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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
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Esquiva faz final histórica para o Brasil no boxe

Categoria: Boxe

Esquiva Falcão Florentino é o primeiro brasileiro a chegar a uma final na história do boxe olímpico. Nesta sexta-feira, o paulista de 22 anos atropelou o britânico Anthony Ogogo, derrubando o rival duas vezes, para frustração da torcida da casa. A vitória por 16 a 9 coloca o brasileiro na decisão dos pesos médios, neste sábado, às 17h45 de Brasília. O britânico fica com o bronze.
Com a medalha de prata já garantida, Esquiva Falcão vai enfrentar Ryota Murata, do Japão. O brasileiro não tem boas recordações do japonês, para quem perdeu por 24 a 11 na semifinal do Mundial de Boxe Amador, no ano passado, em Baku (Azerbaijão). Murata, depois, acabou vice-campeão, enquanto o brasileiro ficou com o bronze. Naquela mesma competição, Esquiva já havia vencido Ogogo, nas oitavas de final, por 17 a 12.
Nos dois primeiros assaltos da luta desta sexta-feira, o britânico tentava impedir os golpes do brasileiro partindo para o clinch – quando os dois boxeadores se ”abraçam”. No primeiro round, a estratégia deu certo, com empate em 3 a 3. Mas, depois, no segundo assalto, Esquiva furou a guarda de Ogogo e marcou 6 a 3, balançando o rival.

No terceiro round, um show do brasileiro, derrubando duas vezes o britânico, que não conseguiu esboçar reação, perdendo o assalto por 7 a 3 e a luta por incontestáveis 16 a 9.
O Brasil, até aqui, só tinha outros dois medalhistas no boxe olímpico, ambos de bronze. Até os Jogos de Londres, apenas Servílio de Oliveira havia subido ao pódio, na edição de 1968, na Cidade do México, no peso mosca. Na capital inglesa, a primeira medalha veio com Adriana Araújo, que ganhou bronze na categoria até 60kg.

Outro filho de Touro Moreno, Yamagushi, pode ser o segundo brasileiro da história – e também o segundo Falcão Florentino – a chegar a uma final olímpica. Ele enfrenta logo mais às 18h (de Brasília) o russo Egor Mekhontcev por uma vaga na decisão da categoria meio-pesado (até 81kg).

CAMPANHA
De bye na primeira rodada, o brasileiro estreou apenas na segunda fase da Olimpíada, já nas oitavas de final, contra Soltan Migitinov, do Azerbaijão. Quinta-feira passada, Esquiva Falcão dominou todo o confronto, vencendo pela larga contagem de 24 a 11 para avançar no torneio olímpico de boxe.

Depois, na segunda-feira, já pelas quartas de final, o brasileiro ganhou do húngaro Zoltan Harcsa por 14 a 10, depois de ter dominado dois dos três assaltos do combate – venceu os primeiros por 6 a 2 e 5 a 4, mas perdeu o último por 4 a 3.

Derrotado pelo tempo

Categoria: Boxe

WILSON BALDINI JR.

Foi num modesto campo de beisebol, em Nassau, nas Bahamas, há exatos 30 anos, que Muhammad Ali subiu pela última vez em um ringue. Mas a despedida do nome mais importante do boxe em todos os tempos foi melancólica. Diante de dez mil espectadores, Ali, aos 39 anos, se apresentou com 107 quilos, com problemas motores e a voz prejudicada.

Seu médico particular, Ferdie Pacheco, afirmara que o boxeador já estava com sinais de problemas neurológicos – em 1984, Ali revelou estar com Mal de Parkinson. Os organizadores do combate o levaram para ser examinado por 30 médicos em Nova York. Ele foi submetido a todos os tipos de exames da época e nada foi constatado.

Por US$ 1,1 milhão, Muhammad Ali se preparou por 11 semanas nas Bahamas para enfrentar o canadense Trevor Berbick, de 27 anos, quarto colocado no ranking da Associação Mundial de Boxe. Ex-campeão dos pesos pesados, Ali sonhava com a quarta conquista. Os críticos norte-americanos não acreditavam em um novo “milagre”, como aquele de 1974, quando da vitória espetacular sobre George Foreman, no Zaire. Mesmo diante de um rival limitado como Berbick, que iria receber US$ 350 mil e que tinha como melhor resultado uma derrota por pontos para Larry Holmes, oito meses antes.

