José Aldo é um exemplo de superação
- 7 de outubro de 2011 |
- 22h28 |
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Categoria: Outros esportes
PAULO FAVERO
No mundo do MMA (artes marciais mistas), o brasileiro José Aldo é considerado um dos três melhores lutadores do planeta. Quem vê o atleta, que neste sábado coloca em disputa contra Kenny Florian o cinturão dos penas no UFC 136, em Houston, mal pode imaginar as dificuldades que ele já passou na vida. Nascido na periferia de Manaus, ele conviveu durante a infância com episódios de violência doméstica e lembra o quanto isso o marcou. “Isso faz parte da nossa vida, não tem como esquecer”, conta.
Quando seu pai, que era pedreiro, exagerava na bebida, a mãe pagava o pato. Ao lado das duas irmãs, José Aldo tinha uma vida complicada, segundo ele, com as mesmas “dificuldades do povo brasileiro”. “Quando eu era criança não tinha nada. Fui pela primeira vez ao cinema quando já era adulto. Por isso que na minha vida dou valor a tudo.”
Sua habilidade para a luta começou nas ruas, nas brincadeiras de criança, e depois de frequentar uma academia de jiu-jÃtsu, na capital do Amazonas, ele decidiu largar a famÃlia e ir para o Rio de Janeiro. “Eu sempre batalhei, abri mão de pai, mãe, famÃlia, passei muita dificuldade. Tive de correr atrás e acreditei em mim”, lembra.
José Aldo foi morar em uma academia no bairro do Flamengo. “Lá eu só treinava, só tinha isso para fazer.” Começou a crescer como lutador e como pessoa, mas conviveu com a solidão e a saudade. “Aprendi que quando se está em um momento ruim, dali, não passa. No fundo do poço, a tendência é subir.”
Aos 25 anos, confessa que se espelha no amigo Pedro Rizzo, lutador que mantém o projeto social Usina de Cidadania, na comunidade de Manguinhos, no Rio. Recebe o apoio da refinaria que leva o nome do bairro e conta com 700 crianças, que fazem aulas de música, arte, teatro e MMA. “Sempre conto para as crianças minhas histórias. O Pedro falou que eu era um exemplo para elas”, diz José Aldo.
Torcedor fanático do Flamengo, sua vida é referência para muitas crianças de Manguinhos, que lotam os cursos de MMA e deixam vagas sobrando no de futebol. Efeito curioso que acontece no Rio de Janeiro. A torcida por ele, hoje, será grande. “Assim como cheguei, qualquer um pode chegar. Fiz um treinamento bom e a expectativa é a melhor possÃvel. Estou confiante e tenho de chegar lá e lutar”, avisa.
Outras lutas
Após empatarem em luta emocionante no UFC 125, Frankie Edgar e Gray Maynard fazem mais um duelo pelo cinturão dos leves, no principal evento da noite. Edgar é o campeão da categoria desde que ganhou duas vezes de BJ Penn, em 2010. O adversário, porém, está invicto no MMA (11 vitórias e um empate) e quer tomar o cinturão.
Outro combate importante no UFC 136 é entre Chael Sonnen, desafeto de muitos brasileiros, e Brian Stann. O vencedor deste duelo pode ser o próximo desafiante de Anderson Silva, que tem o cinturão dos médios. Já no card preliminar, outros dois brasileiros entram no octógono e se enfrentam: Demian Maia x Jorge Santiago.


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