogo. Em dois lances iguais: faltas na lateral com Jorge Henrique levantando na área e duas pixotadas de Márcio Araújo, que deu um gol para o Paulinho e fez outro contra.

A virada corintiana, como um relâmpago, destroçou o Palmeiras. Emerson foi jogar na ponta-esquerda em cima de Cicinho e Jorge Henrique abriu na direita, com Danilo flutuando entre Márcio Araújo e Assunção. A eficiente marcação palmeirense virou pó. Lá na frente, Valdivia já não tinha espaço para agir.

Felipão, de imediato, trocou Maikon Leite por Ricardo Bueno para encostar no sumido Barcos. Não deu certo. Depois tentou o meia Pedro Carmona no lugar de Cicinho. Em vão.

Com a vantagem no placar, o Corinthians pôde ser ainda mais Corinthians. O time se encorpou, disputou palmo a palmo cada naco de campo e se impôs com a autoridade de campeão brasileiro. Ralf e Paulinho formaram um paredão na proteção da zaga. Seguro, dono de si e empurrado por uma multidão que não deu trégua nos cânticos e na emoção, o Corinthians fez do Pacaembu a sua fortaleza intransponível.

Nem tão semelhantes

Categoria: Campeonato Paulista, Corinthians, Palmeiras

DANIEL BATISTA E VÃTOR MARQUES

É comum no futebol afirmar que em clássicos não existe favoritismo. Esse Corinthians e Palmeiras ilustra bem essa tese. O jogo entre os dois rivais, às 16h, no Pacaembu, coloca lado a lado duas equipes que muito têm em comum neste início de temporada. E apenas uma diferença gritante: o ataque.

Os dois treinadores, Tite e Felipão, conhecem bem os elencos que têm em mãos, e moldaram suas equipes às suas feições. Apesar das diferenças, Corinthians e Palmeiras são times aguerridos, que privilegiam a marcação, e têm defesas sólidas. Essa receita levou os times a disputar a liderança do Campeonato Paulista palmo a palmo. O Palmeiras é o único invicto, e o Corinthians perdeu um jogo só.

Os dois rivais chegam embalados por vitórias na quarta-feira. O Palmeiras bateu Coruripe na Copa do Brasil, e o Corinthians praticamente selou sua classificação na Libertadores vencendo o Cruz Azul.

“Os dois times estão em um grande momento, talvez seja o melhor clássico (recente)â€, disse Tite na sexta-feira.
Artilheiro do Palmeiras, a sensação Barcos já se deu conta da importância do jogo e também espera um partida vibrante. “Acredito que será um jogo lindo, como foi contra o São Paulo, de muitos gols e equilíbrio.â€

Mas só existem semelhanças entre Corinthians e Palmeiras? Não. Muito pelo contrário, há um diferença gritante: o ataque.

O time de Felipão, quem diria, faz gols como nunca, graças à boa fase do time e ao efeito Barcos, que marcou nove gols em 11 jogos – contra o São Paulo, em seu primeiro clássico, o argentino fez dois. “Marcar em jogos importantes é melhor ainda, espero continuar fazendo isso.â€

O Palmeiras tem, ao lado do São Paulo, o melhor ataque do Estadual, com 32 gols. Além disso, hoje nem é tão mais dependente de Marcos Assunção como há pouco tempo.

O Corinthians perdeu a embocadura pelos gols, mesmo tendo vários atacantes de bom nível, casos de Liedson, Emerson, Jorge Henrique e Elton. O time tem jogado bem, pressiona o adversário, mas vence suas partidas por placares magros.
Essa é hoje a maior deficiência do Corinthians e virou um assunto que tem irritado Tite. “Essa história de só 1 a 0 tá ficando chataâ€, disse o técnico, após a vitória por 1 a 0 sobre o Cruz Azul.

Na sexta-feira, já mais calmo ele foi ao ponto central: “A eficiência é importante e precisamos ser mais eficientes, mas teremos jogos que criaremos menos que contra o Cruz Azul e marcaremos mais gols.â€

Felipão aposta muito no retorno de Valdivia ao time com total liberdade para criar jogadas e deixar Maikon Leite livre. Nessa dupla e tendo um finalizador como Barcos, o Palmeiras espera ganhar o jogo. Além deles, o lateral Juninho também vem bem pelo lado esquerdo.

Tite tem a seu favor o entrosamento do meio de campo, com Ralf, Paulinho e Danilo. Os jogadores têm se desgastado muito nas partidas, principalmente na Libertadores, pela pegada forte que Tite tem exigido. Mesmo assim, o treinador garante que a parte física está bem.

