Seleção joga mal, mas vence o arquirrival
- 20 de setembro de 2012 |
- 0h30 |
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Categoria: Argentina, Futebol, Seleção Brasileira
BRASIL 2 X 1 ARGENTINA
VÍTOR MARQUES
Goiânia
Técnico precisa mesmo de sorte. Uma cobrança de pênalti perfeita de Neymar aos 48 minutos do segundo tempo interrompeu os intensos protestos dirigidos a Mano Menezes e garantiu a vitória por 2 a 1 sobre a Argentina.
Mano Menezes já havia sido obrigado a escutar de quase 40 mil pessoas não só gritos de “burro” – isso já havia acontecido em São Paulo –, mas da beira do campo ele ouviu em alto e som a torcida pedir Felipão, agora livre do Palmeiras e com muito apoio popular por todo o Brasil.
A paciência da torcida com o time de Mano está perto do limite. Por mais que queira apoiar, por mais que tente incentivar, o público não engole o futebol modesto e sem criatividade da Seleção. E mostra sua insatisfação.
Ontem o que se viu foi uma equipe em que faltava aproximação entre os jogadores. Quase sempre quem recebia a bola tinha de se virar sozinho para superar a forte marcação feita pelos argentinos.
Nesse esquema de Mano, com Neymar e Lucas muito abertos e um centroavante de área, é mais que urgente alguém que venha de trás. Não foi Jadson, nem Thiago Neves, que entrou em seu lugar. Paulinho tentou ser esse cara. É pouco.
O Brasil tomou a iniciativa de atacar, é verdade, e procurou o gol o tempo todo. Mas ficar com a bola sem objetividade não adianta. O Barcelona toca de um lado para outro com um objetivo: “mexer” a marcação do adversário e criar a brecha para o passe que habilitará alguém para finalizar. A Seleção tocava para lá e para cá por total falta de saber o que fazer.
Neymar era marcado de perto por Peruzzi, como já tinha acontecido nos duelos com o Vélez pela Libertadores, e não conseguia chegar à linha de fundo nem arrumar espaço para finalizar quando saía pelo meio.
Pelo lado direito Lucas se dava melhor no confronto com Clemente Rodríguez. Mas quando o superava trombava com alguém que surgia na cobertura e não conseguia dar sequência às jogadas.
A Argentina se defendia à espera de um contragolpe. E se deu bem aos 20 minutos, quando o corintiano Martínez abriu o placar. Era o cenário dos seus sonhos: na frente do placar, atrairia ainda mais o Brasil e teria mais espaços na frente.
Mas o plano naufragou pouco depois, quando Paulinho empatou de peixinho num lance em que estava impedido.
No segundo tempo Mano foi mexendo no time, que não melhorava. Os argentinos controlaram o jogo até Desábato cometer um pênalti estúpido aos 47 minutos, quando os gritos contra Mano e a favor de Felipão eram ensurdecedores.
Neymar bateu e garantiu a virada. Mas o resultado não pode esconder que o time foi mal.
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Base paulista para encarar a Argentina
- 18 de setembro de 2012 |
- 22h24 |
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Categoria: Argentina, Futebol, Seleção Brasileira
VÍTOR MARQUES
ENVIADO ESPECIAL
…
Goiânia – Contra a falta de treinamento, nada melhor do que aproveitar o entrosamento de jogadores que atuam juntos. Contra a falta de tarimba da equipe, a aposta no único jogador do grupo que já participou – e como titular, diga-se de passagem – de uma Copa do Mundo. Foi com base nesses dois critérios que Mano Menezes escalou a Seleção que hoje à noite enfrentará a Argentina em Goiânia na partida de ida do “Superclássico das Américas” – a volta será dia 3 em Resistencia.
O Brasil entrará em campo com três jogadores do Corinthians (Fábio Santos, Ralf e Paulinho) e três do São Paulo (Jadson, Lucas e Luis Fabiano) para fazer companhia ao talento de Neymar. E o Fabuloso, que vestirá pela primeira vez a camisa da Seleção desde a derrota para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, deve ser o capitão do time.
