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Sábado, 18 de Maio de 2013
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Brasil se livra de pegar os EUA

Categoria: Bastidores, Basquete

TIAGO ROGERO

Tanto no torneio masculino quanto no feminino, o Brasil escapou dos Estados Unidos na fase de grupos dos Jogos Olímpicos de Londres. Mas isso não significa que as seleções vão encontrar facilidade. O sorteio foi realizado nesta segunda-feira, 30, na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Rio de Janeiro, pela Federação Internacional de Basquete (Fiba). Cada chave tem seis equipes e as quatro melhores de cada grupo irão às quartas de final.

A estreia da Seleção masculina, de volta à Olimpíada 16 anos após a sua última participação, será contra a Austrália, no dia 29 de julho, na Arena Olímpica de Basquete. Completam o Grupo B Espanha, China, Grã-Bretanha e uma das três seleções classificadas no Pré-Olímpico de Caracas, na Venezuela, entre os dias 2 e 8 de julho.

As outras duas seleções vão para o Grupo A, que, além dos EUA, tem Argentina, França e Tunísia. Ao fim do Pré-Olímpico, será feito um sorteio para decidir para qual chave vai cada time.

O armador Marcelinho Machado, que também participou do sorteio, espera por uma estreia difícil contra a Austrália. Aos 37 anos, o atleta vai disputar sua primeira Olimpíada. “O mais importante é a nossa preparação, como a Seleção vai chegar lá e em que condições. O sonho é uma medalha.”

Para o bicampeão mundial (1959 e 1963) Wlamir Marques, o grupo do Brasil tem “muitas pedreiras, mas o outro também tem”. “Se chegarmos entre os oito melhores, maravilhoso. Entre os seis, melhor ainda. Entre os quatro? Perfeito! Se conseguirmos medalha, tem de ter carro do Corpo de Bombeiros para recepcionar esses atletas”, disse o ex-jogador de 75 anos, que ganhou o bronze duas vezes, nos Jogos de Roma (1960) e Tóquio (1964). “O basquete brasileiro tem uma história muito antiga e vitoriosa, ela só não é contada.”

Estreia indefinida
No torneio feminino, o País estreará em 28 de julho contra uma das cinco classificadas no Pré-Olímpico da Turquia, entre 25 de junho e 1 de julho. Na disputa, seleções fortes como França e República Checa. Já confirmadas no grupo do Brasil estão Rússia, Grã-Bretanha e Austrália. “Torço para que o primeiro jogo seja contra uma seleção não muito forte, para a nossa equipe ganhar confiança e crescer durante a competição”, disse Hortência, vice-campeã olímpica nos Jogos de Atlanta (1996) e hoje diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

China, Angola e três times classificados do Pré-Olímpico completam o grupo dos Estados Unidos. “Para não cruzar com os Estados Unidos nas quartas de final, não podemos de jeito nenhum ficar em quarto na chave. Não que elas sejam imbatíveis. O Brasil em estado de graça pode até ganhar, mas é sempre bom fugir”, diz Hortência.

Parte do grupo de 18 atletas (só 12 vão para Londres) convocadas pelo técnico da Seleção, Luís Cláudio Tarallo, vai se apresentar hoje, em São Paulo, para exames médicos. Na quinta-feira, começarão os treinamentos em Jundiaí. A pivô Erika, que só deverá se juntar ao grupo em duas semanas, prometeu “pegar no pé” das companheiras para “fazer bonito e trazer a medalha”. “Eu quero ver o basquete cada vez mais forte no Brasil, até para que possa voltar ao País”, disse a atleta do Perfumerias Avenida, da Espanha.

 

Gênio Neymar, um santista de coração

Categoria: Futebol, Neymar, Santos FC

SANCHES FILHO

Como Pelé, entre 1955 e 1974, Neymar já é a marca de uma nova etapa na história do Santos. Impossível imaginar um sem o outro. O clube se desdobra em complicadas engenharias financeiras para manter a sua principal estrela. E Neymar dá a resposta com a sua arte, desequilibrando em decisões e com provas de amor ao clube que o formou, esnobando montanhas de euros oferecidas pelos gigantes do futebol europeu.

A homenagem a Juary, ao marcar o segundo dos seus três gols na semifinal contra o São Paulo, no Morumbi, foi mais uma demonstração de respeito à história santista, algo raro entre os jogadores atuais. Depois do jogo, ele explicou que nas concentrações costuma assistir a vídeos de jogos antigos do Santos e num deles viu como o centroavante do time campeão paulista de 1978 comemorava.

