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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Dor e a alegria de um pentacampeonato

Categoria: Brasileirão, Corinthians, Futebol, Palmeiras

CORINTHIANS 0 X 0 PALMEIRAS

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI
Um minuto de silêncio. Jogadores com o braço direito erguido em homenagem a Sócrates, morto ontem (4) de madrugada. Mais do que a celebração, o time tinha de jogar pelo ídolo que honrou como poucos a camisa alvinegra. Uma comoção sem precedentes em nome do quinto título do Campeonato Brasileiro. No fim da epopeia, Corinthians pentacampeão, com méritos.

Sócrates serviria mesmo de inspiração. Nas arquibancadas do velho Pacaembu havia essa certeza. Não havia motivo para desilusão. Nem lá na multidão vestida de preto e branco, muito menos no campo.

Bola em jogo e os nervos afloraram. Se a torcida se esgoelava em cânticos empurrando a equipe, lá embaixo os jogadores não encarnavam o espírito de Sócrates. Os músculos pareciam duros, a cabeça não pensava.

Cenário favorável ao Palmeiras, um franco-atirador. Um intruso na festa para a qual não havia sido convidado. Os jogadores de Tite não marcavam por pressão a saída de bola dos homens de Felipão. Nem trocavam passes para manter a posse de bola no campo do inimigo, como o técnico alvinegro sempre cobrou durante o Brasileirão.

Com o jogo a seu favor, o Palmeiras pouco fez. Viveu dos lances de Assunção – todos, por sinal, em vão. O Corinthians também quase não atacou. Parecia atordoado, nervos esgarçados. E mais ainda quando o Vasco fez 1 a 0 no Fla – gol de Diego Souza, um ex-palmeirense. O relógio marcava 29 minutos.

O gol vascaíno obrigou a torcida alvinegra a gritar ainda mais alto. Os jogadores não responderam, a não ser em um lance de Willian, que caiu na área em um toque de Henrique. Os corintianos pediram pênalti e o juiz não deu. E assim chegou ao fim o primeiro tempo.

No início do segundo, a história mudou de enredo. Logo aos dois minutos, Valdivia foi expulso numa dividida com Jorge Henrique. Uma expulsão exagerada por parte do árbitro Wilson Luiz Seneme.

Com um a mais, o Corinthians esfriou a cabeça, os nervos voltaram ao lugar. Para melhorar, o Flamengo empatou aos nove minutos – gol de Renato Abreu, um ex-corintiano. Empate no Rio e no Pacaembu, Corinthians campeão.

Bola na trave
Sem Valdivia, Felipão colocou o volante João Vitor no lugar do meia Patrik. Tite avançou Alex e abriu Jorge Henrique na ponta esquerda. Scolari respondeu com Maikon Leite na vaga de Cicinho. Mandou o seu time para frente. Saiu uma falta para Assunção. Ele mandou a bola na cabeça de Fernandão, que carimbou a trave. No rebote, Luan mandou por cima.
Um susto para o Corinthians, que ficou mais preocupado ainda com a expulsão de Wallace, aos 28 – outro exagero de Seneme. Agora eram dez contra dez no gramado. Aí Tite trocou Willian por Chicão.

Nas arquibancadas, os cânticos perderam força. Unhas eram roídas, camisas, mordidas, preces para Sócrates para iluminar os jogadores, corações na boca. E os ponteiros lentos como o andar de um elefante.

Quando o grito de campeão estava para sair, uma confusão paralisou o clássico. Saldo: Leandro Castán e João Vitor expulsos.   Restavam dois minutos de longa espera. Nem era necessário jogar mais, o Vasco acabava de empatar com o Flamengo, resultado que dava o título ao Timão mesmo que o Palmeiras fizesse um gol e ganhasse o clássico.
A nação, então, explodiu de felicidade no Pacaembu. Os jogadores e Tite esperaram os dois infinitos minutos para celebrar. Não é fácil um time bordar cinco estrelas na camisa.

O Corinthians conseguiu esse feito ontem. Pentacampeão brasileiro.
Duas horas antes, Sócrates havia sido sepultado em Ribeirão Preto. Silêncio lá, alegria sem fim no Pacaembu.

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