Luis Fabiano está para este grupo como Ronaldinho Gaúcho estava para o que disputou – e venceu – a primeira edição do Superclássico, em 2011. É ele o jogador que Mano quer ver como referência para os companheiros.
“O Luis Fabiano está de volta por esse critério. Já tentamos com outros jogadores, e teremos outros mais para a frente”, afirmou o treinador, dando a entender que mais atletas rodados podem ser resgatados para dar base de sustentação ao time que vai disputar a Copa de 2014.
O Fabuloso adorou a formação escolhida pelo treinador, principalmente pela chance de trocar passes com Neymar. “É bem melhor ter o Neymar do seu lado do que contra. Ele é um jogador fantástico. Há cinco meses eu nem imaginava que estaria aqui, porque vinha sofrendo para conseguir ficar 100% no São Paulo. E agora jogar junto com o Neymar e o Lucas é um prêmio.”
Casa cheia
A Seleção fez apenas um treino – ou melhor, um mini treino – em Goiânia. Daí a estratégia de Mano de usar jogadores que se conhecem bem. “Vamos fazer um treino tático de uns 30 minutos, uma oração para que tudo dê certo e vamos para o jogo”, disse o treinador momentos antes de levar os jogadores para o Serra Dourada ontem à tarde.
Em seu terceiro jogo seguido no Brasil – vem de vitórias sobre África do Sul e China em São Paulo e no Recife –, a Seleção terá o apoio que tanto pede. Até ontem haviam sido vendidos 39 mil dos 42 mil ingressos colocados à disposição do público. E os torcedores têm se mostrado muito calorosos com os jogadores. Para continuar bem com a torcida o time terá de corresponder em campo, porque em junho do ano passado os goianos trataram muito bem a equipe antes do amistoso com a Holanda e depois vaiaram sem dó para protestar contra a atuação opaca no jogo que terminou sem gols.
No Morumbi, que recebeu mais de 50 mil pessoas, já se sabia que a torcida não estava muito disposta a incentivar o time. No Recife, a Seleção foi recebida com carinho, mas o jogo contra a patética equipe chinesa atraiu menos de 30 mil pessoas ao Estádio do Arruda. Hoje, pelo menos no início, serão mais de 40 mil vozes empurrando a equipe.
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‘O importante é saber jogar’
- 23 de agosto de 2012 |
- 21h29 |
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Categoria: Corinthians, Futebol
VITOR MARQUES
Ao acertar contrato com o Corinthians, Juan Manuel Martínez, ‘El Burrito’ Martínez, pegou referências com um companheiro de Vélez, o zagueiro Sebastián Dominguez que atuou no Timão ao lado de Tevez e Mascherano em 2005. “Ele me disse que é a maior equipe do Brasil”, disse Martínez, em entrevista exclusiva ao JT. Agora, o atacante quer seguir rumo próprio. Evita comparações com Tevez e também o lugar-comum de que brasileiro gosta de jogador argentino porque é mais aguerrido. “De nada serve ser aguerrido se não jogar bem. Futebol se joga dentro do campo.” Leia a entrevista com o jogador, que espera chance no time titular de Tite domingo contra o São Paulo.
JT: Você é muito identificado com o Vélez Sarsfield e já disse que um dia gostaria de voltar ao clube. Como está sendo essa fase de adaptação no Corinthians?
Martínez: Estou muito feliz aqui e creio que, dia após dia, vou me sentir mais cômodo, tanto dentro quanto fora do campo.
JT: Quais foram suas primeiras impressões do Corinthians?
Martínez: Eu já conhecia Corinthians porque é uma grande equipe, onde jogaram vários argentinos e um deles é meu amigo, o Sebastián Dominguez. E ele me falou como é o Corinthians. Aqui jogaram também o Tevez, o Mascherano, e é conhecido em grande parte por isso.
JT: O que o Sebá lhe disse sobre o Corinthians?
