Brasil vence Dinamarca por 3 a 1
- 26 de maio de 2012 |
- 10h30 |
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Categoria: Sem categoria
Hamburgo – Com uma equipe cheia de garotos e sem o astro Neymar, o Brasil teve boa atuação e derrotou a Dinamarca por 3 a 1, neste sábado, em Hamburgo, na Alemanha. A vitória convincente alivia um pouco a pressão sobre o técnico Mano Menezes e mostra que a seleção brasileira está no caminho certo na preparação para a Olimpíada de Londres.
No compromisso que abriu a série de quatro amistosos que a seleção está fazendo como preparação para a Olimpíada, Mano escalou uma equipe com média de idade de 22 anos. E o Brasil teve sucesso no primeiro jogo desde que o novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, assumiu o cargo em março.
Marin já avisou que a continuidade de Mano na seleção depende da performance na Olimpíada. Diante disso, a boa vitória deste sábado é muito importante para o treinador. Mesmo porque, foi contra uma Dinamarca que ocupa o 10º lugar no ranking da Fifa e se prepara para a disputa da Eurocopa, que começa no dia 8 de junho.
Mano teve desfalques importantes neste sábado. Daniel Alves e David Luiz foram cortados por contusão, enquanto Alexandre Pato não pôde jogar porque está fora da melhor forma física. Além disso, Neymar, Ganso e Rafael foram liberados do amistoso com a Dinamarca para defender o Santos na última quinta-feira, pela Libertadores.
Com esses desfalques, Mano abriu ainda mais espaço para os jovens na escalação da seleção. No time titular deste sábado, foram oito jogadores com idade olímpica – as exceções eram Jefferson, Thiago Silva, Marcelo e Hulk. Por isso tudo, o treinador admitiu que o Brasil corria risco diante de uma Dinamarca com força máxima.
Mas o que se viu em campo foi um Brasil amplamente superior no primeiro tempo. Fazendo uma marcação forte já no campo de ataque, ao pressionar bastante a saída de bola da Dinamarca, e contando com a velocidade de jogadores como Oscar, Lucas e Hulk, a seleção brasileira não demorou para abrir o placar e tomar o controle da partida.
Mesmo diante da imensa maioria de torcedores dinamarqueses no estádio lotado por 50 mil pessoas – Hamburgo fica perto da fronteira com a Dinamarca -, o Brasil mostrou tranquilidade em campo. Para isso, ajudou bastante o gol marcado por Hulk logo aos sete minutos, num chute de longe que contou com a falha do goleiro Sorensen.
O segundo gol saiu logo depois, aos 12 minutos, graças à principal virtude do Brasil no amistoso: a marcação sob pressão. Hulk roubou a bola no campo de ataque e Oscar aproveitou para fazer linda jogada antes de cruzar para o meio da área. Aí, antes de Hulk poder finalizar, o volante Zimlig tentou cortar e marcou contra.
A Dinamarca foi obrigada a trocar dois jogadores por contusão – o goleiro Sorensen e o meia Schöne saíram já aos 24 minutos. E, aos poucos, começou a equilibrar as ações dentro de campo. Mas o Brasil voltou a marcar aos 39, quando Oscar roubou a bola no ataque e Hulk aproveitou para escapar da marcação e fazer 3 a 0.
No segundo tempo, a Dinamarca assustou logo no primeiro minuto, quando Agger perdeu uma chance de gol incrível, após um impedimento não marcado pelo árbitro. Como o Brasil diminuiu um pouco o ritmo, administrando a vantagem conseguida no primeiro tempo, a seleção dinamarquesa começou a criar seguidas oportunidades de gol.
Com a queda de produção da seleção, Mano começou a mexer na equipe. Alex Sandro, Rafael, Wellington Nem, Bruno Uvini, Casemiro e Giuliano entraram – todos com idade olímpica. Mesmo assim, o Brasil não evitou o gol da Dinamarca, aos 25 minutos, quando o árbitro não deu o impedimento e Bendtner aproveitou para marcar.