Na entrevista coletiva, Ali mantinha o bom humor. “Berbick é um adversário fácil de pegar. Eu sou o mesmo que bateu Joe Frazier, em Manila”, disse, referindo-se ao épico duelo de 1975, quando venceu o grande rival. “Posso dançar e pular os dez rounds. Berbick não vai me achar no ringue. Só vai sentir meus golpes.”
E Ali realmente surpreendeu nos três primeiros assaltos, ao iniciar o combate com o seu tradicional jogo de pernas, um tanto menos veloz, e o jab perfeito, que acertava em cheio a cabeça do adversário. Um direto de direita tirou o equilíbrio de Berbick no terceiro assalto. O público vibrou e gritou “Ali, Ali, Ali”, acreditando em mais um milagre do “The Greatest”.

A partir do quarto assalto, Berbick passa a atacar a linha de cintura de Ali, que por sua vez abusa do 1-2 (jab de esquerda e direto de direita), seguido por um agarrão. Ele ofega e os golpes não têm a mesma eficácia. No quinto assalto, Ali vai para as cordas e guarda energia para surpreender o rival nos 30 segundos finais.

No sexto, Berbick tenta pressionar, mas seu boxe é pobre. Se Ali tivesse dez anos menos, o canadense já não estaria mais em ação. No sétimo round, o instinto de Muhammad Ali o faz catimbar, ao chamar o adversário para a briga, após uma troca de golpes.

No intervalo para o oitavo round, o técnico Angelo Dundee, que esteve ao lado de Ali em toda a sua carreira, está preocupado. Em 1980, foi o treinador que mandou o juiz parar a luta antes do 11º round para encerrar o castigo que Larry Holmes impunha ao seu pupilo.

Mas desta vez Dundee permite que a luta siga. E Ali volta com seu jogo de pernas e até arrisca perigosas esquivas. Tanto esforço deixa o ex-campeão esgotado. Sua sorte é que Berbick também está cansado, mas a juventude está ao seu lado. O canadense ataca todo 9º round, assim como o 10º. O público não se contém. “Ali, Ali, Ali” é o grito dos espectadores, sabedores de que o fim da carreira do mito estava próximo.

Os jurados foram unânimes a favor de Berbick. Dois anotaram 99 a 94 e outro, 97 a 94. Mas o resultado pouco importava. Muhammad Ali não havia perdido para Trevor Berbick. Ele havia perdido para o tempo. “Eu te amo. Vou ganhar o título mundial em sua homenagem”, disse Berbick, ainda no ringue. Ele cumpriu a promessa em 1986, mesmo ano em que perdeu o cinturão para Mike Tyson. Berbick morreu em 2006, aos 52 anos, assassinado pelo sobrinho. Há 27 anos, Ali convive com o Parkinson e ajuda as pesquisas na busca pela sua cura.

Boxe: chegou a vez delas

Categoria: Boxe

ALESSANDRO LUCCHETTI

A Federação Paulista de Boxe promove cerca de 1,2 mil lutas ao longo de um ano. E agora esse número vai aumentar. As mulheres foram incluídas no programa com a realização da primeira edição do Campeonato Paulista Feminino, que começou na última terça-feira, no Ginásio Baby Barioni, na Água Branca. E o início foi considerado um sucesso. Aos 85 anos, Newton Campos, o presidente da FPB, parece entusiasmado como um garoto. “Gostei muito dessas moças. São educadas, humildes e disciplinadas.”

O dirigente está acostumado a certa indisciplina dos boxeadores, que frequentemente se apresentam acima do peso, o que provoca o cancelamento das lutas – já houve o caso de pugilistas que nem levaram o RG ao ginásio. Satisfeito com o comportamento das mulheres, Campos já pensa em atrelar sua marca mais famosa, a Forja dos Campeões (torneio para novatos), a elas, criando a Forja feminina.

Mesmo sem nenhuma divulgação, em duas semanas se inscreveram 58 lutadoras. É muita coisa, já que o Campeonato Brasileiro, bem mais consolidado, teve participação de 61 homens.

Algumas das pugilistas estavam com as emoções à flor da pele. Era o caso de Aline de Paula, da Academia Osan, da Praia Grande. Com um calção cor de rosa para exaltar a feminilidade, a garota de 15 anos deixou o ringue chorando depois de sofrer nocaute a 1min30 do primeiro round. “Fui avisada em cima da hora que havia sido inscrita. Tive de perder 3kg e meio em quatro dias. Estava só comendo salada. Eu me senti meio fraca.”