Será o reencontro das equipes após a confusão na partida da última rodada do Brasileiro de 2011, que deu ao Corinthians o título nacional.

Corinthians conquista o empate

Categoria: Campeonato Paulista

Nenhum torcedor deve estar realmente se lamentando, mas o Corinthians não é mais o líder do Campeonato Paulista. Com pensamento totalmente voltado à Libertadores, a equipe alvinegra entrou em campo apenas com reservas e empatou por 3 a 3 para o lanterna Comercial, neste domingo, em Ribeirão Preto, em confronto válido pela 14ª rodada.

Com a cabeça no jogo com o Cruz Azul na quarta-feira, o time da capital só empatou no fim com o time que começou a rodada com o pior ataque do torneio (apenas 10 gols). O Botafogo marcou com Elton, com o veterano zagueiro Fabão e com Marcelo Ferreira. Emerson, que virou reserva após uma lesão no púbis, Gilsinho e Ramón anotaram para o Corinthians, que mesmo assim manteve-se com a melhor defesa do estadual (nove gols tomados).

Com o resultado, o clube do Parque São Jorge foi a 31 pontos e viu o arquirrival Palmeiras, que venceu a Ponte Preta no sábado, chegar aos 32 e roubar a ponta do torneio. Já o Comercial, que vinha de sete derrotas seguidas e voltou a vencer depois de dez rodadas, foi a 8 pontos, mas segue seriamente ameaçado pelo rebaixamento à Série A-2.

Na próxima rodada do Paulista, o Corinthians pode recuperar a liderança no clássico com o Palmeiras. Já o Comercial visita a Portuguesa.

O jogo
Os reservas do Corinthians começaram a partida com a disposição de quem atuava em casa. Com o apoio de boa parte do público no Palma Travassos – e com as orientações de Tite, que berrava tanto quanto os mais empolgados torcedores –, os jogadores experientes da equipe assumiram a missão de liderar os novatos. A bola passava com frequência pelos pés de Emerson, Willian e Douglas.

O Comercial, verdadeiro dono da casa, não se assustou com as investidas iniciais do Corinthians. Promoveu um rodízio de faltas para conter o ímpeto do adversário nos primeiros minutos de partida e passou a apostar em chutes de longa distância e cruzamentos na área. A estratégia satisfez o até então comedido técnico Geninho à beira do campo.

Emerson, então, roubou a cena em Ribeirão Preto. Acertou o travessão duas vezes consecutivas, uma em um chute forte após assistência de Willian e outra em uma arrancada em velocidade, e lamentou-se bastante pelas chances desperdiçadas quando o árbitro Alessandro Darcie paralisou a partida para os atletas se reidratarem, aos 20 minutos.

O Comercial não demorou muito a responder. Elionar Bombinha também mandou a bola no travessão com uma cabeçada, aproveitando cruzamento da direita. E, aos 31 minutos, o atacante ajeitou para Elton bater de fora da área, acertar o canto e abrir o placar. Radiante, o jogador correu quase o campo inteiro para comemorar. “É para Cuiabá!â€, gritou, para uma câmera de televisão.

A festa do Comercial se transformou em reclamação quatro minutos depois. Douglas bateu falta na área, e Elton caiu. O árbitro assinalou pênalti para o Corinthians, para revolta dos donos da casa. Era a oportunidade de Emerson finalmente anotar. O Sheik contrariou a ordem de Tite, que havia indicado Willian para a cobrança, e bateu com categoria para igualar o jogo.

Logo no princípio do segundo tempo, contudo, o Comercial voltou a ficar à frente no marcador. Aos seis minutos, Rafael Tavares cabeceou a bola na trave depois de cobrança de escanteio. O veterano zagueiro Fabão ficou com o rebote e estufou a rede. Aos 14, quase o terceiro gol: Elionar Bombinha chegou a acertar a cabeçada, porém em posição de impedimento.

Como o Corinthians jogava mal e não conseguia reagir, Tite promoveu as entradas de Bill e Vitor Júnior nos lugares de Elton e Willian. Não surtiu efeito. Mais bem organizado em campo, o Comercial ainda ampliou. Aos 32, Marcelo Ferreira ficou com a bola, mal afastada por Marquinhos após cruzamento da esquerda, e empurrou para o gol. Foi o suficiente para a torcida da casa gritar “olé†antes do apito final.

