Viciados da cracolândia se espalham por 27 bairros
- 27 de janeiro de 2012 |
- 23h26 |
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Categoria: Geral
CAMILLA HADDAD
TIAGO DANTAS
A Operação Centro Legal – ocupação da Polícia Militar na cracolândia – espalhou usuários de drogas por pelo menos 27 bairros da capital. Entre os dias 10 e 22, a PM recebeu, pelo 190, 1.038 ligações de moradores de várias regiões da cidade reclamando de ‘noias’ na porta de casa. Alguns desses lugares já eram ocupados por usuários de drogas e agora estão com movimento mais intenso. Em outros pontos, moradores dizem que nunca haviam visto consumo de crack perto de casa.
A migração já era esperada pela polícia – e inclusive foi usada como estratégia para “quebrar a logística do tráfico”. “O poder público optou por espalhar as pessoas sem resolver o problema de fundo”, critica o juiz Luís Fernando de Barros Vidal, ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia. A ação na cracolândia começou no dia 3. Ruas como Helvetia, dos Gusmões e Alameda Dino Bueno têm sido ocupadas por bases e viaturas da PM 24 horas por dia. Também fazem parte da força-tarefa funcionários das áreas de saúde e assistência social da Prefeitura e do governo do Estado.
Entre os cerca de 86 telefonemas diários de reclamações de “novas cracolândias”, a PM tem recebido ligações de bairros distantes do centro, como Campo Belo e Vila Mariana, na zona sul, Butantã e Vila Leopoldina, na zona oeste, Freguesia do Ó e Tremembé, na zona norte, e Itaquera e Vila Formosa, na zona leste. Em Santa Cecília, centro, moradores da Rua Apa notaram que a concentração de usuários de crack cresceu este ano, principalmente no cruzamento com a Rua General Júlio Marcondes Salgado. “Tinham três ou quatro. Mas depois que começaram a mexer com eles (viciados) no centro, fica mais de 30 aqui à noite. Eles brigam e fazem bagunça. Evito sair”, diz a manicure Cleusimar de Oliveira Santos, de 28 anos, que mora na região.
O capitão Sérgio Agassi, porta voz do serviço 190, explica que após detectar o aumento das chamadas ao telefone de emergência, a corporação imediatamente reforçou o Centro de Operações (Copom) com mais cinco pontos de atendimento, passando, em média, de 40 para 45 atendentes. Os demais chamados não foram prejudicados.
“Durante a ligação ocorre uma série de questionamentos para saber realmente se o que as pessoas estão vendo tem relação com migração (de usuários de crack)”, diz. Segundo o oficial, monitorar a migração tem sido cada vez mais importante. Com o chamado em mãos, o batalhão da área envia uma viatura até o local para apurar a queixa e, se for confirmado o problema, impede que ali se forme uma minicracolândia.
Devem telefonar para a PM pessoas que vejam homens e mulheres em estado de mendicância e que sejam suspeitos de ser usuários de crack.
Na conversa do 190 é questionado, por exemplo, se a pessoa está segurando um cachimbo. No dia 10, a corporação anunciou que a Tropa de Choque e até helicópteros passariam a trabalhar na cidade para “blindar” bairros contra a migração dos viciados. São 150 homens a mais, além dos 300 já empenhados na ação.
A ideia é dispersar os grupos de viciados que se formam para consumir droga.
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