Após o gol marcado, a Dinamarca ainda tentou pressionar mais, sonhando com a possibilidade de buscar o empate. Mas, apesar da queda brusca de rendimento no segundo tempo, prevaleceu o bom futebol mostrado pelo Brasil na etapa inicial, quando abriu boa vantagem no placar e construiu a importante vitória deste sábado.
Agora, a seleção brasileira parte uma série de três amistosos nos Estados Unidos. Na quarta-feira, enfrenta os donos da casa em Washington. Depois, já em junho, encara o México no dia 3 em Dallas e a Argentina no dia 9 em Nova Jersey. E, para os próximos jogos, terá o reforço de Neymar e Rafael, além da provável volta de Pato.
BRASIL 3 X 1 DINAMARCA
BRASIL – Jefferson; Danilo (Rafael), Thiago Silva, Juan e Marcelo (Alex Sandro); Sandro (Casemiro), Rômulo e Oscar; Lucas (Giuliano), Hulk (Bruno Uvini) e Leandro Damião (Wellington Nem). Técnico: Mano Menezes.
DINAMARCA – Sorensen (Andersen); Wass, Kjaer, Agger e Simon Poulsen; Christian Poulsen (Jakob Poulsen), Zimling, Eriksen (Rommedhal) e Schöne (Kahlenberg); Bendtner e Kron-Dehli (Pedersen). Técnico: Morten Olsen.
GOLS – Hulk, aos sete e aos 39, e Zimlig (contra), aos 12 minutos do primeiro tempo; Bendtener, aos 25 minutos do segundo tempo.
ÁRBITRO – Felix Brych (Alemanha).
RENDA E PÚBLICO – Não disponíveis.
LOCAL – Imtech Arena, em Hamburgo (Alemanha).
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Um castigo merecido
- 20 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Brasileirão, Corinthians
FÁBIO HECICO
A competição é diferente e Tite escalou a equipe reserva, mas a estreia desastrosa do Corinthians no Campeonato Brasileiro serve bem de alerta para a decisão da vaga nas semifinais da Libertadores, quarta-feira, diante do Vasco: o time precisa aproveitar as chances de gol quando enfrenta um adversário de qualidade.
Mesmo dominando a posse de bola e tendo as melhores oportunidades, o Timão largou desperdiçando três pontos em casa com derrota por 1 a 0 para o Fluminense – que jogou mais na defesa, explorando os contragolpes, como o Vasco deve fazer quarta-feira pela Libertadores.
Ontem, numa partida em que alguns jogadores esperavam levar dor de cabeça a Tite na briga por uma vaga entre os titulares, ficou a certeza de que o treinador não tem, no momento, 11 melhores do que os que descansaram para o jogo de quarta. Douglas, Willian e Liedson deixaram a desejar.
A torcida saiu do estádio com uma pulga atrás da orelha. Se Tite optar por essa equipe alternativa por mais rodadas no Brasileiro, o Corinthians corre o risco de perder muitos pontos neste início de competição e ficar em situação difícil para lutar pelo bicampeonato.
Com uma formação cheia de meninos, o Flu entrou em campo para se defender. O empate seria um bom resultado, e a vitória, se viesse, seria um lucro além do imaginado contra uma equipe que tinha vários jogadores tarimbados e jogava em casa.
O problema é que o desentrosado time carioca não conseguia fechar bem os espaços, e oferecia ao Timão a chance de criar situações de gol.
Mas criar não basta, era preciso colocar a bola na rede. E nesse ponto o Corinthians teve uma tarde para ser esquecida, com seus jogadores mostrando uma irritante falta de precisão nas finalizações.
O Fluminense teve muito menos oportunidades para marcar, mas foi embora com os três pontos graças à bola parada e a um erro coletivo da defesa alvinegra. Depois da cobrança de um escanteio pela esquerda, o zagueiro Leandro Euzébio subiu no meio da área e cabeceou cruzado. Foi o primeiro gol sofrido por Cássio em cinco partidas como titular.
