DIS: uma empresa poderosa e polêmica
- 17 de junho de 2011 |
- 0h20 |
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Categoria: Corinthians, Palmeiras, Santos FC, São Paulo
DANIEL BATISTA
O que era um hobby de um megaempresário apaixonado pelo Internacional de Porto Alegre e fã do Santos de Pelé se tornou um negócio tão lucrativo que hoje sua empresa é uma das mais poderosas do futebol brasileiro.
Delcir Sonda, proprietário de uma rede de supermercados, shopping centers e imobiliárias, resolveu entrar no futebol apenas para ajudar seu time de coração. Mas percebeu que o negócio é bem lucrativo e, aproveitando a má administração dos clubes, a DIS (iniciais do nome do empresário, Delcir Ide Sonda) usa uma forma agressiva de negociar, por entender que é uma empresa diferenciada.
O grupo conta hoje com dez funcionários, sete em São Paulo e três em Porto Alegre, onde tudo começou. O primeiro jogador comprado pela empresa foi Rentería, levado para o Inter. Foi um ‘presentinho’ de Delcir para seu time de coração. Em seguida levou Rafael Sobis. Pouco depois, resolveu dar um agrado ao Peixe, levando Tripodi, Quiñónez e Molina, mas nenhum deles deu certo no Alvinegro.
A primeira grande negociação foi Breno. A DIS comprou 30% dos direitos econômicos do zagueiro por R$ 600 mil. O São Paulo o vendeu por R$ 30 milhões, sendo que cerca de R$ 10 milhões foram para a DIS.
A partir daí os lucros só aumentaram. Além de Delcir, Thiago Ferro e Guilherme Miranda dividem a sociedade da empresa. O grupo chegou a ter 130 atletas em seu portfólio, mas hoje conta com 60. Segundo os empresários, resolveram primar pela qualidade e não pela quantidade.
Guilherme Miranda recebeu a reportagem do JT no escritório da empresa, na Zona Sul da Capital. Mas, como os outros representantes da DIS fazem, evitou se expor e negou a posar para fotos. “Estamos em muitos jogos e não podemos ficar nos expondo”, justificou.
Entretanto, ele admitiu que a política da DIS é fazer de tudo para valorizar seus atletas. “Aqui é ferro e fogo. Não temos receio de fechar portas em clubes. Como só temos jogadores ‘top’ sabemos que os dirigentes não podem fechar a porta para nós, porque uma hora ou outra vai precisar da gente, do nosso trabalho.”
Nas últimas semanas, o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, reclamou da forma que a empresa se comporta, alegando que eles querem mandar no clube. Sobrou para Tinga, que acabou afastado do elenco e pode deixar o clube hoje.
Guilherme nega interferência na escalação dos times, mas confirma agir para seus atletas se tornarem destaques. “Temos de trabalhar nos bastidores e divulgar o nome do atleta. Jogador nosso não atua só com os pés.”
O ‘trabalho nos bastidores’ é divulgar propostas de rivais como forma de o clube valorizar o atleta. Se não der certo, a empresa convence o jogador a recusar qualquer proposta de renovação de contrato, como no caso de Paulo Henrique Ganso.
“O Santos não cumpre o que combina com a gente. Eles dificultam a saída do jogador, mas por outro lado o Ganso não renova e a cada ano sua multa vai reduzindo. Não somos bobos”, lembra Guilherme. A empresa é dona de 45% dos direitos econômicos do meia.
O exemplo de Ganso serve para a empresa falar grosso. “Acho que não é bom negócio os clubes brigarem com a gente. Hoje um atleta ser da DIS é uma grife de qualidade e os clubes sabem disso”, esnoba Guilherme.
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