Coragem
O campeonato atraiu praticantes de várias faixas etárias, como Stella de Luca, que se animou e agora, aos 30 anos, tentará entrar para a Seleção Brasileira. “É minha última chance.”

Mulher do boxeador profissional Marinho Soares, ela precisa ser mais cruel, segundo ele. “Ela tem uma boa alma. Fica com dó de bater nas adversárias”, brinca ele, que não tem esse problema. Marinho ganhou fama quando quase bateu no jornalista Jorge Kajuru em uma entrevista.

A promoção de um campeonato feminino pela FPB vinha sendo pedida havia muito tempo por treinadores e donos de academia. “O Newton incluía lutas femininas para completar a programação, não dava muita bola. Mas eu sabia que seria um sucesso”, diz o treinador Marcos Macedo, um dos pioneiros do boxe feminino no Centro Olímpico do Ibirapuera, hoje em Rio Claro. “As mulheres têm uma coragem estoica, um tipo de bravura e dedicação de quem tem o dom da maternidade.”

O Brasil é campeão do Pan-Americano feminino e já produziu, em poucos anos, uma campeã do Mundial Amador adulto, Roseli Feitosa, feito nunca alcançado pelo boxe masculino.

E isso tudo sem nenhuma estrutura de primeira. O Brasil nem enviou representantes para o último Mundial Cadete Juvenil feminino. “É inconcebível não termos na Seleção uma ginecologista e uma psiquiatra. Mas mesmo assim o boxe feminino está crescendo, à revelia dos dirigentes”, afirma Macedo.

E já está aberto o caminho para o profissionalismo. As lutadoras estão sendo observadas por empresários como Edu Mello, um dos mais ativos do boxe profissional brasileiro.

Tentações à vista

Categoria: Boxe

ALESSANDRO LUCCHETTI

Campeão mundial juvenil, campeão dos Jogos Mundiais da Juventude. O boxeador David Lourenço teve trajetória irrepreensível nas etapas que antecederam sua chegada à idade adulta. E ela chegou. Desde fevereiro, quando completou 19 anos, David deixou de ser o melhor juvenil do mundo na categoria dos meio-médio ligeiros para se tornar mais um boxeador adulto que ambiciona classificação para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, que serão em outubro.

O Pré-Pan de Quito, no Equador, começou no último sábado e termina dia 7. Ailton Cardoso de Deus, pai e primeiro treinador de David, prevê dificuldades para o filho no ringue. Com 1,69m, o garoto já era baixo em comparação com a média de seus adversários na categoria até 69kg. Agora, como peso médio (até 75kg), as dificuldades serão maiores.

“Ele tem muita massa muscular, e foi difícil ficar dentro daquela categoria. Sua arma é a pegada. O David gosta de dizer que no boxe tem mão que vem e mão que volta”, diverte-se Ailton. A que vem é a dos adversários, a que volta é a dele. Mas quem nem sempre volta na manhã do dia seguinte para treinar é o próprio boxeador. A fama de campeão mundial e os músculos cultivados nos treinos já chamam a atenção de muitas mulheres, e as diversões noturnas têm roubado horas de treino do lutador. “Eu estou meio vagabundo”, admite. “Está me faltando um pouco de treino.”

Gancho de esquerda
Ciente disso, Ailton deixou semana passada o trabalho de porteiro numa concessionária de carros em Guarulhos para se juntar ao filho. Ele quer se virar como personal trainer e também dando aulas de boxe. Tudo para tentar botar o garoto nos trilhos.

Como a casa da família, em Guarulhos, fica muito longe do bairro de Santo Amaro, na zona sul paulista, onde os lutadores da Seleção treinam num Clube-Escola mantido pela prefeitura, David, já há algum tempo, mora em uma casa que foi transformada pela Confederação Brasileira de Boxe em alojamento para lutadores. Com uma jornada de trabalho mais flexível, o paizão acha que será possível reinstalar o pugilista em seu quarto. Ele passará a dedicar algumas horas do dia para levar o filho aos treinos e também buscá-lo.

“Preciso ficar em cima. Se ele quer chegar a algum lugar no boxe, vai precisar de mais dedicação e orientação, e a família está aqui para isso”, diz o severo Ailton. “Uma coisa é ser campeão juvenil, outra é conquistar uma medalha olímpica ou um título no profissionalismo.”