Tite terá de conversar muito com alguns jogadores, em especial Willian e Douglas. O atacante recebe muitas bolas, mas exagera no egoísmo e quase sempre escolhe a jogada errada. E o meia está completando quatro meses de clube e aparenta não conseguir entrar em forma. Ontem ele teve uma grande chance para marcar, mas correu em marcha lenta e chutou sem jeito, mandando na trave.
Que Alex, Danilo, Emerson e Jorge Henrique tenham observado bem o jogo para ver o que não podem fazer quarta-feira.
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O Tricolor não aguentou Herrera
- 20 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Futebol
DANIEL BATISTA
Uma substituição feita no intervalo pelo técnico Oswaldo de Oliveira transformou o que caminhava para ser uma boa vitória do São Paulo em uma derrota acachapante para o Botafogo no Engenhão por 4 a 2.
A ação decisiva do treinador botafoguense foi trocar o inoperante Loco Abreu por Herrera quando seu time perdia por 1 a 0. O argentino aproveitou as falhas são-paulinas, marcou três gols e foi o nome do jogo.
O Botafogo entrou em campo ansioso, porque o fracasso no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil deixou a torcida brava. Na ânsia de sair na frente, o time jogava com pressa. E essa pressa provocava muitos erros.
Mais organizado, e com jogadores de mais qualidade, o São Paulo balançou a rede logo na primeira chance que teve. Aos 11 minutos, Lucas fez boa jogada pela direita e cruzou para trás. No coração da área a bola encontrou Jadson, que bateu de primeira e mandou no cantinho direito.
O jogo ficou a caráter para o Tricolor, que poderia explorar o contra-ataque diante de um time nervoso. Mas faltou determinação para ir em busca do segundo gol e matar logo o jogo.
Veio o intervalo, e Oswaldo de Oliveira teve a boa ideia de trocar Loco Abreu por Herrera. A substituição não demorou para dar resultado.
Logo aos quatro minutos o argentino empatou o jogo, completando de cabeça um cruzamento feito por Lucas. Por um erro de posicionamento da defesa, sobrou para o baixinho (1,71m) lateral Douglas disputar a bola pelo alto com Herrera.
O gol fez o São Paulo acordar, e por um breve intervalo de tempo o time recuperou o domínio da partida. E aos 16 voltou a ficar em vantagem. Jadson cruzou, Luis Fabiano cabeceou, a bola desviou em Brinner e enganou Jefferson.
Falhas da defesa
Aos 22 minutos, o barco começou a afundar. Paulo Miranda derrubou Herrera na área e o juiz marcou pênalti. O argentino cobrou bem e deixou tudo igual outra vez.
Com o empate, o Botafogo passou a sufocar o São Paulo, que se defendia como podia. Os zagueiros davam chutão para todo lado, e Denis fazia o que podia. Se não fossem suas defesas, o placar teria sido mais dilatado.
O goleiro só não conseguiu evitar que seus companheiros colocassem tudo a perder. Aos 27 Vitor Júnior cobrou falta, Cícero saltou para interceptar a bola e desviou de cabeça para o canto oposto ao que estava Denis: 3 a 2. E cinco minutos depois ele ficou vendido de novo.
Maicon tentou driblar Fellype Gabriel na meia-lua, mas foi desarmado e viu a bola chegar limpa para Herrera. Livre dentro da área ele fuzilou o goleiro e estufou a rede.
A chance de reação do São Paulo acabou ali. E os últimos 15 minutos foram um martírio para seus torcedores.
O Rei está preocupado
- 19 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Copa
ROBERTO BASCCHERA
Quando foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para ser embaixador da Copa do Mundo do Brasil, em julho do ano passado, Pelé não imaginou que teria de fazer o papel, como ele mesmo diz, de “bombeiro”. Sua função seria promover o evento de 2014 no País e no exterior. Afinal, ele participou dos comitês dos Mundiais dos Estados Unidos (1994), da Coreia do Sul e do Japão (2002) e da África do Sul (2010). No Brasil, no entanto, Pelé se viu diante de muitas obras atrasadas, indefinições, desentendimentos entre dirigentes, disputas clubísticas e até mesmo construtoras sob investigação. “Não tem porquê haver tantos problemas”, diz o Rei. “Há muita coisa atrasada, mas, se Deus quiser, vamos
nos sair bem.”
