O goleiro de uma nação
- 11 de janeiro de 2012 |
- 23h35 |
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RAPHAEL RAMOS
Às vésperas da Copa do Mundo de 2002, Marcos chamou Felipão para uma conversa reservada e fez um pedido: “Não me coloque como titular. O Rogério Ceni e o Dida estão voando, e eu estou sendo cornetado por todo mundo. É melhor você escolher um dos dois para ser o seu camisa 1.” O treinador não deu bola para ele, e o final da história todos sabem: a Seleção conquistou o quinto título mundial com atuações importantíssimas do palmeirense, sobretudo nas oitavas de final contra a Bélgica e na decisão diante da Alemanha.
Se a Libertadores de 1999 serviu para elevar Marcos à condição de santo para os palmeirenses, a Copa do Mundo da Coreia da Sul e do Japão fez com que ele passasse a ser idolatrado e respeitado por torcedores de todo o País, até mesmo dos rivais São Paulo e Corinthians.
“Nas preleções, o Felipão passava imagens do povo brasileiro sofrido, cenas de enchentes, pobreza… E a melhor coisa de você defender a Seleção é cantar o hino nacional perfilado com os demais jogadores sabendo que o País todo está te assistindo”, relembra Marcos.
Apesar de ter iniciado aquele Mundial sem muita confiança, a ponto de ter pedido para Felipão não colocá-lo como titular, ele chegou à decisão tão seguro de si que beirou a arrogância, algo impensável para um jogador como ele. Na preleção, o treinador passou a palavra a Ronaldo, astro da companhia. E o Fenômeno prometeu marcar pelo menos um gol – acabou fazendo dois.
Marcos, então, cravou sem medo que o Brasil sairia do estádio Internacional de Yokohama pentacampeão do mundo. “Como o Ronaldo vai garantir o gol dele lá frente e por mim não passa nada hoje, esse título é nosso”, disse para delírio do grupo.
Cafu era o capitão daquele time, mas não era o único líder. Roque Júnior também havia sido escolhido por Felipão para comandar a equipe, principalmente fora de campo, e lembra da importância de Marcos naquela conquista. “Ele estava em uma fase muito boa. Tinha a confiança do Felipão e, para nós jogadores, quando você olha para trás e vê um goleiro da qualidade do Marcão você se sente mais tranquilo.”
Companheiro de Marcos no Palmeiras de 1995 a 2000, Roque Júnior o conhecia bem e sabia que ele poderia ser fundamental para apagar qualquer princípio de crise que pudesse existir. Mas nem foi preciso. “Não perdemos nenhum jogo naquela Copa, mas caso perdêssemos e um jornalista fosse entrevistá-lo, ele poderia soltar uma ou duas pérolas para desviar a atenção para ele, porque sempre foi assim”, conta.
As melhores lembranças que o ex-zagueiro tem de Marcos são da final. “Quando foi exigido, ele não decepcionou. Em uma falta cobrada pelo Neuville, por exemplo, ele se esticou todo e, com a pontinha dos dedos, espalmou a bola, que ainda bateu na trave.”
O lance citado por Roque Júnior ocorreu aos três minutos do segundo tempo, quando a partida ainda estava 0 a 0. O alemão chutou forte da intermediária, a bola passou pela barreira e, quase em cima de Marcos, fez uma curva. Neuville levou as mãos à cabeça como se não acreditasse que o brasileiro tivesse conseguido fazer a defesa. Mal sabia ele que estava diante de um santo.
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