Martínez: Ele me disse que é a maior equipe do Brasil, que São Paulo é uma cidade grande, que o time tem muita torcida, e que quando eu chegasse aqui iria dar me conta do que é jogar na maior equipe do Brasil.
JT: Muitas pessoas comparam o Corinthians com o Boca Juniors. O que acha disso?
Martínez: Creio que são clubes distintos. O Corinthians é a maior equipe, uma das maiores do Brasil. Na Argentina, o Boca tem o River. Em quantidade de torcedores também são diferentes, por causa do tamanho do Brasil. Nos torneios internacionais o Boca tem uma diferença em relação a Corinthians, pela quantidade de títulos, como em Copas Libertadores. Nisso também se diferencia do River, que é uma equipe grande da Argentina, que ganha mais torneios locais. São duas histórias distintas.
JT: E em relação ao Vélez, seu antigo clube, há alguma comparação com o Corinthians?
Martínez: Não, são totalmente distintos quanto à torcida. O que se parece muito é o complexo de treinamento, nisso se parece muito.
JT: Mas o modo como as equipes estão jogando do ponto de vista tático são similares, não?
Martínez: Na maneira de jogar é similar, não igual, mas tem uma ideia muito parecida com a do técnico Tite, que é o 4-2-3-1. Jogamos igual, mas, claro, os companheiros são outros. Então tudo vai mudando de acordo com os companheiros.
JT: Você interessava ao Santos, ao Flamengo e a times da Europa como Valencia e Genoa. Por que optou pelo Corinthians?
Martínez: Sim, havia várias equipes e de diferentes mercados. Mas optei pelo Corinthians pela proximidade da Argentina, pelo momento do clube, campeão da Libertadores. Estar numa grande equipe e perto da família me influenciou.
JT: O Santos chegou perto…
Martínez: Falamos com o vice-presidente do Santos, mas eu disse que estava falando com gente do Corinthians e que depois lhe dava uma resposta. E dei: disse que não, que ia para o Corinthians.
JT: Você teme comparações com Tevez?
Martínez: Não temo, cada um faz seu caminho, sua história. Quero fazer o meu caminho aqui e que as coisas saiam da melhor maneira para Corinthians e para mim com a torcida.
JT: Tevez ganhou a torcida pela maneira de jogar, aguerrido, que é uma característica do jogador argentino. Concorda com isso?
Martínez: É uma característica do argentino ser aguerrido, mas o mais importante é jogar. De nada serve ser aguerrido se não jogar bem. Futebol é dentro de campo.
JT: Quais são as principais diferenças entre o futebol argentino e o brasileiro?
Martínez: Os estádios são maiores aqui. O contato físico na Argentina é maior, aqui marcam muito jogo de corpo. Na Argentina, para que te marquem uma falta tem que ser forte, lá se marca menos falta. Para mim aqui é melhor (risos).
JT: Gostou de jogar no Pacaembu e ver a torcida do Corinthians?
Martínez: É muito lindo e é sempre melhor começar como titular, como foi contra o Inter. Senti muito o carinho da torcida, e isso é muito importante para o jogador.
JT: Você marcou um gol contra o Santos, mas o Corinthians perdeu o clássico. Não deve ter sido tão bom assim o primeiro gol…
Martínez: Do lado pessoal foi bom, porque pude fazer meu primeiro gol pelo Corinthians. Mas não serviu muito, porque perdemos. Mas a equipe jogou bem e mereceu ganhar, mas por uma série de erros da arbitragem acabamos perdendo. É do futebol: um dia se equivocam contra você, outro dia a seu favor.
JT: Qual sua opinião sobre Neymar?
Martínez: É um grande jogador, nas vezes que vi. Quando jogou contra mim no Vélez nos o neutralizamos muito bem, mas é um jogador que faz a diferença.
JT: Vai a campo contra o São Paulo?
Martínez: Não sei, tenho de trabalhar esta semana para ser titular ou para ficar no banco. Penso em fazer o melhor para a equipe.
JT: Quando crê que será titular?
Martínez: Tem que perguntar a ele (risos).
JT: A posição na qual você vem jogando é parecida com a que jogava no Vélez?