Outro motivo de desconforto para Pelé é a situação da Seleção Brasileira. Ele acredita que o Brasil trará a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres, mas critica a ausência de Arouca, volante do Santos, nas listas de Mano Menezes. Ele também acha que o zagueiro Dedé, do Vasco, tem lugar certo no time (o jogador, no momento, está machucado), mas a sua principal crítica é outra: o Rei acredita que o treinador da Seleção está muito indeciso.
“Tem de haver decisão. Dizer ‘a equipe é essa’ e treinar, senão a equipe olímpica fica na dificuldade que a profissional (a principal) está tendo, sem uma base.” Pelé menciona como exemplo João Saldanha, que usou Santos e Botafogo, os dois melhores times do País no final dos anos 60, para montar a espinha dorsal do time tricampeão mundial no
México, em 1970.
No mais, como sempre cheio de compromissos profissionais e ansioso pela conclusão de seu grande projeto no momento, o Museu Pelé, em Santos, o Rei continua encantado com Neymar e, profético, previu na última quarta-feira que o Santos terá dificuldades para eliminar o Vélez Sarsfield. Se passar, levará a Libertadores.
Os prazos da Copa estão apertados e um relatório recente da Fifa mostra que as obras de alguns estádios estão muito atrasadas. O que acha disso?
Eu fiz uma brincadeira e disse que a Dilma me convidou para ser embaixador e estou aqui para apagar fogueiras (risos). Há coisas que não dá para a gente entender. Nós somos brasileiros… Um exemplo: a presidente me pediu para ir ao Rio Grande do Sul porque estava dando aquele problema com o Grêmio e o Internacional. A Copa das Confederações já estava decidida que seria no campo do Inter. O Inter atrasou um pouco as obras, o Grêmio adiantou a construção do seu campo e queria dar uma rasteira no Inter. Eu fui falar com o governador (Olívio Dutra): “Somos todos brasileiros, por que essa briga?” Agora, infelizmente, aconteceu esse negócio lá no Rio, no Maracanã, esse problema por causa da (Construtora) Delta, do (Carlinhos) Cachoeira. No próprio Brasil, um evento aqui dentro e essas brigas… Não tem porquê, não dá para entender.
Como integrante do comitê organizador você conseguiu fazer alguma coisa?
A minha missão é mais conversar, como fiz lá no Rio Grande do Sul. Felizmente resolvemos o problema, assim como foi resolvido o do Itaquerão, que não se definia. Felizmente, parece que agora vai.
Hoje, você está mais otimista ou preocupado
com a Copa?
É evidente que nós somos brasileiros e achamos que temos de fazer a melhor Copa do Mundo. Só como exemplo: eu, como brasileiro, me orgulho muito de ter sido embaixador da Copa do Japão e da Coreia, a convite deles. Houve a briga porque achavam que deveria ser só no Japão e depois entrou a Coreia, e eu estava trabalhando com o comitê japonês, mas saiu tudo bem. Quando os Estados Unidos pleitearam a Copa, eu trabalhei na organização. Eles fizeram uma das Copas mais organizadas, com dinheiro de empresas privadas, sem dinheiro público. Na África do Sul, o (Nelson) Mandela pediu para dar uma ajuda e entregamos a Copa. No meu país, você acha que vou aceitar que dê algum problema? Essa é a minha preocupação, mas, se Deus quiser, a gente vai se sair bem. Só que está muito atrasado.
Você também agiu na crise do Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, por causa do famoso “chute no traseiro”?
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) ficou muito triste, muito chateado com a declaração do Valcke. Eu trouxe o (Joseph) Blatter (presidente da Fifa) aqui. Quando estive no Gabão, falei com o presidente Blatter que ele precisava vir aqui e ele veio. Graças a Deus houve essa união, porque foi indelicada pra chuchu aquela declaração do Valcke. Agora está tudo bem. Pelo menos o bombeiro funcionou, porque o presidente Blatter não queria vir aqui conversar com a Dilma.