Era cedo, contudo, para subestimar o Corinthians. Aos 44 minutos, Gilsinho (que havia substituído Cachito Ramírez) renovou as esperanças dos visitantes ao cabecear para o gol após cobrança de escanteio. E, aos 47, Ramon tirou proveito de uma jogada de Bill seguida de falha do goleiro Alex Santana para empatar.

Ficha técnica:

COMERCIAL 3 X 3 CORINTHIANS

COMERCIAL: Alex Santana; Marcelo Ferreira, Marcel, Fabão e Wellington; Ricardo Conceição, Rafael Tavares, Elton e Marcelo Labarthe (Jordã); Leandro (Enílton) e Elionar Bombinha (Rodrigo Costa). Técnico: Geninho

CORINTHIANS: Danilo Fernandes; Weldinho, Marquinhos, Antônio Carlos e Ramon; Gomes, Cachito Ramírez (Gilsinho) e Douglas; Willian (Vitor Júnior), Elton (Bill) e Emerson. Técnico: Tite

Gols: Elton, aos 31, e Emerson, aos 37 minutos do primeiro tempo. Fabão, aos 6, Marcelo Ferreira, aos 32, Gilsinho, aos 44, e  Ramon, aos 47 minutos do segundo tempo.

Ãrbitro: Alessandro Darcie (SP).

Cartões amarelos: Marcel, Fabão, Leandro e Ricardo Conceição (Comercial); Ramon (Corinthians).

Local: Estádio Francisco de Palma Travassos, em Ribeirão Preto (SP).

Corinthians nega rescisão para punir Adriano

Categoria: Corinthians

Vítor Marques, de O Estado de S.Paulo

A diretoria do Corinthians não faz mais questão de esconder que perdeu a paciência de vez com Adriano. E como forma de punição, o clube vai continuar deixando o atacante fora dos jogos até ele entrar em forma. A vontade de muitos dirigentes era rescindir o contrato do Imperador – o vínculo vai até junho. Mas se esta decisão fosse tomada, avaliam os cartolas, seria uma espécie de “prêmio” ao atacante, que teria mais três meses de salário sem fazer nada (ele ganha R$ 380 mil por mês).

Esta decisão está descartada, mas se Adriano pedir para conversar com o clube pode haver uma saída mais amigável. Ele abriria mão dos salários e continuaria sua vida longe do Corinthians. Nenhum clube o procurou até agora, garantem os dirigentes. Nem mesmo o Flamengo, onde ele tem moral com a direção e com a torcida. “Falam do Flamengo, mas é só especulação”, disse Roberto de Andrade, sábado, no Pacaembu.

Após ter sido barrado do jogo contra o Guarani, no sábado, por má forma física, Adriano conseguiu dois dias de folga. O atacante pediu dispensa do treino de ontem e como hoje já não havia atividade programada para quem não viajou ao México, o polêmico jogador só volta ao CT amanhã.

A diretoria nega que Adriano tenha feito isso para repensar sua vida e decidir se pedirá para sair. Oficialmente, está descartada a rescisão de contrato. “Sequer conversamos sobre isso”, disse o diretor adjunto de futebol, Duílio Monteiro Alves. “O Adriano fez uma carga pesada de treinos no sábado porque não enfrentou o Guarani. Se tivesse jogado faria apenas uma recuperação, o que não é treino. Mas ele conversou, pediu dispensa e nós demos.”

A situação do atacante não é confortável, e parte da diretoria gostaria de vê-lo longe do Parque São Jorge. Vários dirigentes que estiveram na partida contra o Guarani mostraram total descontentamento com o comportamento até desleixado que ele apresenta nos treinamentos. “O jogo contra o Guarani era a grande chance de ele ter jogado e marcado gols. Mas ele não aproveita. O que podemos fazer?”, disse um dirigente ao Estado.

No final do ano passado, o Imperador recebeu sondagens de clubes do Oriente Médio, mas as negociações não avançaram porque o próprio atleta, de 30 anos, disse que não quer mais jogar no exterior.

Adriano foi barrado da partida contra o Guarani na sexta-feira à tarde. Tite disse que tomou a decisão porque o atacante treinou abaixo do esperado durante a semana. Depois disso, Adriano se recusou a fazer uma pesagem de rotina, o que gerou ainda mais polêmica. Ele agora é aguardado no clube amanhã para dar sequência aos treinos. Se treinar bem poderá enfrentar o Comercial, domingo, pelo Paulistão.