Martínez: É muito similar, mas creio que o meu rendimento será melhor e vou me adaptar mais rápido.
JT: Quando começaram a chamar você de ‘Burrito’, em alusão ao ex-jogador Ortega?
Martínez: Começou quando eu jogava na base do Vélez, com 13 anos, faz muito tempo. Que te comparem com um jogador tão importante quanto Ortega é lindo.
JT: O que pensa de disputar o Mundial de clubes?
Martínez: Estamos nos preparando para ganhar todas as partidas do Brasileirão e quando chegar o Mundial em ganhar a primeira partida para poder passar à outra fase, sabendo que é muito difícil. O time mostrou isso na Libertadores, sendo campeão invicto
JT: Sonha em voltar a defender a seleção argentina?
Martínez: Essa é minha ideia, jogar bem no Corinthians para poder voltar à seleção.
JT: No Mundial?
Martínez: Como disse, é essa a minha ideia, mas primeiro preciso jogar bem no Corinthians para voltar à seleção, depois veremos, mas falta muito.
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Um cenário difícil de mudar
- 20 de agosto de 2012 |
- 22h30 |
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Categoria: Brasileirão, Colunistas, Futebol
Escrevo com muito gosto esta coluna aqui no JT há quatro anos e meio, e garanto que ainda não perdi a esperança de um dia enxergar motivo para acreditar que o futebol brasileiro voltará aos bons tempos em que era admirado (e temido) por sua qualidade técnica e seu estilo que envolvia os adversários. Mas basta acompanhar uma rodada completa e depois ouvir as declarações dos “professores” e jogadores para concluir que vai ser difícil o cenário mudar.
Não aguento ouvir os treinadores repetindo as “palavras mágicas” em suas entrevistas: “focado”, “trabalho” e “pegada”.
Parece que todos os males do time serão resolvidos com mais trabalho, mais pegada e mais “foco”. Esse discurso é irritante!
É como se os “professores” participassem de uma peça de teatro em que todos têm falas parecidas. E todos as decoram muito bem.
Em campo, suas equipes são o reflexo dessa falta de imaginação. Chutão pra cá, chutão pra lá, bola pra cima, chuveirinhos, toda atenção às bolas paradas, laterais sendo cobrados para dentro da área, mais volantes do que jogadores criativos, mais gente que corre do que gente que pensa…
Quando falam em “trabalho” é isso o que querem dizer? Se for, acho que deveriam trabalhar menos. Porque “aprimorar” esses itens citados acima não acrescenta nada ao futebol.
Exemplo de sinceridade
Cada vez que acaba uma rodada me ajeito no sofá para ver as entrevistas, sempre com a esperança de ouvir um treinador ou um jogador dizer: “O time precisa jogar mais com a bola no chão, ser mais criativo e ousado.” Mas lá vem “trabalho”, “focado” e “pegada”…
É por isso que adorei ler as declarações dadas semana passada pelo meia argentino Maxi Rodriguez, que voltou a jogar em seu país depois de dez anos na Europa. Ele disse que a qualidade dos jogos na Argentina caiu muito, que os times jogam com medo porque os técnicos temem ser demitidos se perderem três ou quatro jogos seguidos, que há muita correria e que ninguém liga mais para a técnica e a beleza do jogo. Isso é o que eu chamo de sinceridade.
Por aqui, técnicos e jogadores (e muita gente da imprensa também) ficam tentando iludir o torcedor com essa conversa mole de que o campeonato é empolgante, equilibrado, cheio de craques… E não aparece um “Maxi Rodriguez” para dizer a verdade. Para completar o quadro, temos José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Andres Sanches definindo o destino do nosso futebol. É o fim do mundo.
Baixinhos talentosos
Como estou no Rio, domingo vi com atenção o jogo em que o Galo derrotou o meu Fogão. E, apesar de ter dois cães de guarda que mais mordem as canelas adversárias do que fazem outra coisa, o time mineiro é o que joga o futebol mais agradável da competição.