Estamos a menos de três meses da Olimpíada.
Qual sua opinião sobre a base convocada por Mano Menezes?
A lista teve algumas surpresas, também pelo fato de ele poder usar jogadores acima do limite de idade de 23 anos. Pelo que vimos nesses últimos anos, eu acho que o Arouca tinha de ter sido convocado, pelo que vem jogando. Falta o Dedé, do Vasco. O Brasil não enfrenta dificuldades porque tem muitos jogadores bons. Só acho que tem de haver uma decisão, dizer “a equipe é essa” e treinar, senão fica na dificuldade que a profissional está tendo, não tem uma base. Uma coisa que muitos esquecem, ou melhor, se lembram, mas não elogiam: o João Saldanha, que era treinador interino do Botafogo, era jornalista, e o que ele fez em 70? Estava com dificuldade, pegou os dois melhores times brasileiros, Santos e Botafogo, e fez a base da Seleção. Depois trouxe Tostão, trouxe Rivellino, mas tinha uma base, coisa que nós não temos ainda.
Então o Mano Menezes está devendo?
Falta um ano e meio para a Copa do Mundo e ainda não temos base, ele está retardando essa decisão. Espero que depois da Olimpíada ele possa fazer um time e o deixá-lo jogar, treinar.
O Neymar prometeu a medalha de ouro para o
presidente da CBF…
Você já ouviu falar num tal de Pelé (risos)? Dizem que o Brasil não tem um título olímpico porque o Pelé não jogou. Naquela época, profissionais não podiam jogar e eu, com 17 anos, já era profissional. Mas o Brasil tem todas as condições de trazer (a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres). Acho que o Neymar vai trazer pra gente.
E na Libertadores da América, vai dar Santos mais uma vez?
Esse confronto com o Vélez é o mais importante. Contra um time argentino, que tem mais experiência. Se passar, com os brasileiros (Corinthians ou Vasco, na semifinal) não tenho muita preocupação, porque eles se conhecem. Mas no futebol nunca se sabe. Quem diria que o Barcelona ficaria fora da Copa dos Campeões da Europa? E, aqui em São Paulo, entrariam Ponte e Guarani nos lugares de Corinthians e São Paulo (no Campeonato Paulista)?
Imagino que o Museu Pelé, que
você vem preparando em Santos, seja a realização de um sonho
pessoal. Aos 71 anos, ainda existem outros?
É aquela história: se você está vivo, vive sonhando. Essa coisa do trabalho com as crianças, com os jovens, é muito importante e é um sonho, um legado ao País que eu gostaria de deixar, a educação das nossas novas gerações. Tenho várias ideias para escolinhas do Pelé, como o Litoral, que eu tenho em Santos. E depois dar prosseguimento a isso com o Edinho, que já é treinador lá no Santos. Já deixei o DNA lá, né (risos)? O Edinho não teve a sorte que o pai teve, porque quebrou o joelho num jogo com o Palmeiras, mas está no Santos agora como auxiliar técnico.
Qual será a peça principal do seu museu?
Tem tanta coisa importante… Tem o troféu de Atleta do Século, tem peças de ouro, brilhantes, esmeraldas, como a coroa que eu recebi lá de Minas Gerais. Tem também a caixa de engraxate, com um valor sentimental muito grande. E, junto com ela, os primeiros 400 réis que eu ganhei engraxando sapatos dos amigos do meu pai, que jogavam no BAC
(Bauru Atlético Clube). Eu entreguei o dinheiro
para o meu pai. Minha mãe guardou esse dinheiro e a caixa de engraxate. Eu tinha 12, 13 anos. O valor disso é inestimável.
Quem você vai convidar para a inauguração do
museu?
Tem tanta história, tanta gente, que ainda não dá para saber direito. Mas vai ser um chamariz de turismo muito grande para Santos. E, durante a Copa, muita gente deve visitar.