Devido a algumas lesões, David Lourenço ficou sem lutar durante uns sete meses. Em fevereiro, colheu um mau resultado, considerando-se o seu nível. Ficou com o bronze na Copa Independencia, na República Dominicana, ao perder para o anfitrião Junior Castillo. O resultado foi contestado pelo time brasileiro. De qualquer forma, o talento de David continua lá. E, segundo Ailton, uma correção de rumo é suficiente para que o Brasil possa voltar a acreditar na chance de ter um grande boxeador no futuro. O posto hoje está vago.

Mais do que nunca, o baixinho David precisará de muita velocidade para fugir da envergadura de adversários mais altos e encurtar a distância nos momentos mais adequados para atingir os adversários com seus golpes potentes, como o gancho de esquerda, sua arma mais letal.

Mas primeiro o garoto terá de dosar suas energias e ser rápido para escapar das tentações naturais em sua idade. Leia-se mulheres. Por ora, ele nem pensa em ter namorada fixa, o que seria recomendável para ter rotina mais apropriada a um atleta. “Estou bem assim”, sorri o campeão.

Newton Campos pede ajuda para salvar o boxe

Categoria: Boxe

ALESSANDRO LUCCHETTI

O telefone não para no conjunto 4A, no quarto andar do edifício Brasilar, no começo da avenida Nove de Julho, perto da Praça da Bandeira. A maior parte das ligações é de treinadores de boxe procurando informações sobre o torneio Luvas de Ouro, cuja primeira rodada estava programada para terça-feira passada no ginásio Moacyr Dayuto, que pertence ao complexo esportivo Baby Barioni, na Água Branca, zona oeste da capital.

“Não tenho nenhuma informação, Pedrão. Eu te comunico assim que souber de algo”, responde Newton Campos, o presidente da Federação Paulista de Boxe. Assim que coloca o fone no gancho, ele dá continuidade à entrevista “coletiva” à qual compareceram dois repórteres e um fotógrafo.

Campos, 85 anos, vocifera contra Eduardo Anastasi, coordenador de Esportes da Secretaria Estadual de Esportes, Lazer e Juventude. O dirigente não foi avisado com antecedência pelo Contru da interdição que impediu a realização das finais de outro torneio, a Forja de Campeões, no último dia 5. Naquela data, compareceram delegações de várias cidades do interior, que perderam a viagem.

Dia 12 Campos conseguiu realizar o evento no ginásio do Pacaembu, administrado pela Prefeitura, mas teve de pagar uma taxa de R$ 2,8 mil. “Precisei da ajuda de amigos e tirei dinheiro do meu bolso. Não cobramos ingressos e não temos patrocínio. Não tenho como pagar esse tipo de taxa.”

Terça-feira passada ele tentou iniciar o Luvas de Ouro, mas não foi possível. O dirigente se queixa de falta de empenho de Anastasi para resolver o problema. “Ele não me respeitou como dirigente, jornalista e homem que luta para impedir que o boxe vá à falência em São Paulo.”

Pandemônio
Nos tempos em que tinha patrocínio, a Federação pagava uma taxa de R$ 700. Depois de perdê-lo, Campos conseguiu isenção graças à ajuda de um político do PTB, partido ao qual é ligado o atual secretário de esportes. Mas Anastasi não está disposto a livrá-lo dessa taxa. “Não posso burlar a lei. Ele estava ocupando um ‘próprio’ estadual de forma irregular”, afirma o coordenador, que exonerou a antiga diretora do Baby Barioni.

Indignado, Campos quer que o governador Geraldo Alckmin interfira. “Peço ao governador do Estado que tome uma atitude contra a Secretaria de Esportes. Aquilo está virando um pandemônio. Estamos fazendo de tudo para que o boxe não morra. Não temos há muito tempo a cobertura da TV, que é o nosso grande sonho, mas tínhamos o Baby Barioni. Ninguém pode nos tirar o ginásio”, afirma o velho dirigente, com a voz embargada e os olhos lacrimejando.

Antônio Carollo, 87 anos, também compareceu à sede da Federação para se queixar de Anastasi. Técnico da Seleção Brasileira em cinco edições dos Jogos Olímpicos, estava no córner de Servílio de Oliveira, o peso mosca que conquistou a única medalha da história da participação olímpica brasileira no boxe, um bronze, em 1968. Ele treinou por dois anos alunos inscritos numa atividade oferecida pela Secretaria, mas não foi remunerado. “Não podemos, por lei, contratar uma pessoa com mais de 70 anos”, alega Anastasi.