E não é que Neymar virou mito?
- 23 de junho de 2011 |
- 1h12 |
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Categoria: Futebol, Libertadores
Assim que Robinho foi vendido ao Real Madrid, em 2005, um garotinho mirrado de 13 anos foi apontado como o sucessor do maior ídolo dos torcedores santistas nos anos 2000. Neymar era o nome do moleque. Muito magoada com a partida de Robinho, a torcida não achava justo ter de esperar aquele menino crescer para ter um novo ídolo.
Mas assim foi, e a espera valeu a pena. Neymar fez mais do que substituir Robinho: ele superou o jogador do Milan nos corações santistas e cravou definitivamente o seu nome na história do Peixe com a conquista da Libertadores. A vitória do Santos sobre o Peñarol, por 2 a 1, ontem (22), no Pacaembu lotado, teve, para variar, participação decisiva do garoto, que abriu o placar e conduziu sua equipe à conquista da América depois de quase 50 anos.
“É o dia mais feliz da minha vida. Fiz história com esse título. Sou campeão da América pela segunda vez esse ano”, falou o jogador ontem, lembrando do título do Sul-Americano Sub-20 conquistado em fevereiro com a Seleção Brasileira.
Neymar classificou o gol de ontem como “maravilhoso” e também criticou a atitude dos uruguaios após o jogo. “Isso é coisa de quem não sabe perder. Temos de deixar eles para lá e comemorar.”
Com o título de ontem, o craque põe fim a qualquer dúvida de que pode um dia ser o melhor do mundo. Dúvidas que começaram há muito tempo. Como Neymar recebia doses cavalares de atenção da mídia desde que era um pré-adolescente, não faltou quem apostasse no fracasso de sua carreira. O raciocínio era mais ou menos este: sendo apenas um menino, ele não vai ter força psicológica para suportar uma pressão tão grande. Mas quem apostou contra Neymar se deu mal.
Em 7 de março de 2009, o prodígio fez sua estreia no time profissional do Santos em um jogo contra o Oeste, no mesmo Pacaembu palco ontem de sua consagração. Ele estava no banco de reservas e, como a equipe jogava mal, a torcida não demorou a pedir sua entrada no jogo, algo surpreendente, porque poucos daqueles torcedores já haviam visto o menino jogar. Pois Neymar entrou, fez um par de boas jogadas e deixou no ar a sensação de que era diferente dos outros.
Naquele mesmo Campeonato Paulista, o atacante se firmou como titular e ajudou a conduzir o time à decisão, perdida para o Corinthians. Foi um bom aprendizado para o garoto, que em 2009 teve também uma participação decepcionante no Mundial Sub-17, até então seu momento mais importante com a camisa da Seleção Brasileira.
As dúvidas que ainda existiam sobre Neymar acabaram em 2010, o ano em que ele fez a tão delicada transição de promessa a craque. Indiscutível líder do time que conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil dando show atrás de show, Neymar ofuscou ninguém menos do que Robinho, que havia voltado para um período de seis meses no Santos. E sua ausência da lista de convocados para a Copa do Mundo fez boa parte da torcida brasileira sentir ódio do técnico Dunga.
Mesmo sem ter ido ao Mundial, Neymar virou uma mania nacional. Seu exótico penteado moicano passou a ser copiado por garotos de todas as classes sociais e ele sempre era notícia, para o bem ou para o mal.
A recusa em transferir-se para o Chelsea fez o jogador ganhar a simpatia de muita gente que o considerava arrogante e mimado. Essa imagem foi bastante reforçada pela briga dele com o técnico Dorival Júnior, que acabou saindo do Santos.
Hoje, Neymar tornou-se um titular indiscutível da Seleção Brasileira. Mais do que isso, o santista é o principal astro da equipe nacional, aquele que carrega as maiores esperanças da torcida brasileira para a Copa de 2014. Parece uma responsabilidade enorme, e é mesmo, mas Neymar já deixou muito claro que pressão é algo que não o assusta.
No ano passado, quando o presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro disse que queria fazer do craque um mito para os santistas, a declaração soou como fanfarronice, mas já é tempo de começarem a levá-la um pouco mais a sério.
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