A Europa se pinta de azul
- 19 de maio de 2012 |
- 23h07 |
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Categoria: Copa dos Campeões
Há quatro anos, o zagueiro John Terry, símbolo do Chelsea, teve em seus pés a chance de dar ao clube seu primeiro título da Copa dos Campeões da Europa. Bastava a ele transformar em gol seu pênalti na decisão contra o Manchester United para o time de Londres fazer a festa, mas Terry falhou e a taça foi para o rival. Ontem o filme se repetiu, apenas com um personagem diferente: Didier Drogba, outra bandeira do Chelsea. E ele não errou. Com um gol de seu artilheiro, a equipe azul bateu o Bayern de Munique na decisão por pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal, e levantou a taça que era uma obsessão desde 2003, quando o russo Roman Abramovich comprou o clube.
O Chelsea venceu a decisão da Copa do mesmo jeito que havia eliminado o Barcelona nas semifinais, resultado que chocou o mundo da bola: jogando na defesa, aguentando uma dose enorme de sofrimento e contando com a sorte em momentos-chave. Ontem o time se salvou da derrota a poucos minutos do fim, evitou um gol de pênalti do Bayern no comecinho da prorrogação e esteve atrás no placar em boa parte da decisão por pênaltis. Ufa! É exatamente aquilo que os supersticiosos chamam de sorte de campeão.
Ao Bayern, as lágrimas. É muito pouco provável que a equipe alemã tenha outra chance de ser campeã europeia em seu estádio. O fato de ter chegado tão perto da glória só aumentou a dor dos jogadores e dos torcedores do Bayern, clube que não conquista a Copa dos Campeões desde 2001 e amargou o segundo vice-campeonato em três anos. Por coincidência, na última vez que um time havia tido a chance de fazer a final em casa, também havia perdido a taça nos pênaltis. Foi a Roma, em 1984.
Sem contar com o volante Luiz Gustavo, que estava suspenso, o técnico Jupp Heynckes escalou seu time com Schweinsteiger e Kroos no meio, Ribéry e Robben pelas pontas e Thomas Müller próximo do centroavante Mario Gomez. Uma formação muito ofensiva, que fez o que se esperava dela: sufocou o Chelsea desde o começo.
Roberto di Matteo, por seu lado, fez uma clara aposta na marcação, inclusive escalando o lateral-esquerdo Bertrand no meio de campo – sua missão era ajudar Ashley Cole a marcar Robben. Por incrível que pareça, ontem Bertrand fez sua estreia em jogos de Copa dos Campeões – ninguém jamais havia feito isso em uma final.
Exatamente como havia acontecido nos dois jogos contra o Barcelona, Drogba travou uma luta solitária contra a defesa do Bayern. Do outro lado do gramado da Arena Allianz, a equipe alemã tocava a bola para lá e para cá, mas não conseguia entrar na área do Chelsea. E quando isso acontecia, os atacantes do Bayern erravam o alvo – especialmente Mario Gomez, em uma jornada deplorável.
A história não mudou no segundo tempo: era o Bayern atacando sem sucesso e o Chelsea se defendendo com sucesso. De vez em quando a equipe inglesa chegava à área alemã, mas era só para aliviar um pouquinho o sofrimento de sua defesa.
De tanto insistir, o Bayern marcou aos 37 minutos. Müller aproveitou muito bem um cruzamento de Kroos e marcou de cabeça. Aí o Chelsea se mandou com tudo para o ataque e a tática suicida funcionou. Aos 43, um escanteio cobrado por Mata terminou em gol de cabeça de Drogba.
Logo no início da prorrogação, Drogba fez pênalti em Ribéry e Robben se apresentou para bater, mas chutou mal e Cech fez a defesa. Abatido pelo gol levado no finzinho do tempo normal e o erro de Robben, o Bayern se entregou. E o Chelsea sempre quis a decisão por pênaltis.
O erro de Mata logo na primeira cobrança deixou o Bayern perto do título, mas depois Olic e Schweinsteiger falharam e deram a Drogba a chance de virar herói. O resto é história.
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