Com 53 anos, Juary, craque da primeira geração dos Meninos da Vila, está quase esquecido como técnico do pequeno Sestri Levanti, da Série D do Campeonato Italiano. Ele jamais imaginou que seria lembrado pelo novo fenômeno do futebol brasileiro, ainda mais num momento tão importante como a classificação que deixa o Santos a um passo de se tornar tricampeão estadual pela terceira vez na história, a primeira depois da Era Pelé. “Fiquei feliz com a homenagem e ao saber que ele me tem como ídolo”, disse Juary.

As homenagens a jogadores históricos do Santos fazem parte do amadurecimento profissional de Neymar. Por três vezes a sua transferência para clubes da Europa era dada como certa e só não se consumou por decisão dele. Nas três, Neymar disse que ficava por amor ao Santos e que dinheiro não é tudo na vida. Parecia justificativa vazia, mas, com o passar do tempo, Neymar mostra que esse é realmente o seu sentimento.

Nos próximos jogos os lembrados serão Serginho Chulapa e João Paulo, que ocupam o topo da artilharia desde que Pelé parou de jogar, com 104 gols.

Caso se confirme a sua promessa de ficar no Santos até pelo menos depois da Copa do Mundo de 2014, Neymar vai facilmente entrar para o seleto grupo dos 10 maiores artilheiros da história do clube.

Depois de atingir a marca de Serginho e João Paulo, os próximos a serem ultrapassados são Del Vecchio (17º da história, com 105 gols), Álvaro (106), Vasconcelos (111), Raul Cabral (120), Odair (134), Antoninho Fernandes (145), Camarão (150) e Tite (10º colocado, com 151). Difícil vai ser descobrir como eles comemoravam seus gols.

Manchester City vence clássico

Categoria: Futebol, Futebol Internacional

Há quatro rodadas, o Manchester United tinha oito pontos de vantagem na ponta do Campeonato Inglês e parecia impossível que alguém lhe tirasse o título. Mas tudo mudou em três semanas. Principalmente depois da vitória do Manchester City sobre o seu rival caseiro, por 1 a 0, nesta segunda-feira, no Estádio Cidade de Manchester.

Isso porque agora o Manchester City é o líder do Campeonato Inglês. Os dois times têm 83 pontos, mas a equipe azul fica na frente porque tem melhor saldo de gols: 61 a 53. Ao Manchester United, resta tentar reverter esta desvantagem com goleadas sobre Swansea City (em casa) e Sunderland (fora), times que só cumprirão tabela nas duas últimas rodadas da competição.

Já o City tem um calendário um pouco mais difícil, porque no próximo domingo vai jogar fora de casa contra o Newcastle, o quinto colocado, que luta por uma vaga na Liga dos Campeões. Depois, o jogo do título pode ser contra o Queens Park Rangers, que briga contra o rebaixamento, em Manchester. A taça do Campeonato Inglês seria apenas a terceira da história do Manchester City, que foi campeão em 1967/68 e 1936/37.

O JOGO – Com cara de clássico, a partida teve mais garra do que belas jogadas. Exceção aos primeiros 10 minutos, a etapa inicial teve o Manchester United pensando em se defender (Rooney era o único atacante) e o City bastante preocupado em atacar (com David Silva, Tévez e Agüero na frente). Balottelli, perdoado por Mancini, ficou no banco dos donos da casa.

As chances reais de gol, porém, eram escassas. Destaque para duas jogadas de linha de fundo do City. Numa, Tévez cruzou e Jones salvou. Em outra, Nasri fez a jogada e Agüero, no meio da ára, mandou para fora.

O gol só saiu aos 46 minutos. David Silva cobrou escanteio pela esquerda e Kompany subiu mais que a marcação para testar firme para dentro do gol, sem nenhuma chance para o goleiro De Gea.

Conforme esperado, a pressão mudou de lado no segundo tempo. Era o Manchester United que precisava vencer e partiu para o ataque. Aos 3 minutos, Giggs quase fez gol olímpico – Hart tirou de tapinha. Tal qual o City, porém, o time vermelho tinha dificuldades em ameaçar o gol.

Precisando vencer, Alex Ferguson trocou Park e Scholes pelos atacantes Valencia e Welbeck. Mancini respondeu tirando dois homens de frente (Tévez e David Silva) e colocando dois jogadores de contenção: Richards e De Jong. Ainda assim, foi o City que fechou o jogo sendo mais perigoso, aproveitando os espaços no contra-ataque. Não fosse o preciosismo, poderia ter feito 2 a 0.

Nos minutos finais, um momento raro no futebol inglês. Mancini e Ferguson se desentenderam depois de um lance mais ríspido em campo e trocaram ofensas, a ponto de precisarem ser separados. No fim do jogo, se cumprimentaram protocolarmente.

CBAt define convocação para a maratona

Categoria: Atletismo

Com o fim do prazo de obtenção de índices para a maratona, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou nesta segunda-feira os quatro atletas convocados para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres. São três no masculino – Marilson Gomes dos Santos, Paulo Roberto de Almeida Paula e Franck Caldeira – e Adriana Aparecida da Silva como única brasileira na maratona feminina.