O mérito é todo do Cuca, que aposta nos “anõezinhos” bons de bola. Não é preciso força nem ficar jogando bola alta na área para um poste, porque o Galo chega com bola no chão e velocidade. O Bernard joga muito, o Danilinho sabe das coisas, o Neto Berola também trata bem a bola, o Guilherme é outro que tem boa técnica. E o Ronaldinho está mais leve e tem sido muito importante para o time.
Será que o Cuca não consegue arrumar dois volantes menos botinudos do que Pierre e Leandro Donizete. Mandar o Pierre embora foi a melhor coisa que o Felipão fez nos últimos anos, porque ele só faz faltas. E seu parceiro é a mesma coisa.
Bem-vindo, Barcelona
Que bom que terminaram as férias no futebol europeu, porque assim pude matar a saudade do time que joga o futebol mais bonito do mundo: o grande Barcelona. O Guardiola saiu, seu auxiliar Tito Vilanova assumiu e o estilo de jogo continua o mesmo. A equipe começou o Campeonato Espanhol estraçalhando a Real Sociedad, e com aquelas jogadas em que a bola corre de pé em pé rasgando a marcação adversária. Isso sim é futebol, “professores”!
Vai ser dose aturar o Nuzman
Preparem-se para aguentar o arroz de festa Carlos Arthur Nuzman aparecendo direto nos próximos quatro anos. O presidente do COB adora sorrir para uma câmera e posar ao lado de um medalhista, mas apoiar os esportes que não atraem muito a mídia que é bom, nada. É por isso que o Brasil continua tendo desempenho modesto em Jogos Olímpicos. Atletas como os irmãos do boxe, a Sarah Menezes e a Yane Marques são heróis.
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O ouro escapou pelos dedos
- 12 de agosto de 2012 |
- 23h13 |
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Categoria: Outros esportes, Olimpíada, Vôlei
PAULO FAVERO E WILSON BALDINI JR.
O Brasil esteve muito perto do ouro – a um ponto, para ser preciso. Mas sucumbiu diante do poderio físico russo e saiu de Londres com uma amarga medalha de prata depois de perder por 3 a 2 (19/25, 20/25, 29/27, 25/22 e 15/9). Foi a segunda derrota seguida em decisões da Seleção, que fez história ao ser a primeira a disputar três finais consecutivas (ouro em Atenas/2004 e prata em Pequim/2008).
Depois de vencer os dois primeiros sets com facilidade, com o calouro Wallace demolindo o bloqueio da Rússia, parecia que o Brasil fecharia o jogo em 3 a 0 (placar do confronto na primeira fase) e encerraria a Olimpíada sem ceder um set sequer nas partidas eliminatórias (tinha feito 3 a 0 na Argentina nas quartas de final e 3 a 0 na Itália na semifinal). Mas aí uma mudança tática feita no desespero pelo técnico Vladimir Alekno passou a minar o time brasileiro. E o ouro foi escapando pelos dedos.
O gigante Muserskiy, de 2,18m (o jogador mais alto do torneio), foi deslocado da posição de central para a de oposto e passou a atacar pela ponta. E foi colocando uma bola no chão atrás da outra sem tomar conhecimento do bloqueio brasileiro, que não tinha nenhum jogador com tamanho para enfrentá-lo – o mais alto era Lucão, com 2,09m; Vissotto, com 2,12m, estava fora de combate por causa de uma lesão muscular.
O Brasil conseguiu resistir no terceiro set. Chegou a ter três pontos de vantagem (18 a 15 e 22 a 19) e desperdiçou dois match-points. Mas perdeu por 29 a 27 e daí em diante não conseguiu mais fazer frente aos empolgados russos. Muserskiy terminou o jogo com 31 pontos.
“O aspecto físico foi decisivo”, disse Bernardinho. “A partir do terceiro set o Dante sentiu o joelho, o Murilo teve dor no ombro, o Sidão no cotovelo… E o cara (Muserskiy) passou a virar bolas de todos os jeitos. Mas o grupo está de parabéns. Chegamos desacreditados e disputamos a terceira final seguida.”
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