Da equipe, aquele que tem mais chances de medalha é Marilson, que já estava pré-convocado por ter terminado entre os 30 melhores do mundo no ranking mundial de 2011 – o melhor não africano. Neste ano, o atleta da BM&FBovespa foi o oitavo colocado da Maratona de Londres, com 2h08min03s, o que faz dele o sétimo melhor do mundo quando excluídos os quenianos e etíopes.

Com o segundo melhor tempo entre os brasileiros que vão a Londres, Paulo Roberto de Almeida, de 33 anos, atleta do Cruzeiro, disputará sua primeira Olimpíada. Já Franck Caldeira, de 29, da equipe Orcampi, vai para a sua segunda maratona olímpica. Ambos bateram seus recordes pessoais este ano e devem evoluir até os Jogos de Londres.

No feminino, Adriana Aparecida da Silva será a única representante brasileira na maratona. A atleta do Pinheiros, de 30 anos, deve treinar na altitude, tanto na Colômbia quanto na Suíça, antes de viajar a Londres.

O craque desequilibrou

Categoria: Campeonato Paulista, Santos FC, São Paulo

PAULO GALDIERI

Neymar mostrou na semifinal do Paulista que além de habilidoso e capaz de encantar com jogadas fora de série também é cada vez mais decisivo, preciso E fundamental.

Com três gols – o 100º, o 101º e o 102º de sua carreira pelo Santos – ele levou o time à final do Estadual e o colocou no trilho de um tricampeonato que não acontece em São Paulo desde que o Santos de Pelé levou a taça em 67,68 e 69.
E Neymar não se destacou “apenas” pelos gols que marcou. Ele driblou, fez seu marcador Piris levar amarelo no primeiro e ser substituído por precaução no intervalo, catimbou, apanhou, se jogou, provocou, cavou a expulsão de Cícero e irritou muito os são-paulinos. Ele colocou a partida embaixo do braço. Não foi uma tarde de dribles desconcertantes no Morumbi. Foi uma tarde de mais um passo rumo à maturidade do melhor jogador do Brasil.

Para o São Paulo ficou o gosto amargo de mais uma eliminação diante de um rival que, nos últimos anos, é um de seus maiores carrascos. Gosto mais amargo ainda certamente deve ter sentido Denis, que levou um frango justamente no momento em que o Tricolor mais pressionava e parecia muito perto de empatar o jogo. Ele foi a nova vítima de uma fase eliminatória cruel para os goleiros do “trio de ferro”.

O Santos que foi e voltou de La Paz, jogou e perdeu na altitude boliviana no meio de semana, atuou de forma bem diferente da que acostumou sua torcida. O time de Muricy, com potencial mais que comprovado para jogar à la Barcelona, escolheu seguir o exemplo do Chelsea.

Contra um São Paulo disposto a fazer valer o mando de campo e se impor, o Peixe soube se fechar e contra-atacar. E diferentemente do adversário, que ficou com a bola mas pouco ameaçou tanto a meta de Rafael, o ataque santista foi de uma precisão cirúrgica.

A começar pelo lance do pênalti sofrido por Alan Kardec. A jogada, logo no início da partida, deu bem a ideia do que a equipe de Muricy iria fazer: retomada de bola no meio de campo e enfiada rápida por trás da defesa. O 1 a 0, construído com competência e sem firula por Neymar com uma batida firme, só fez as coisas ficarem mais à feição da proposta santista.

Alterações – Ainda no primeiro tempo o Santos fez 2 a 0. Ganso recuperou a bola no campo de ataque e tocou para Neymar, que se livrou com facilidade de Paulo Miranda e tocou de pé esquerdo na saída do goleiro.

No intervalo, Leão resolveu mudar o jeito de jogar e trocou Jadson por Fernandinho, que entrou para jogar aberto pela esquerda – e também colocou Rodrigo Caio no lugar de Piris.

O time melhorou, embora tenha ficado exposto aos contragolpes santistas. Num lance irregular (Willian José estava impedido quando recebeu a bola), diminuiu o placar aos 18 minutos. E se animou a lutar pelo empate.

O problema é que faltava alguém com o peso e a precisão de Luis Fabiano. Willian José, apesar do gol marcado, não oferece isso à equipe.

E do outro lado havia Neymar, sempre um perigo quando recebia a bola. Aos 32 minutos, com a ajuda de Denis, ele matou o jogo. Bateu forte, mas a bola foi em cima do goleiro – que espalmou fraco e não conseguiu jogá-la por cima do travessão.

O time que tem um craque capaz de decidir estava na final pelo quarto ano consecutivo.